Crítica: A Última Gargalhada (2019) - Original Netflix
A Última Gargalhada

Crítica: A Última Gargalhada (2019) – Original Netflix

A Última Gargalhada é um simpático road movie onde dois velhos amigos se encontram após 50 anos. Chevy Chase é Al, um homem do showbiz que ama trabalhar, mas não tem encontrado clientes. Richard Dreyfuss faz Buddy Green, um ex-comediante que fora o primeiro agenciado por Al, mas que desistiu da carreira e acabou sendo podólogo. Quando os dois se encontram, resolvem pegar a estrada e fazer uma turnê.

Sim, meus caros, A Última Gargalhada é um tanto clichê e formulaico. Mas aqui o termo que melhor cabe é despretensioso. O longa não se pretende revolucionário e com grandes arroubos técnicos. E entrega exatamente aquilo que pretendia.

Contudo, não achem que estamos diante de uma aventura vazia. O estudo da idade é bonito. Graças ao viés humorístico do personagem de Dreyfuss, permite-se um olhar despojado para a fase “pré-morte” (termo do próprio filme, já que velhice é muito politicamente incorreto).

As questões sexuais têm abertura de modo franco. A realidade da morte , das doenças que assolam a idade e o consumo de drogas (das mais variadas, as “legalizadas” ou não) também aparecem. O longa não se furta trazer tais temas e o faz de maneira objetiva e sem melodrama ou julgamento.

Os relacionamentos também têm vez. Encontros na estrada, amizade e família recebem o peso de décadas vividas. E curiosamente, mesmo diante de homens experientes, vemos que certas inseguranças se perpetuam mesmo com o passar dos anos.

Mas o cerne aqui é a luta pelos sonhos – sim, eu avisei que seria clichê – com o adendo de estarmos falando de quase octogenários. Naquela boa e velha mensagem de que nunca é tarde para recomeçar.

A dupla de atores, e durante um pedaço do filme acompanhados por Andie MacDowell no melhor trecho de A Última Gargalhada, consegue transmitir o carisma necessário. Confesso que o começo achei a coisa um tanto torta, especialmente pelo diálogo com a filha (Kate Micucci), mas conforme íamos avançando, o talento dos atores e o texto foi melhorando. O diretor e roteirista Greg Pritikin (consideravelmente mais novo, em idade e carreira, que os protagonistas) conseguiu ir acertando o tom.

O prazer de subir no palco, guardando todas as proporções lembrou o que vimos no recente Nasce uma Estrela – mas lá em um momento distinto da vida. Ou não tão diferente, já que podemos nascer em qualquer idade.

Confira a nossa crítica de outros originais Netflix lançados este ano:

O islandês
Inspire, Expire e o nigeriano Lionheart

  • Nota Geral
3.5

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