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Ancine 18 anos e 18 filmes

ANCINE

A Ancine está completando 18 anos com muitos ataques.

A Ancine (Agência Nacional do Cinema) atingiu a maioridade. Dia 6 de setembro de 2019 a Ancine completou 18 anos. 18 anos fomentando o cinema nacional. 18 anos colocando o cinema nacional onde ele merece estar. Mas infelizmente a Ancine tem sido alvos de ataques cruéis e covardes. Ataques de pessoas sofrendo com efeito Dunning-Kruger, ou seja, possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, e essa sua incompetência os restringe de reconhecer os próprios erros. E a maioria desses, inclusive nossos governantes, nem sequer sabem como funciona Ancine. Mas isso é assunto para outra hora.

No momento iremos comemorar a maioridade da Ancine. Vamos relembrar 18 filmes feitos nos 18 anos da Ancine. Relembrando 1 filme por ano, essa lista mostrará a importância da Ancine e de como o cinema nacional é espetacular. Além é lógico, de mostrar que a Ancine não patrocina filmes pornográficos!

2002 – Cidade de Deus

Um dos filmes mais emblemáticos do cinema nacional nesse século XXI foi finalizado com a ajuda da Ancine. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, é um dos maiores símbolos da importância da Ancine. A Ancine foi criada em setembro de 2001 e começou a funcionar em 1 de janeiro de 2002. O filme estreou em 30 de agosto de 2002, então embora não tenha sido filmado com a ajuda da Ancine, o filme foi finalizado com o auxilio da agência.

Baseado no livro de Bráulio Mantovani, o filme conta a história da Cidade de Deus, uma das maiores comunidades do Rio de Janeiro. O filme tem como linha condutora dois jovens Buscapé, que se torna um fotógrafo jornalístico retratando a realidade das favelas cariocas, e Zé Pequeno, que anteriormente era Dadinho, e se torna um dos mais temidos traficantes da Cidade de Deus e do Rio de Janeiro.

O filme é um dos símbolos do nosso cinema por tudo que representa. Cidade de Deus ganhou 66 prêmios nacionais e internacionais. Além disso o filme foi indicado para 42 outros prêmios, entre eles a 4 Oscars, entre eles Melhor Diretor para Fernando Meirelles e Melhor Roteiro Adaptado.

2002 – Ônibus 174

O segundo filme da nossa lista também é de 2002. Como falei no texto anterior, a Ancine começou a funcionar propriamente dita em 2002, no dia 1º de janeiro. Logo os filmes de 2001 não tiveram a influência da Ancine. Como colocarei 18 filmes aqui, teremos dois filmes em 2002. Até porque esse segundo filme não poderia ficar de fora dessa lista.

Ônibus 174, dirigido por José Padilha e Felipe Lacerda, é um dos mais importantes documentários do cinema nacional. O filme foi feito baseado em imagens de arquivo, entrevistas e documentos oficiais, sobre o sequestro do ônibus 174, ocorrido em 12 de junho de 2000. O sequestro foi filmado e transmitido ao vivo por quatro horas, paralisando o país, e terminou com a morte da professora Geisa Firmo Gonçalves, que foi usada como escudo humano, e de Sandro Barbosa do Nascimento, o sequestrador que foi um dos sobreviventes da chacina da Candelária em 1993.

O filme causou grande impacto nacional e internacional, por mostrar de forma nua e crua o caso. O filme fez inclusive um paralelo entre a ocorrência policial e a vida do sequestrador. O impacto foi tão grande que o filme foi o vencedor do IDA, o mais importante prêmio de documentários do mundo, na categoria ABCNews VideoSource Award, e José Padilha foi indicado ao DGA, o prêmio do sindicato de diretores, na categoria direção de documentário. Ou seja, a Ancine chegou chegando hein?

Menção Honrosa de 2002: Dois Perdidos Numa Noite Suja, Durval Discos, Edifício Master, Madame Satã.

2003 – Amarelo Manga

Vou te falar foi difícil escolher um filme apenas em 2003! Sabe aquele ano em que o cinema nacional está em alta? Pois bem, 2003 teve um pico extraordinário com filmes de qualidade e sucesso inquestionáveis. E provavelmente sem a Ancine, isso nunca teria acontecido, talvez alguns desses filmes nem teriam saído do papel. Mas, dentre todos esses resolvi escolher um filme que teve um destaque nacional e internacional. E levando isso em conta o escolhido foi Amarelo Manga, o filme de estreia de Cláudio Assis nos longas de ficção. E o motivo da escolha desse filme são vários.

A começar por sua história. O filme tem como pano de fundo o Recife para contar a história de pessoas comuns em situações diferentes comuns e incomuns. Temos um açougueiro que, apesar de louvar sua mulher evangélica, mantém uma amante; a fascinação de um necrófilo pela dona de um bar; e um homossexual que sonha em conquistar o açougueiro. A trama cria um mosaico exótico do submundo brasileiro. Outro motivo é o elenco de ponta do nosso cinema, que conta Leona Cavalli, Matheus Nachtergaele, Chico Díaz, Dira Paes e Jonas Bloch.

O filme ainda tem uma fotografia marcante e espetacular realizada por Walter Carvalho, e premiada internacionalmente. E falando em prêmios estrangeiros, Amarelo Manga teve uma carreira extraordinária no Brasil e no exterior. O filme ganhou 27 prêmios e concorreu a outros 17 prêmios. Inclusive, entre os prêmios conquistados por Amarelo Manga, temos o prêmio do Fórum do Novo Cinema no Festival de Berlim.

Menções Honrosas em 2003: Carandiru, Desmundo, Deus é Brasileiro, Dom, Glauber o Filme Labirinto do Brasil, O Homem do Ano, O Homem que Copiava, Lisbela e o Prisioneiro, Narradores de Javé, O Signo do Caos.

2004 – O Outro Lado da Rua

2004 foi outro ano excelente para o cinema nacional. Novamente tivemos sucessos de bilheterias e sucessos no exterior, com premiações em importantes festivais. E um dos principais exemplares desse sucesso em 2004 foi o filme O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein.

O primeiro filme do roteirista de Central do Brasil conseguiu um feito extraordinário. O filme trouxe a reunião de três gigantes da dramaturgia brasileira: Fernanda Montenegro, Raul Cortez e Laura Cardoso. Só pelo elenco o filme já valia a atenção. Mas além do elenco sensacional, o filme tem uma ótima história. Regina (Fernanda) é uma mulher solitária de 65 anos que mora em Copacabana. Para esquecer a solidão e se distrair, ela participa de um serviço da polícia, no qual aposentados denunciam pequenos delitos. Em uma noite ela tem a certeza de que viu seu vizinho, Dr. Camargo (Raul), assassinar sua esposa com uma injeção letal. Como a causa da morte da mulher é dada como morte natural. Regina então parte numa empreitada para provar que não está louca e sabe o que viu, mas acaba se envolvendo com Dr. Camargo.

O filme foi um sucesso, muito devido a fama de Fernanda Montenegro, que 5 anos antes havia nos emocionado com Dora em Central do Brasil. Além disso o filme faturou 16 prêmios e foi indicado a 7 outros prêmios. Entre os prêmios que o filme faturou, inclui Melhor Filme na Mostra Panorama em Berlim e os prêmios de Melhor Atriz nos Festivais e Tribeca e San Sebastián.

Menções Honrosas: Benjamin, Cazuza – O Tempo Não Para, Contra Todos, A Dona da História, Meu Tio Matou um Cara, Nina, Pelé Eterno, Redentor.

2005 – Cidade Baixa

Mais um ano com uma boa bilheteria no cinema nacional, graças a mais uma biografia musical. Mas o filme que quero destacar é um dos mais celebrados filmes de 2005 entre a crítica especializada e os amantes do cinema nacional, Cidade Baixa, de Sérgio Machado.

Primeiro longa de ficção de Sérgio Machado, Cidade Baixa trás no elenco grandes nomes da nova geração do nosso cinema Alice Braga, Wagner Moura e Lázaro Ramos. O filme segue o triângulo amoroso entre uma prostituta e dois homens que trabalham com transporte marítimo. Eles seguem para a Cidade Baixa de Salvador, e entre as dificuldades de relacionamento, o filme mostra o cotidiano das pessoas dessa região. Falando de pobreza, drogas, prostituição e violência.

A estreia de Sérgio Machado foi muito celebrada nacionalmente e mundialmente. O filme ganhou 23 prêmios e foi indicado a outros 24 prêmios. Entre os prêmios faturados pelo filme, temos o Prêmio da Juventude no Festival de Cannes.

Menções Honrosas: 2 Filhos de Francisco, Cabra Cega, Casa de Areia, Estamira, Quanto Vale ou é Por Quilo?, Se Eu Fosse Você.

2006 – Cinema, Aspirinas e Urubus

Tá aqui uma situação interessante, que ocorrerá em outras ocasiões. O filme Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, foi concluído em 2005 e até ganhou um prêmio em uma das mostras paralelas. Mas o filme só estreou nos cinemas brasileiros em 2006, tanto que foi o candidato brasileiro para o Oscar 2007.

O filme conta a história de Johann (Peter Ketnath), um alemão que para fugir da Segunda Guerra Mundial, veio trabalhar como vendedor de aspirinas nas cidades do interior do Nordeste. Dirigindo seu caminhão, ele conhece Ranulpho (João Miguel), um nordestino que está tentando chegar ao Rio de Janeiro e à procura de trabalho. Esse encontro muda para sempre a vida de ambos para sempre e em certo momento os planos e sonhos dos dois camaradas de estrada terão novos rumos.

O filme, que embora seja de 2005 foi lançado em 2006 no Brasil, passou na mostra Um Certo Olhar em Cannes e ganhou o Prêmio da Educação Nacional naquele ano. Esse foi apenas de um dos 35 prêmios que o filme recebeu, entre esses prêmios nos festivais de Lima, Guadalajara e Mar del Plata. Além disso o filme ainda foi indicado a outros 15 prêmios.

Menções Honrosas: O Baixio das Bestas, Brasília 18%, O Céu de Suely, Falcão – Os Meninos do Tráfico, A Máquina, Zuzu Angel.

2007 – Tropa de Elite

Tropa de elite, osso duro de roer
Pega um pega geral, também vai pegar você

Parapapapapapapapapapá!
Paparapaparapará clack bum
Parapapapapapapapapapá!

Morro do Dendê
É ruim de invadir
Nós com os Alemão
Vamos se divertir

Esses foram os versos mais cantados em 2007, tudo graças ao filme Tropa de Elite, de José Padilha. Um dos maiores sucesso de público e crítica da década de 2000. Junto com Cidade de Deus, o filme de Padilha se tornou um dos símbolos do cinema nacional e da cultura pop. O Capitão Nascimento se tornou um herói nacional. Falas como, ‘Pede pra sair’, se tornarão bordões repetidos até hoje em dia. E tudo veio de onde? De um filme nacional!

Baseado em elementos do livro Elite da Tropa, de André Batista, Rodrigo Pimentel e Luiz Eduardo Soares, o filme retrata o dia a dia do BOPE e dos membros desse grupo de elite da PM Carioca. Focando no Capitão Nascimento (Wagner Moura), que quer encontrar um sucessor, e em dois policiais honestos que destacam pela honra com que realizam suas funções.

Tropa de Elite transformou Wagner Moura em astro do cinema nacional e elevou José Padilha a um status internacional pouco alcançado por diretores brasileiros. O filme passou no Festival de Berlim onde faturou o Urso de Ouro. Além desse prêmio, o filme faturou outros 38 prêmios e recebeu outras 14 indicações mundo a fora. Tropa de Elite levou mais de 2 milhões de pessoas aos cinemas e faturou mais de R$ 24 milhões nas bilheterias. E só não foi mais porque uma versão não finalizada do filme foi vazada e cerca de mais de 11 milhões pessoas assistiram a versão pirata. Agora imagine se não existisse a Ancine, será que o filme traria um retorno de mais de R$ 24 milhões?

Menções Honrosas: Batismo de Sangue, A Casa de Alice, O Cheiro do Ralo, Cidade dos Homens, Estômago, Jogo de Cena, Mutum, Ó Paí, Ó, Saneamento Básico, o Filme.

2008 – Linha de Passe

Depois de alguns anos com o cinema nacional em alta, 2008 foi um ano “fraco” para o cinema nacional, mas mesmo assim conseguiu obras espetaculares do nosso cinema. Entre eles, esse que é um dos melhores filme de Walter Salles. Que marca a reunião do diretor com Vinícius de Oliveira 10 anos depois de Central do Brasil, com quem também trabalhou em Abril Despedaçado em 2001.

Linha de Passe, que Walter dirigiu em parceria com Daniela Thomas, conta a história de quatro irmãos são criados pela mãe, que trabalha como empregada doméstica e está mais uma vez grávida de pai desconhecido. Com a ausência do pai, eles lutam por seus sonhos e um deles vê seu talento como jogador de futebol a esperança de uma vida melhor.

O filme foi multipremiado internacionalmente. O filme ganhou 22 prêmios diferentes e foi indicado para outros 21 prêmios. Entre os prêmios que o filme conquistou está o prêmio de Melhor Atriz, para Sandra Corveloni, no Festival de Cannes e 3 prêmios no Festival de Havana.

Menções Honrosas: Encarnação do Demônio, Meu Nome Não é Jhonny, Feliz Natal, Os Desafinados, Nossa Vida Cabe Num Opala, A Festa da Menina Morta, Loki – Arnaldo Baptista.

2009 – É Proibido Fumar

2009 foi também um ano em baixa no cinema nacional sem grandes sucessos, ou grandes nomes nos festivais mundo a fora. Mas nem por isso deixamos de ter filmes que merecem destaque. Entre os destaques positivos do cinema nacional em 2009, temos o segundo longa de Anna Muylaert É Proibido Fumar.

No filme Baby (Glória Pires) vive sozinha no apartamento que herdou da mãe. Ela dá aulas de violão para alguns alunos e vive em atrito com as irmãs. Quando o músico Max (Paulo Miklos) se muda para o apartamento vizinho, Baby vê nele a grande chance de voltar à vida. Para que o romance dê certo ela está disposta a enfrentar qualquer ameaça, inclusive seu vício compulsivo por fumar.

O filme foi o grande vencedor do Festival de Brasília de 2009 ganhando 9 prêmios. Além do Festival de Brasília o filme ainda levou outros 22 prêmios e foi indicado a outros 10.

Menções Honrosas: À Deriva, Salve Geral, Jean Charles, Budapeste, Se Eu Fosse Você 2, Besouro, A Mulher Invisível, Divã.

2010 – Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é outro

3 anos depois de conquistar o público e a crítica com Tropa de Elite, José Padilha, Wagner Moura e André Ramiro estão de volta no filme com maior bilheteria da história do cinema nacional, sim desconsiderei os filmes com selo IURD poque os casos de ingressos esgotados e salas vazias se repetiram Brasil a fora. Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro é um dos maiores sucessos do cinema nacional de todos os tempos. Superando ninguém menos que Dona Flor e Seus Dois Maridos, que deteve o título de maior bilheteria de todos os tempos no Brasil por 34 anos.

Em Tropa 2, vemos a vida de Capitão Nascimento alguns anos após os eventos primeiro filme. Agora tenente coronel afastado do BOPE depois de uma operação mal sucedida. Nascimento vai parar na inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado, onde descobre um esquema de corrupção que coloca em risco não apenas a sua vida, mas também de sua ex-mulher e seu filho agora adolescente.

O filme foi o maior sucesso do cinema de 2010 e até hoje é considerado um dos maiores sucessos de público e crítica do cinema nacional. O filme custou R$ 16 milhões e arrecadou mais de R$ 104 milhões. O filme arrecadou mais de 6 vezes o seu valor. Novamente pergunto: será que sem a Ancine teríamos essa arrecadação recorde que voltou aos cofres públicos?E como não poderia deixar de ser o filme ainda faturou 37 prêmios e foi indicado a outros 17.

Menções Honrosas: As Melhores Coisas do Mundo, Nosso Lar, Chico Xavier, 5x Favela Agora Por Nós Mesmos, Uma Noite em 67, O Bem Amado.

2011 – O Palhaço

2011 foi outro excelente ano para o cinema nacional, graças a Acine. Mas um filme que é sem dúvidas nenhuma um marco em 2011 é O Palhaço, de Selton Mello. O segundo longa do ator na direção, conquistou o Brasil e o mundo em uma produção simples e tocante.

No filme Benjamim (Selton Mello) trabalha no Circo Esperança junto com seu pai Valdemar (Paulo José). Juntos, eles formam a dupla de palhaços Pangaré & Puro Sangue e fazem a alegria da plateia. Mas a vida anda sem graça para Benjamin, que passa por uma crise existencial e assim, volta e meia, pensa em abandonar a vida circense.

O filme conquistou o Brasil e o mundo. Foi o grande vencedor do Festival de Paulínia ganhando 4 prêmios. Além de Paulínia o filme conseguiu 38 outros prêmios no Brasil e no mundo.

Menções Honrosas: Xingu, Assalto ao Banco Central, Trabalhar Cansa, O Homem do Futuro, Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, Corações Sujos, As Canções, e é claro Bruna Surfistinha.

2012 – O Som ao Redor

Primeiro filme de Kleber Mendonça, o diretor já chegou com o pé na porta com um filme multipremiado. O Som ao Redor recebeu 31 prêmios, inclusive um prêmio no Festival de Toronto, e foi indicado a outros 18 prêmios.

O filme conta a história de um condomínio que é controlado por uma milícia. A chegada da milícia muda a vida dos moradores do local. Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de extrema tensão.

O filme é um dos melhores filmes brasileiros desde a criação da Ancine. O filme é uma mistura de realidade e metáforas. Um filme tem uma história bonita, divertida, assustadora e cativante. O filme conquistou a crítica nacional e internacional. Inclusive o filme entrou na lista dos melhores filmes estrangeiros da AFI de 2012. Já no Brasil e filme está na 15ª posição dos melhores filmes da Abraccine.

Menções Honrosas: Paraísos Artificiais, 2 Coelhos, A Música Segundo Tom Jobim, Gonzaga: De Pai Para Filho, Colegas, Elena, A Busca, Vou Rifar Meu Coração, Histórias que Só Existem Quando Lembradas.

2013 – O Lobo Atrás da Porta

Novamente temos uma estreia na ficção. O primeiro longa de ficção de Fernando Coimbra também chegou chegando. O Lobo Atrás da Porta é livremente baseado num caso real, conhecido como o Caso Fera da Penha, ganhou reconhecimento nacional e internacional. O filme recebeu 24 prêmios e conseguiu outras 15 indicações, entre elas a de Melhor Diretor Estreante no DGA.

No filme o desaparecimento de uma criança faz com que seus pais, Bernardo (Milhem Cortaz) e Sylvia (Fabiula Nascimento), vão até uma delegacia. O caso fica a cargo do delegado (Juliano Cazarré), que resolve interrogá-los separadamente. Logo descobre que Bernardo mantinha uma amante, Rosa (Leandra Leal), que é levada à delegacia para averiguações. A partir de depoimentos do trio, o delegado descobre uma rede de mentiras, amor, vingança e ciúmes envolvendo o trio.

O filme mistura terror, suspense e drama em uma trama envolvente que te prende mesmo você já sabendo o desfecho da história. Muito devido a direção de Fernando Coimbra, bem como a atuação do quarteto principal Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré e principalmente Leandra Leal. Leandra inclusive ganhou prêmios internacionais por seu trabalho como a terrível, fria e maquiavélica Rosa.

Menções Honrosas: Flores Raras, Faroeste Caboclo, Uma História de Amor e Fúria, Somos Tão Jovens, Tatuagem, O Menino e o Mundo, Serra Pelada, Entre Nós, Dossiê Jango.

2014 – Praia do Futuro

5º longa do diretor Karim Aïnouz, que é nosso representante no Oscar 2020, Praia do Futuro é um filme corajoso, duro e polêmico. Mas nem por isso deixa de ser um dos melhores filmes da filmografia de Wagner Moura, em talvez seu papel mais difícil, e de Karim Aïnouz. Mas infelizmente é um filme subestimado e muitas vezes esquecido. Eis o motivo de eu o colcoar nessa lista.

Praia do Futuro conta a história de Donato (Wagner Moura), que trabalha como salva-vidas. Seu irmão caçula, Ayrton (Jesuita Barbosa), tem grande admiração por ele, devido à coragem demonstrada ao se atirar no mar para resgatar desconhecidos. Um deles é Konrad (Clemens Schick), um alemão de olhos azuis que muda por completo a vida de Donato após ser salvo por ele. É quando Ayrton, querendo reencontrar o irmão, parte em sua busca na fria Berlim.

O filme passou no Mostra principal do Festival de Berlim, mas infelizmente não empolgou a platéia, mas isso não tira os méritos do filme. Mas talvez por essa recepção morna em Berlim marcou a carreira do filme, que acabou sendo incompreendido e é muito subestimado, e merece ser redescoberto. Principalmente agora!

Menções Honrosas: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Getúlio, Tim Maia, Quando Eu Era vivo, Casa Grande, Olmo e a Gaivota, Boa Sorte.

2015 – Que Horas Ela Volta?

Segundo filme de Anna Muylaert na lista, 4º longa da diretora e novamente um novo sucesso de crítica, e agora também de público. Que Horas Ela Volta? é um dos filmes mais amados e premiados dos últimos anos no Brasil. Principalmente, pela presença da carismática Regina Casé e por sua história, que retrata bem a história de milhares de brasileiros, que saem do nordeste rumo ao sudeste em busca de uma vida melhor.

O filme conta a história de Val (Regina Casé), uma pernambucana que se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino (Michel Joelsas) vai prestar vestibular, Jéssica (Camila Márdila) lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.

Que Horas Ela Volta? já começou 2015 mostrando a que veio, faturando o prêmio de Melhor Atriz para Regina Casé e Camila Márdila no Festival de Sundance. Além de faturar, ainda no início do ano, dois prêmios no Festival de Berlim. Além desses 3 prêmios o filme ainda faturou outros 25 prêmios e outras 24 indicações mundo afora. Com certeza é um dos marcos da década de 2010 no cinema brasileiro.

Menções Honrosas: Chatô, O Último Cine Drive-in, Boi Neon, Chico Artista Brasileiro, Nise: O Coração da Loucura, Califórnia, Entre Abelhas.

2016 – Aquarius

2º longa de ficção de Kleber Mendonça, 2ª vez na lista. Aquarius é o melhor filme brasileiro, na minha opinião é claro, desde Cidade de Deus. Não só sua história, sua direção, a atuação magnética e soberba de Sônia Braga, em seu melhor papel no cinema, mas também tudo o que o filme representa, Aquarius é um marco no nosso cinema.

Se você estava em uma caverna nos últimos anos e não conhece essa obra prima de Kleber Mendonça, eis sua sinopse: Clara (Sonia Braga) tem 65 anos, é jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos. Ela mora em um apartamento localizado na Av. Boa Viagem, no Recife, onde criou seus filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

O filme de Kleber Mendonça, conquistou o Brasil e o mundo, como uma história que é 100% brasileira, mas ao mesmo tempo universal. O filme conquistou 37 prêmios mundo afora, além de outras 39 indicações, entre elas Melhor Filme Estrangeiro no Spirit Award.

Costumo dizer se com Carlota Joaquina o cinema nacional renasceu, com Aquarius o cinema nacional atingiu a maioridade. E por incrível que pareça, o filme de Kleber foi lançado 21 anos após a retomada, idade que em muitos países é quando se atinge a maioridade.

Menções Honrosas: Mãe Só Há Uma, Divinas Divas, O Silêncio do Céu, De Onde Eu Te Vejo, Mais Forte Que o Mundo, Era o Hotel Cambridge, Fala Comigo.

2017 – Como Nossos Pais

Dirigido por Laís Bodanzky, em seu 4º longa, Como Nossos Pais foi um dos destaques de 2017, ao lado de vários outros filmes de sucesso de público e crítica. Mas o drama protagonizado por Maria Ribeiro foi minha escolha por ser talvez o melhor filme nacional de 2017, mesmo teno Bingo nesse ano.

O filme conta a história de Rosa (Maria Ribeiro), é uma mulher de 38 nos que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe de suas filhas, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos.

O filme, que tem uma temática atual e necessária, abordando principalmente o empoderamento feminino, foi um dos mais premiados em 2017. O filme foi o grande vencedor do Festival de Gramado recebendo 7 Kikitos, entre eles o de melhor Atriz, Direção e Filme. O filme ainda levou 14 prêmios e foi indicado a outros 18 prêmios. Infelizmente o filme foi ofuscado em 2017 por Bingo, mas é com certeza um dos grandes filmes desses 18 anos de Ancine.

Menções Honrosas: Bingo: O Rei das Manhãs, O Filme da Minha Vida, Gabriel e a Montanha, Joaquim, As Duas Irenes, Não Devore Meu Coração, Vazante, Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood, Corpo Elétrico.

2018 – Benzinho

2018 foi difícil escolher um filme. Mas a verdade é que o terceiro filme de Gustavo Pizzi e com roteiro do próprio Gustavo junto com Karine Telles, é sem dúvida nenhuma o filme do ano de 2018. Benzinho é o retrato de uma mãe de classe média sofrendo por antecipação da síndrome do ninho vazio, tendo de lidar ainda com as complicações que sua família lhe trás.

O filme conta a história de Irene (Karine Teles), cujo primogênito é convidado para jogar handebol na Alemanha e a lança em uma espiral de sentimentos pois, além de ajudar a problemática irmã (Adriana Esteves), lidar com as instabilidades do marido (Otávio Müller) e se desdobrar para dar atenção ao seus outros filhos, ela terá de enfrentar sua partida antes de estar preparada para tal.

O filme estreou em janeiro de 2018 no Festival de Sundance, onde foi muito bem recebido. O filme recebeu 17 prêmios mundo afora, além de ter sido indicado a outros 8 prêmios. Benzinho é um filme simples mais profundo que conquistou o Brasil e o Mundo, e entre tantos filmes de peso em 2018 não poderia deixar de destacá-lo.

Menções Honrosas: Bixa Travesti, As Boas Maneiras, Animal Cordial, Aos Teus Olhos, Praça Paris, 10 Segundos Para Vencer, Ferrugem, Excelentíssimos, O Processo, Ex-Pajé, Tinta Bruta, O Segredo de Davi, Tito e os Pássaros.

2019 – Divino Amor

2019 ainda não terminou, mas já temos filmes que entrarão para a história do cinema nacional, mesmo que tentem acabar com a Ancine. Entre tantos filmes, em especial 4 deles, eu resolvi pegar um filme que estreou em Sundance em Janeiro, passou em Berlim na mostra Panorama e estreou em 27 de junho desse ano, Divino Amor, de Gabriel Mascaro.

O filme se passa num futuro próximo onde Joana (Dira Paes) trabalha como escrivã em um cartório e, profundamente religiosa e devota à ideia da fidelidade conjugal, sempre tenta demover os casais que volta e meia surgem pedindo o divórcio. Tal situação sempre a deixa à espera de algum reconhecimento, pelos esforços feitos. Entretanto, a situação muda quando ela própria enfrenta uma crise em seu casamento.

Divino Amor é sem dúvida nenhuma um vislumbre do que se pode acontecer caso a política nacional siga o caminho pelo qual infelizmente estamos indo atualmente. Junto com Bacurau, Divino Amor mostra um retrato de um futuro que está mais próximo do que poderíamos imaginar. O filme até o momento já ganhou 4 prêmios internacionais, o que na minha opinião é pouco se levarmos em conta a qualidade do filme.

Menções Honrosas: Bacurau, A Vida Invisível, Sócrates, Democracia em Vertigem, Turma da Mônica: Laços, Marighella, Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar, Espero Tua (Re)Volta, No Coração do Mundo.

Então é isso meus amigos, 18 anos em 18 filmes feitos com o auxílio da Ancine! Além é claro das dezenas de menções honrosas que essa lista trás. Agora me digam, será que se a Ancine não existisse teríamos tantos filmes premiados assim? Fica aqui essa reflexão!

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