Corpo Elétrico e a alma
Corpo Elétrico e a alma

Corpo Elétrico e a alma

Eu pensei muito sobre o que escrever para minha estreia no Cinem(ação), mas por onde começar sem explicar um pouco sobre o que eu falo?

Eu escrevo sobre cinema desde de 2009, mas não sobre qualquer filme, eu escrevo especificamente sobre o cinema LGBT e chego por aqui para trazer para vocês um pouco mais do que acontece no cinema LGBT+ ao redor do mundo.  Me acompanhem nessa!

O primeiro passo para mim foi escolher um filme. Eu tenho mais de 200 filmes LGBT no meu HD em casa, mas acho que o mais novo deles deve ser de 2010, da época onde ainda não existia a praticidade de streaming, conteúdo on-demand e essas outras coisas que vieram com a tecnologia. Então, decidi escrever sobre o filme mais recente que eu vi: Corpo Elétrico (2017).

Baseado em um poema do Walt Whitman chamado “Eu canto o Corpo Elétrico”, o filme brasileiro segue um roteiro um pouco diferente dos que a gente está acostumada e traz para tela a leveza. Não existe um clímax, não existe um anti-herói e muito menos um herói. Existe o corpo e existe a alma.

Elias trabalha numa confecção de roupas no Bom Retiro, centro de São Paulo. Ele menciona a família, mas tem pouco contato e vive seu carinho, seu corpo e sua alma em relações fugazes com outros homens e até mesmo com ele mesmo. Nessa busca por si mesmo, Elias encontra tantas outras pessoas que podem trazer para sua vida e suas reflexões novas significâncias.

Ao acompanharmos a história de Elias (Kelner Machado), o filme brasileiro engana a gente, se mostrando como um daqueles filmes onde nada acontece, mas é justamente aí que o Corpo Elétrico te ganha sem você perceber. O filme acontece como a vida, um pouco de coisa a cada dia, um muito de nada e um pouco de tudo!

 

A estreia da direção do Marcelo Caetano, diretor de elenco em Aquarius , traz para nós a crueza das relações, a leve melancolia que existe sobre os personagens o tempo todo, a representatividade LGBT em formato de ícones como Márcia Pantera e Linn da Quebrada.

O tema central que o filme nos traz é justamente a felicidade, a melancolia, o sexo, as paixões, as vontades, os acertos, os erros, as dúvidas e as certeza. Tudo isso junto, vivido ao mesmo tempo, como é a vida. Talvez seja esse o retrato mais fiel e verdadeiro da vida, ainda que nada parecida com a sua.

Nessa mistura de cigarro, cerveja e liberdade, Elias se redescobre, de corpo e alma, colocando seu corpo elétrico como uma posição diante das situações que não concorda e dando a ele toda sua vontade de viver.

O Corpo Elétrico figurou a lista dos cogitados para o Oscar 2018  como o representante do cinema nacional e é acompanhado muito bem por sua trilha sonora, que dá o tom muitas vezes para o que está acontecendo na vida de Elias.

Essa é minha sugestão na minha estreia por aqui, espero que o filme nacional  traga para vocês o mesmo sentido de corpo elétrico que trouxe para mim!

Direção: Marcelo Caetano.
Roteiro: Marcelo Caetano, Hilton Lacerda, Gabriel Domingues.
Elenco: Kelner Macêdo, Lucas Andrade, Márcia Pantera, Linn da QUebrada, Welket Bungué, Ronaldo Serruya, Henrique Zanoni…
SinopseCorpo Elétrico conta a história de Elias, que trabalha como assistente da estilista Diana em uma confecção de roupa feminina. Ele se apaixona por Filipe, um imigrante africano que trabalha na linha de produção, e começa a organizar festas para ter motivos extras para encontrar o garoto.

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