Crítica - Nasce Uma Estrela (A Star is Born, 2018) - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

Crítica – Nasce Uma Estrela (A Star is Born, 2018)

Bradley Cooper e Lady Gaga brilham na nova versão de “Nasce Uma Estrela” e já se colocam entre os favoritos para as categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz do Oscar de 2019, dentre outras categorias que o filme merece ocupar.

 

Ficha Técnica:

Direção: Bradley Cooper

Roteiro: Bradley Cooper, Eric Roth, Will Fetters

Elenco: Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliot, Rafi Gavron, Anthony Ramos, Dave Chappelle

Nacionalidade e Lançamento: EUA, 2018 (11 de outubro de 2018 no Brasil)

Sinopse: Remake do clássico de 1937, o filme acompanha Jackson Maine, um músico country que se encontra com uma desconhecida e talentosa cantora chamada Ally. À medida em que a carreira de Ally entra em uma montanha-russa, Jack luta para aceitar que seus melhores dias já passaram, colocando um limite no crescente romance entre os dois personagens.

 

A narrativa de “Nasce Uma Estrela” não é novidade alguma para o cinema. Desde sua primeira versão, realizada em 1937 por William Wellman, a história já passou por diferentes releituras de diversos diretores como George Cukor (1954) e Frank Pierson (1974), as quais passaram por algumas mudanças em relação a primeira e se moldaram para a época em que os filmes foram lançados. Dessa vez, quem toma o controle da trama nessa nova versão é Bradley Cooper, que além de fazer sua estreia como diretor e roteirista ainda assume o papel de protagonista do longa e também é acompanhado pela artista Lady Gaga, onde juntos em cena se entregam com performances fantásticas em uma história de amor e fama.

Jackson Maine (Bradley Cooper) é um músico do gênero country muito aclamado pelo público, sua rotina exaustiva permite apenas que viaje de um lugar para outro em um curto período de tempo e para fugir do status de celebridade acaba se entregando ao alcoolismo e o consumo de drogas, além disso não vê muita mudança na sua vida atual até se deparar com Ally (Lady Gaga), uma jovem descontente com seu último relacionamento, seu trabalho atual, ela sonha em ser uma cantora de sucesso e para que isso funcione as coisas precisam acontecer do seu próprio jeito. Jackson vê um talento descomunal em Ally quando a mesma se apresenta em um bar que o cantor resolve parar para beber, o encanto pela jovem acontece de imediato quando a cantora faz uma apresentação especial de La Vie En Rose e Jackson enxerga uma oportunidade para Ally dentro do cenário da música e em sua vida. O olhar de Jackson sobre Ally revela sempre um ar de enaltecimento, ao longo que os dois estabelecem uma relação, o músico faz de tudo para que as pessoas enxerguem seu talento como ele vê. Já a cantora desde o início da relação enxerga Jackson como alguém que precisa ser cuidado, não aceita o fato de que as pessoas o veem como um produto e não um ser humano.

Para um primeiro trabalho como diretor, Bradley Cooper apresenta um resultado satisfatório ao passo que faz uso de planos diversos e que compõem a atmosfera particular e agitada do cenário do country, do rock e até do pop, ao lado do excelente diretor de fotografia Matthew Libatique, mais conhecido por seus trabalhos com o diretor Darren Aronofsky (como “Cisne Negro”, “Requiém para um Sonho” e “Mãe!”) fazem com que a câmera sempre acompanhe de perto todos os passos de seus personagens, muitas vezes os usando como ponto vista para uma situação, mas nesse caso para expressar o olhar sobre o mundo e o que um tem sobre o outro na relação entre os protagonistas. O uso das cores e da luz são calibrados perfeitamente para criarem um espetáculo visual sobre os diferentes cenários que o filme integra e esse aspecto não é usado de forma exagerada, tanto que a sensação de que tudo aquilo é real permeia durante as duas horas de projeção. Apesar de exibir planos eficientes ao longo do filme, sempre priorizando a posição de seus personagens e alguns deles com o objetivo de chocar o espectador (como aquele ligado à uma grande decisão que Jackson precisa fazer), alguns deslizes tanto na direção e no roteiro são cometidos, primeiro ao empregar close-ups demais que têm como objetivo mostrar a emoção que os personagens estão sentindo, caracterizando uma quebra rítmica entre várias cenas. Nota-se que o primeiro ato de “Nasce Uma Estrela” é o mais equilibrado, mais repleto de emoções e momentos marcantes (o uso do silêncio para priorizar a voz de Gaga em uma sequência no estacionamento caracteriza um dos melhores instantes do filme) e de certa forma ofusca o que o segundo tem a oferecer para o andamento da narrativa, onde exibe a ascensão de Ally mas com poucos momentos memoráveis, o que por sorte tem uma retomada pelo final.

Cooper compõe Jackson Maine com grandiosidade, a entrega do ator para com o personagem é nítida e podemos notar o quão empenhado ele se encontra nesse papel, sua gesticulação o transforma num grande instrumentalista, a modulação de voz convence como cantor de country e toda sua composição física revela seu desgaste como artista, somados com os efeitos do alcoolismo e as drogas, o peso que carrega pela relação que Jackson possui com seu pai e seu irmão e os cuidados que tem ao se responsabilizar por lançar uma artista e se relacionar com ela. Gaga também apresenta imenso carisma dando vida a Ally, sua voz é usada a seu favor e por mais que o roteiro pareça abusar disso para alcançar momentos emocionantes a atriz não desperdiça nenhum deles e alcança tons inimagináveis. Outro destaque vai para Sam Elliot ao interpretar Bobby Maine (irmão de Jackson), onde exibe o ciúmes e ao mesmo um tempo um cuidado imenso pelo irmão disfarçados num tom de imponência do ator.

As canções originais sempre acompanham os momentos os quais os personagens estão passando, desde o isolamento de Jackson, a unificação do casal protagonista, os rompimentos e a entrega de Ally a sua carreira solo. Diferindo um pouco de alguns musicais, aqui as composições e arranjos precisam de um momento e principalmente da realidade palpável para acontecerem, a trama e as performances não são transportadas para uma realidade subjetiva com o objetivo de elevar os desejos e os conflitos internos de cada um, pois todos os momentos musicais acontecem em shows, ensaios, dentre outros ao longo do filme. Não seria surpresa alguma também caso a canção “Shallow” seja o principal destaque na categoria de Melhor Canção Original na próxima edição do Oscar.

“Nasce Uma Estrela” é um excelente começo para a carreira de diretor de Bradley Cooper, onde apesar de alguns deslizes ainda é um filme que conversa entre vários temas diferentes de forma eficiente, como o romance, o cenário da música, a fama, o ciúmes, o alcoolismo e o consumo de drogas. Ainda oferece performances e músicas fantásticas que podem ser lembradas durante um bom tempo.

  • Nota
3.5

Summary

Após três versões, Bradley Cooper assume a direção e o roteiro da nova releitura de “Nasce Uma Estrela” e entrega um resultado satisfatório, ancorado por boas canções e performances, o filme já é um dos favoritos para a corrida até o próximo Oscar

Gostou? Dê um like e passe adiante!

Leia também:

Apoie o Cinem(ação): contribua com a cultura cinematografica!

  • Críticas cinematográficas
  • Mais de 6 horas de conteúdo inédito por semana
  • Podcasts semanais
  • Grupo no Facebook exclusivo para apoiadores
  • Acompanhamento das nossas conquistas com seu apoio

Abra a porta do armário! Deixe seu comentário:

Material close icon