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29 traduções de títulos de filmes curiosas – e suas versões portuguesas!

traduções de títulos de filmes curiosas

Certamente você já viu por aí alguma lista com “traduções de títulos ruins” ou “filmes que foram traduzidos errados”. Talvez você tenha lido “títulos terríveis” ou “filmes com nomes péssimos”. De qualquer forma, o fato é que muita gente fica olhando para títulos de filmes que julgam ser péssimos, mas se esquece de que há traduções divertidas, diferentes e bem-feitas.

Recentemente, pude me divertir com o artigo do Thiago Cardim (recomendo a leitura!), que já trabalhou em uma distribuidora no departamento que escolhia os títulos. Ele foi o responsável por transformar “A History of Violence” em “Marcas da Violência” e “Monster-in-Law” em “A Sogra”. E assim como eu, ele acha o título “Família do Bagulho” incrível para um longa originalmente intitulado “We’re the Millers” (veja mais abaixo a tradução em Portugal). No artigo, há diversos argumentos importantes sobre o fato de um título precisar atrair o público de um país.

Aliado a isso, temos a sorte de poder ver outro país que fala a nossa língua fazendo traduções completamente diferentes. Além de provarem que traduções nunca são iguais quando feitas por pessoas diferentes, as versões de filmes em Portugal também indicam como a forma de consumirmos filmes e de nos sentirmos atraídos por um produto audiovisual muda completamente.

Vale destacar, também, que há diferenças históricas na maneira como os títulos de filmes são pensados. Basta dar uma olhada nas traduções diferentes de filmes antigos e nas atuais, com maior tendência de manter os títulos originais, que vemos uma mudança na relação do público consumidor de filmes.

Pensando nisso, decidi listar algumas traduções de títulos de filmes que podem ser divertidas e nos mostrar diferentes formas de interpretar um filme!

Leia também:

The Wild Bunch (original)

Meu Ódio Será Sua Herança (Brasil)

A Quadrilha Selvagem (Portugal)

Se tem uma coisa muito interessante (e que terá outros exemplos neste artigo) na história das traduções de filmes é a escolha dos títulos da era “clássica” de Hollywood. Muitos deles, incluindo os famosos filmes de Faroeste, trazem adaptações completamente diferentes da tradução literal. Aqui, o filme The Wild Bunch foi traduzido em Portugal quase ao pé da letra, já que “bunch” poderia ser “grupo” ou “corja”, por exemplo. O quão maravilhoso é adaptá-lo para o poético e intenso “Meu Ódio Será Sua Herança”? Não tenho palavras.

It’s a Wonderful Life (original)

A Felicidade Não se Compra (Brasil)

Do Céu Caiu uma Estrela (Portugal)

Seria muito estranho chamar um filme de “é uma vida maravilhosa”, então nada como adaptar o título do clássico dos clássicos de Frank Capra. Enquanto o Brasil ganhou um título que resume a mensagem da história, os portugueses seguiram o estereótipo e foram um bem mais literais, apenas dizendo no título uma pista do que acontece no começo da trama.

Podcast: A Felicidade não se Compra

Mr. Smith Goes to Washington (original)

A Mulher Faz o Homem (Brasil)

Peço a Palavra (Portugal)

Outro clássico de Frank Capra que merece nossa atenção. Se vemos que “o senhor Smith vai a Washington” no título original, fazendo referência ao jovem senador pouco conectado ao estilo dos “políticos profissionais”, o título brasileiro faz referência ao protagonismo feminino da secretária do jovem político, que se esforça para ajudá-lo. Já o título lusitano opta por se referir a uma expressão usada pelo personagem para ser ouvido. É interessante como nenhum dos títulos é parecido entre si, mas todos funcionam para a história, além de gerarem curiosidade no espectador de diferentes maneiras.

To Kill a Mockingbird (original)

O Sol é Para Todos (Brasil)

Na Sombra e no Silêncio (Portugal)

falei sobre este título antes, mas vale a pena repetir. O título original do livro de Harper Lee, publicado em 1960, é o mesmo da adaptação cinematográfica dois anos depois. Quando o filme chegou ao Brasil (e em Portugal também, creio), o livro não havia sido traduzido. Como “To Kill a Mockingbird” é difícil de traduzir, ainda mais para algo chamativo, o filme ganhou diferentes títulos.

Em Portugal, optaram por algo que fizesse referência ao jovem Boo Radley, que tem significado na trama paralela das crianças (mas há certa relação com a trama que envolve o julgamento do filme).

No Brasil, o título é mais vago e tem relação com a temática da história. Tenho a teoria de que a distribuidora do filme optou por um título parecido com um outro filme estrelado por Gregory Peck: “A Luz é Para Todos”, de 1947. Foi um filme grandioso na época, e vale lembrar que nesse período os filmes eram sempre reprisados nos cinemas mesmo depois de muitos anos do lançamento.

O livro, lançado anos mais tarde no Brasil, recebeu o mesmo título do filme. Em Portugal, as duas traduções da obra literária foram intituladas “Por Favor, Não Matem a Cotovia” e “Mataram a Cotovia”.

Ouça o podcast: O Sol é Para Todos

Mrs. Doubtfire (original)

Uma Babá Quase Perfeita (Brasil)

Papá para sempre (Portugal)

Títulos originais com o nome de uma pessoa costumam ser comuns, ainda mais quando se tem uma produção estrelada por um grande astro (como era Robin Williams). Basta o nome do ator principal para chamar atenção do público.

No entanto, a audiência internacional precisa de mais do que isso, e durante muito tempo os títulos no Brasil tiveram formatos “clichês” para deixar claro do que se tratava. Assim, “Uma Babá Quase Perfeita” levava a expressão “quase perfeito(a)”, que só não foi mais utilizada do que “do barulho”, “confusão” e “em apuros”.

Enquanto isso, os portugueses optaram por “Papá para sempre”, em um aparente trocadilho entre “papai” e “babá”. Pelo jeito, os portugueses não se importam com cacofonia.

Good Will Hunting (original)

Gênio Indomável (Brasil)

O Bom Rebelde (Portugal)

O filme dirigido por Gus Van Sant – e que rendeu o Oscar de Melhor Roteiro a Matt Damon e Bem Affleck – carrega um título que soaria estranho se traduzido ao pé da letra. A tal “caçada da boa vontade”, que é o objetivo do personagem de Robin Williams, deixou de ser o foco nas duas traduções, que fazem referência ao personagem de Matt Damon.

No Brasil, ele é um gênio que não pode ser domando, enquanto em Portugal ele é um rebelde com boas intenções. A tradução brasileira me parece bastante eficiente, especialmente pelo impacto que o título causa no público.

Leia este artigo sobre o filme

The Godfather (original)

O Poderoso Chefão (Brasil)

O Padrinho (Portugal)

É interessante como ninguém reclama do título brasileiro dado ao filme de Francis Ford Coppola, mesmo que ele seja uma versão mais distante da tradução direta. Ao contrário dos portugueses, o Brasil transformou um título simples em algo impactante. Hoje, ninguém ousa chamar o filme de outra forma.

Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo (original)

The Good, the Bad and the Ugly (internacional)

Três Homens em Conflito (Brasil)

O Bom, o Mau e o Vilão (Portugal)

Eis um dos únicos filmes da lista cujo título original não é em inglês. No título em italiano, a ordem dos nomes é “o bom, o feio e o ruim”. No entanto, o filme ganhou o título internacional em inglês equivalente a “O Bom, o Mau e o Feio”, que também é utilizado em algumas versões no Brasil.

O título brasileiro mais utilizado é mais genérico, mas parece combinar com o formato típico de “western” do longa de Sergio Leone, e pode ser mais chamativo do ponto de vista do marketing. Em Portugal, adaptaram o “cattivo” para “vilão”, o que pode não fazer muito sentido no filme como um todo (já que todos são vilões, de certa forma!), mas ganha no impacto do título.

Two Mules for Sister Sara (original)

Os Abutres têm fome (Brasil e Portugal)

Mais um western estrelado por Clint Eastwood. Neste, o título dado no Brasil é o mesmo de Portugal. Podemos pensar que título original, cuja tradução literal seria “Duas Mulas para Irmã Sara”, se refere a uma personagem religiosa e ao mesmo tempo é um pouco irônico e quase que “fabulesco” devido ao humor que contém. A tradução em língua portuguesa leva o filme mais a sério e fala de algo não apenas mais sério, como também mais metafórico.

Gwoemul (original)

The Host (internacional)

O Hospedeiro (Brasil)

The Host – A Criatura (Portugal)

Uma simples palavra, tantas possibilidades! O ótimo filme de Bong Joon-Ho recebeu um título original que significa “Monstro” em coreano. No entanto, o título internacional “The Host”, usado nos festivais, levou a uma diferente tradução na maioria dos países, como é o caso do Brasil, com a tradução literal “O Hospedeiro”. Em outros contextos, “host” pode significar anfitrião, dono da casa ou até mesmo apresentador de TV. Mas é claro que, por ser um filme de monstros, o termo hospedeiro é que faz sentido, obviamente.

É curioso notar que em Portugal mantiveram a palavra em inglês, seguida de um segundo título, “A Criatura” (no Brasil chamamos de subtítulo, em Portugal subtítulos são as nossas legendas, mas isso é papo para outro momento). Além de ser comum que alguns filmes (especialmente nos últimos anos) mantenham seus originais em inglês, vale ressaltar que os portugueses têm mais proximidade com o inglês, e também que filme de horror também são mais comumente mantidos no original.

Vertigo (original)

Um Corpo que Cai (Brasil)

A Mulher que Viveu Duas Vezes (Portugal)

Como deixar esta pérola de fora da lista? A palavra “Vertigo” é difícil de traduzir. Vertigem não seria um título ruim, mas concordo que “Um Corpo Que Cai” traz algo de misterioso, combinando com a trama de Hitchcock. O que não é nada misterioso é o título português, que dá um “quase spoiler” nada agradável a este clássico de Alfred Hitchcock.

É claro, não se trata de um spoiler especificamente, mas o fato é que um título como o de Portugal faz com que o filme suavize uma surpresa importante de sua trama.

Podcast sobre Um Corpo que Cai!

Rope (orginal)

Festim Diabólico (Brasil)

A Corda (Portugal)

A palavra “corda” não deixa de ser interessante para um título. Mas ainda que os tradutores portugueses tenham cedido ao óbvio, precisamos enaltecer os criadores do título “Festim Diabólico”. Afinal, o título faz sentido para a trama do filme de Hitchcock e ainda é bastante chamativo.

We’re the Millers (original)

Família do Bagulho (Brasil)

Trip de Família (Portugal)

Eis um exemplo brilhante de traduções diferentes que não apenas carregam os significados do filme como também mostram a diversidade de possibilidades de tradução, bem como a diferença cultural entre os Brasil e Portugal.

O título original desta comédia faz referência apenas à família. Basta olhar para a sinopse e veremos que o filme faz piadas relacionadas com drogas. Com isso, o título em Portugal é bastante feliz ao nomear o filme como “Trip” de família, já que a palavra trip é utilizada tanto para viagens literais quanto para momentos de “alucinação” com o uso de drogas.

No Brasil, no entanto, com o conhecimento de inglês menos difundido na população, a palavra “trip” poderia não fazer tanto sentido. Então, a equipe de marketing da distribuidora teve a excelente ideia de escolher um título que faz referência às drogas e também aos títulos mais “clichês” de filmes de comédia, que comumente usam a expressão “do barulho”. Eu arriscaria dizer que o título brasileiro ficou melhor que o original.

Ferris Bueller’s Day Off (original)

Curtindo a Vida Adoidado (Brasil)

O Rei dos Gazeteiros (Portugal)

O já clássico filme de John Hughes teve duas traduções diferentes e para esse filme eu tenho uma opinião que pode ser impopular: a tradução portuguesa é melhor que a brasileira.

O título “Curtindo a Vida Adoidado” é interessante, faz jus ao filme e foge da ideia de usar um nome desconhecido no título (o que raramente funciona no Brasil, ainda mais quando o sobrenome é impronunciável para a maior parte da população). No entanto, “O Rei dos Gazeteiros” faz mais sentido: em Portugal, gazeteiro é aquela pessoa que falta aos compromissos e, mais especificamente, o aluno que falta demais à aula. Ser o “rei” dos que faltam à aula é justamente uma ótima forma de definir o protagonista do filme.

Podcast sobre “Curtindo a Vida Adoidado”

Die Hard (original)

Duro de Matar (Brasil)

Assalto ao Arranha-Céus (Portugal)

Filmes muito famosos e reprisados tendem a nos acostumar com o título. Quando o título é quase uma tradução literal do original, faz muito mais sentido. Na época, quando não se imaginava que o filme de ação estrelado por Bruce Willis se tornaria uma franquia, a tradução portuguesa foi uma ótima ideia. Ainda que o segundo filme tenha sido inteligentemente chamado de “Assalto ao Aeroporto” em terras lusitanas, o fato é que os tugas tiveram que incluir o original “Die Hard” nos filmes seguintes.

White Chicks (original)

As Branquelas (Brasil)

Loiras à Força (Portugal)

O filme dos irmãos Wayans (dois deles como atores, o mais velho como diretor) é chamado de White Chicks, o que seria algo como “Meninas Brancas”, mas com uma palavra mais informal para as meninas. No Brasil, a palavra “branquela” carrega o mesmo tom de brincadeira, que combina com o humor, e por isso faz sentido, enquanto que o título em Portugal utiliza “loiras” e coloca o humor na complementação da palavra, já que “à força” faz o espectador pensar no que faz alguém ser forçado a ser “loira”.

50 First Dates (original)

Como se fosse a primeira vez (Brasil)

Minha Namorada Tem Amnésia (Portugal)

Os “cinquenta primeiros encontros” do título original da comédia romântica com Drew Barrymore tomaram um rumo mais romântico no Brasil, já que a ideia de um encontro “como se fosse a primeira vez” remete ao romance. Os portugueses optaram pelo caminho do humor, utilizando até mesmo o termo “amnésia”, que não seria o termo mais preciso, mas ninguém se importa numa comédia (diferente daquele filme do Nolan!).

Million Dollar Baby (original)

Menina de Ouro (Brasil)

Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos (Portugal)

Eis um exemplo de título que pode ganhar uma nova roupagem ou manter o original acompanhado de um complemento. Se a tradução literal “a menina de um milhão de dólares” (ou milhões, quem sabe) não soa bem em língua portuguesa (e se parece mais com uma comédia do que um drama de Clint Eastwood), o termo “Menina de Ouro” faz sentido por usar uma expressão comum no Brasil. Em Portugal, há criatividade em usar o termo “Sonhos Vencidos”, já que é o tema do filme, de certa forma.

Rebel without a Cause (original)

Juventude Transviada (Brasil)

Fúria de Viver (Portugal)

A expressão “rebelde sem causa” é bastante comum no Brasil, embora o filme estrelado por James Dean possa ter vindo antes. Mas o clássico, como muitos dos filmes da época, teve uma tradução mais livre, que na verdade faz jus ao que o longa retrata. Mais interessante que isso, só o título português, que vai além da descrição do jovem rebelde e se arrisca a interpretar os motivos pelos quais os jovens de então resistiam às regras.

Coco (original)

Viva: A Vida é uma Festa (Brasil)

Coco (Portugal)

No filme da Pixar, o título “Coco” se refere à bisavó do protagonista, apelidada assim e chamada de Socorro, no original. Se em Portugal o título se manteve o mesmo, os brasileiros pressentiram o “espírito de quinta série” de seu povo e optaram por mudar o título do filme, assim como o nome da bisavó, que virou “Lupita”. Pelo menos o filme é bom… se fosse ruim, os críticos iam acrescentar o acento circunflexo à crítica.

Moana (original)

Moana: Um Mar de Aventuras (Brasil)

Vaiana (Portugal)

Novata no grupo de “princesas Disney”, Moana é vive na região da Polinésia. Se no Brasil seu título teve apenas um subtítulo acrescentado para esclarecer a todos do que se trata, os portugueses precisaram de uma modificação mais drástica, assim como em diversos outros países europeus, como a Itália. O motivo é que nestes países fez muito sucesso uma antiga atriz pornô com esse nome. Melhor evitar problemas…

The Kids Are All Right (original)

Minhas Mães e Meu Pai (Brasil)

Os Miúdos Estão Bem (Portugal)

O filme da diretora Lisa Cholodenko é um ótimo drama com momentos de comédia. Estrelado por Anette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska e Josh Hutcherson, o filme recebeu um título original que se traduz para “As crianças estão bem”, o que significa que os portugueses seguiram-no à risca, já que eles usam miúdos para se referir a crianças. Enquanto isso, o título “Minhas mães e meu pai” dá uma volta na trama, já que tira o protagonismo das mães (e talvez do pai) que poderiam dizer a frase para levá-la aos jovens, além de explicar demais a história – o que é mais comercial, eu sei, mas não seria tão necessário para um filme desse porte.

Silver Linings Playbook (original)

O Lado Bom da Vida (Brasil)

Guia Para um Final Feliz (Portugal)

Em inglês, “silver linings” é uma expressão para se referir ao lado positivo de algo ruim. É comum que nativos em inglês digam a frase “for every cloud there is a silver lining” (para cada nuvem há um fundo prateado), o que corresponderia à expressão “pra tudo tem um lado bom”. A expressão foi cunhada pelo poeta John Milton. Playbook é um livro com características de manual ou de guia.

Assim, podemos ver que tanto a tradução brasileira quanto a portuguesa encontraram boas soluções para o título do longa estrelado por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper.

Still Alice (original)

Para Sempre Alice (Brasil)

O Meu Nome é Alice (Portugal)

No filme “Still Alice”, acompanhamos o aprofundamento do Alzheimer em uma mulher chamada Alice, vivida por Julianne Moore. Para explorar a ideia de que ela, mesmo se esquecendo de muita coisa, continua sendo quem ela é. Portanto, se no título original vemos um reforço para dizer que ela “ainda” tem aquele nome, o título português destaca o nome em si. O título brasileiro se utiliza do termo “para sempre”, que evoca algo até mais dramático, e que também tem bom apelo comercial.

Stagecoach (original)

No Tempo das Diligências (Brasil)

Cavalgada Heróica (Portugal)

Lançado em 1939, o clássico de John Ford conta a história de um grupo de pessoas viajando em uma “diligência”, que é como chamavam as jornadas longas feitas em carruagens puxadas por muitos cavalos na época da exploração do oeste americano. Em inglês, a diligência é chamada de Stagecoach, como o título original. Se o título brasileiro remete ao fato de ser um filme de época (cerca de 100 anos antes do lançamento do filme), o título português generaliza a história com um título que pode ser considerado também mais comercial.

Analyze This (original)

Máfia no Divã (Brasil)

Uma Questão de Nervos (Portugal)

O filme de 1999, dirigido por Harold Ramis e estrelado por Robert DeNiro e Billy Crystal foi intitulado de um jeito curioso no original: algo como “analise isso”. A ideia é colocar um psiquiatra em situações engraçadas ao atender um chefe mafioso. No título brasileiro, parte do plot é dada já no título “Máfia no Divã”, enquanto a tradução portuguesa foi para outro lado no tom humorístico. Três anos depois, os tradutores precisaram lidar com uma continuação. E o título vem logo abaixo.

Analyze That (original)

A Máfia volta ao Divã (Brasil)

Outra questão de nervos (Portugal)

É curioso notar que em todos os casos a sequência (ou sequela, como dizem em Portugal) conseguiu manter um título que dá continuidade: “Analyze That”, “A Máfia Volta ao Divã” e “Outra Questão de Nervos”. Assim, todos os filmes mantiveram a ideia original de não utilizar o número 2, por exemplo.

True Grit (original)

Bravura Indômita (Brasil)

A Velha Raposa (Portugal) – remake: Indomável

O filme de 1969 dirigido por Henry Hathaway e estrelado por John Wayne ganhou um remake dos irmãos Coen com Jeff Bridges. No Brasil os dois levaram a tradução “Bravura Indômita”, que é quase uma tradução direta mais formal ou impactante (True Grit seria uma “verdadeira determinação”). Já em Portugal, o título original “A Velha Raposa” mudou para “Indomável” na versão de 2010: dois títulos que fazem sentido para a história e se referem ao mesmo personagem.

The Searchers (original)

Rastros de Ódio (Brasil)

A Desaparecida (Portugal)

Para finalizar nossa lista, nada melhor que um grande clássico de John Ford. No filme, um grupo de “buscadores”, conforme indica o título original, segue à procura de uma garota “desaparecida”, conforme o título de Portugal. Eles seguem nessa busca após um massacre comandado por índios Comanches, e o protagonista o fará com todo o ódio que sente como ex-combatente da Guerra Civil Americana, onde lutou ao lado dos sulistas.

Assim, os personagens seguirão “rastros” deixados pelo “ódio” de todos os lados. É justamente o fato de ter um título tão amplo e repleto de outros significados, que vão para além da trama principal, que nós precisamos louvar a liberdade criativa que os distribuidores brasileiros tinham nessa época.

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