Crítica: Inspire, Expire (Andið eðlilega (2018) - Original Netflix - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema
Inspire Expire

Crítica: Inspire, Expire (Andið eðlilega (2018) – Original Netflix

Inspire Expire é uma produção Islandesa, junto com a Suécia e a Bélgica. O longa vem tendo um bom caminho por festivais, como o de Sundance. Agora chega ao público brasileiro como lançamento original Netflix.

Apesar de tratar de vários assuntos, notadamente a questão imigratória, o coração de Inspire Expire são os corações de duas mulheres de realidades, a princípio, bem distintas, mas que acabam tendo os destinos modificados uma pela outra.

Lara (Kristín Þóra Haraldsdóttir) passa por dificuldades financeiras. Já na primeira cena nos é mostrada tal condição. Algo que se perpetua e é um dos motores do filme: o como ela reage a isso, ao passo que tem um filho e precisa, obviamente, sustentá-lo. E tentando não passar para o garoto as mazelas da vida adulta – em alguns momentos flerta-se com o que foi feito em A Vida é Bela, aqui, de modo bem menos lúdico e apaixonante.

Já Adja (Babetida Sadjo) é natural de Guiné-Bissau e almeja migrar para o Canadá. Ela tem todo um passado que a fez ter urgência e vigor nas ações, mas ao mesmo tempo se revela doce e preocupada com os outros. O sonho, porém, é atravessado por Lara que acaba sendo decisiva na vida de Adja.

A força que essas mulheres demostram é do tamanho do mundo. Elas amam, sofrem e seguem em frente. O cenário escolhido combina bem com a proposta. Em um olhar mais superficial temos o clichê do ambiente gélido e inóspito. Contudo, com um foco mais preciso, percebemos o calor humano em pequenas atitudes. Apesar dos percalços vividos pelas personagens temos muitos exemplos em Inspire, Expire que aquecem o nosso coração.

Parte do sentimento é exposto por uma calmaria dos planos mais longos e da câmera pouco dinâmica. Conseguimos ser abraçados por aquela realidade e sentir o drama. Por vezes, contudo, a lentidão joga contra e acaba prejudicando o ritmo.

Outro ponto é que certos perrengues são anteriores ao que vemos. O peso está ali, na bela interpretação das atrizes. Mas os conflitos atuais são mais simples do que poderiam – por outro lado, forçá-los, poderia cair em um melodrama.

O saldo de Inspire Expire é muito positivo. A proposta de realçar a humanidade daqueles personagens (e a nossa?) tem sucesso.

Para quem quiser ver mais um filme islandês, temos aqui a crítica do indicado do país ao Oscar de 2016: A Ovelha Negra

  • Nota Geral
3.5

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