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Crítica: IO (2019) – Original Netflix

IO foi lançado pela Netflix dia 18 de janeiro de 2019 e já é forte concorrente a um dos piores originais do serviço. O longa segue algumas máximas de vários filmes irmãos, seria o algoritmo tentando prever o que o público vai gostar? Se foi, então alguém errou: o público de ter indicado isso ou o algoritmo fazendo a leitura errada…

A premissa pode ser instigante: um futuro pós-apocalíptico onde boa parte da humanidade precisou ser refugiar fora da Terra, já que o planeta azul contaminado pela poluição a ponto de matar uma galera.

Mesmo após diversas naves serem lançadas ao espaço, o Dr. Henry (Danny Huston) e a nossa protagonista, e filha dele, Sam (Margaret Qualley) decidem ficar para provar que ainda é possível adaptar a vida às condições atuais. As experiências com as abelhinhas tomam boa parte do primeiro ato.

IO começa com uma exposição preguiçosa. O que é passado ali, poderia ser apreendido em poucos minutos. O contexto, portanto, é dito e não mostrado, quebrando a regra de ouro do cinema. E várias vezes temos alguma explicação onde não deveria e a falta dela onde precisávamos.

Há um mistério que acho que nem era pra ser algo escondido de tão na cara que estava. O filme não engana o público, parte pela falta de habilidade dramática de Qualley que parece que sequer consegue se convencer. Quando o personagem de Anthony Mackie (o Falcão da Marvel), Micah, entra na história alguns dirão que falta química entre eles, mas vou além, a atriz não tem química nem com ela mesma.

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IO exige ainda uma suspensão de descrença e a coisa é tão feia que nem vale a pena mencionar a fundo, mas vamos acreditar que ela tenha conseguido sobreviver e se comunicar de modo tão límpido e convenientemente para o roteiro começa a dar ruim…

Há uma sensação de vazio, de que o filme vai do nada a lugar algum (e essa pode ser uma metáfora, pra lá de cretina, da própria vida…). Tal nulidade do roteiro tem um suspiro de valor quando se trazem alguns textos clássicos, mas é tudo tão banal e repetido de várias formas (o museu, o personagem professor, os livros) que só demonstra que o filme não confia nele e/ou no público. O resultado é uma filosofia barata e uma mensagem clichê.

O valor de produção, por exemplo no uso da luz (a alternância de tons amarelados e azulados) ou até a trilha que transmite uma emoção sincera (único elemento que consegue tal feito aqui), acaba se perdendo diante do roteiro. E, claro, o problema do filme não é ser mais contemplativo. Se isso for problema para alguns, aí entramos em gosto pessoal. Mas não podemos ir na linha inversa: nem todo filme poético/”paradão” é bom…

O final em aberto remete à fórmula Netflix que parece que movimenta os comentários ao redor dos filmes. Sem spoiler, posso falar ao querido leitor que já assistiu e anseia por respostas que sim a possibilidade X é válida e a Y também. Será que aconteceu tal fato ou será que é apenas um diálogo com uma cena do meio do filme? A “graça” é não ter uma resposta.

O problema, querida Netflix, é que a pergunta é forçada. A construção é frágil, o que torna qualquer resposta entediante e vazia. Parece que o público vai estar mais interessado em entender as possibilidades do final do filme do que no próprio filme em si. Então o artifício soa apenas como um pega trouxa.

Confira a nossa crítica de outros originais Netflix lançados este ano:

O islandês 
Inspire, Expire , o nigeriano Lionheart   e o também americano (tal qual IO) A Última Gargalhada

  • Nota Geral
1

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