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Crítica: Gonzaga – De Pai Pra Filho

Breno Silveira já emocionou milhares de brasileiros nos cinemas quando lançou “2 Filhos de Francisco”. Tal qual seu maior sucesso, o filme traz a relação pai e filho como cerne de uma bela história permeada pela música. Em “Gonzaga – De Pai Pra Filho”, o músico Gonzaguinha vai ao encontro de seu pai para acertar as contas com ele. Em meio às conversas, os dois revivem suas histórias e finalmente criam um laço de carinho nunca antes concretizado, já que foram distantes uns dos outros.

O filme consegue reviver de maneira orgânica as diversas épocas e fases dos personagens. Mesmo com atores nem sempre semelhantes (algo difícil de se encontrar), o filme se apoia nas boas interpretações dos intérpretes, cujos destaques devem ser dados merecidamente ao estreante Nivaldo Expedito de Carvalho, que vive Gonzaga com emoção no olhar, e o experiente Júlio Andrade, que parece ser um clone de Gonzaguinha.

Como é de se esperar em um filme de Breno Silveira, a emoção está presente o tempo todo. Mas Silveira parece ter desaprendido com a boa dose de emoção na saga da família Camargo, e abusa das lágrimas ao contar a história da família Gonzaga. De fato, há belos momentos na emocionante trajetória dos músicos representados, mas algumas discussões parecem muito preocupadas em escancarar os sentimentos, criando diálogos que parecem ter saído de uma novela de Manoel Carlos.

Como é de se esperar em uma cinebiografia, algumas passagens soam corridas e precisam de atenção do espectador para acompanhar a passagem do tempo e os diversos elementos que compõem a história, como a ditadura militar, as lutas armadas da década de 1930 e o coronelismo do sertão nordestino.

Como é de se esperar em uma grande produção brasileira, o apuro técnico é quase impecável, e a direção de arte consegue captar bem o tom de cada uma das muitas épocas representadas. A fotografia também dá conta de transmitir a aridez do sertão, a tristeza cinzenta do colégio interno e a simplicidade das casas do subúrbio carioca.

Breno Silveira também é feliz em incluir imagens reais da vida dos personagens em momentos certos, para lembrar o espectador que aquilo tudo foi real. Mas como se não bastasse tentar emocionar o espectador a todo momento, o filme falha ao romantizar demais o “rei do baião”, criando um paradoxo difícil de compreender: como pode um homem tão gentil e brincalhão tratar o filho tão mal? Por mais que tente, o filme pouco consegue esmiuçar do temperamento de Gonzaga, preocupando-se em fazê-lo irritado ou nervoso apenas em momentos específicos, causando confusão quanto ao seu modo de agir na vida.

De qualquer maneira, “Gonzaga – De Pai Pra Filho” é uma homenagem muito bem vinda aos dois músicos unidos e ao mesmo tempo separados pela vida e pela música. Não fosse esta história, a música brasileira seria muito mais pobre.

As canções mais importantes de cada um deles, afinal, trazem sentimentos de felicidade com nuances de sofrimento e dor, e a relação de ambos apenas mostra como a vida foi assim, feliz e triste. Árida como “Asa Branca” e esperançosa como “O que é, o que é”.

Nota: 03 Claquetes

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