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PRATO NACIONAL: BIG REI FOI AO CINEMA

Paladar, algo tão nosso, tão subjetivo. Cada um tem o seu, com percepções de sabores diferentes, de degustações ímpares. Usando outros sentidos, podemos até achar um prato visualmente apetitoso, mas só vamos saber de fato se está, após a primeira colherada.

Um bom restaurante, fideliza o seu cliente. Um bom prato, tem camadas, e mesmo que não agrade os cinco sentidos, ele deixa um sabor que fica em nossa memória por anos. Um bom prato capricha em seu recheio, e não há recheio melhor no cinema do que a MENSAGEM.

O Chef hoje escolheu a dedo, pratos “escrotos” dos quais são muito bem feitos, arquitetados gastronomicamente para explodir sabores distintos de uma magnitude não esperada à primeira vista.

Prepare os talheres!

Caso procure por algo diferente, eis o nosso MENU com a temática dos pratos anteriores:

Sabor do Horror

Gostinho de Aprisionamento

Tempero Paulistano

Corte Criminal

Preferência dos Pais

Delícias do Brasil

Fome de Futebol

Variedade Fotográfica

ENTRADA

Um prato criado em 1969 com um gosto amargo, servido em fatiadas dissonantes e de tom peculiar, ganhou um novo tempero em 1991, onde chocou e nutriu o seu público.

NA BEIRA DO FOGÃO TEMOS:

    Neville d’Almeida. Um artista completo, um completo artista.

INGREDIENTES:

Nascido em berço protestante em Belo Horizonte, Minas Gerais.

É até hoje, um dos diretores mais sexo, drogas e rock’n roll de todo o cenário nacional.

Estudante de teatro, fez parte do CEC (Centro de Estudo Cinematográfico) e foi um dos fundadores do CEMICE (Centro Mineiro de Cinema).

Estudou Arte Contemporânea em Nova Iorque.

Na ditadura, ganhou o título de diretor mais polêmico da época, graças a sua ousadia atemporal.

Suas obras entraram para história do cinema nacional, com um dos recordes de bilheteria nos cinemas – A Dama da Lotação – e com o longa mais visto em TV aberta da história – Rio Babilônia.

Já representou o Brasil na Bienal de Veneza.

Ganhou o troféu Glauber Rocha da Associação de Críticos de Cinema.

Já foi Presidente da Associação Brasileira de Cineastas.

E o seu filme Mangue-Bangue faz parte do MONA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque) como Ícone da Contra Cultura do Cinema Mundial.

MODO DE PREPARO:

Pegue a interessante receita de 1969 e separe o tempero por curtas-metragens.

Adicione coragem, salpicando por todo o filme cenas sujas, nauseantes e repulsivas, de uma realidade absurda quem nem todos conhecem.

Com personagens cor de chumbo, convoque um elenco diferenciado, dos atores com uma respeitável filmografia, e aposte em profissionais em ascensão.

Vá do visceral ao teatral, passando por nuances sociais e fazendo divertidas críticas.

Deixe a realidade deslocada, trabalhando mesclas de nudez, violência e músicas clássicas.

Trabalhe no roteiro da massa ao lado do próprio autor, Júlio Bressane.

Insira incisivamente a mensagem deixando o recheio mais pesado possível.

Não se limite a fôrma, deixe que a massa vaze, transborde personalidade.

Seja lúdico, psicodélico e até desnecessário.

POR QUE VALE PROVAR??

Não tem medo de ousar.

Não tem medo de reescrever escrotizando um clássico.

Possuí um diretor que não é apenas um cineasta renomado, mas também um escritor, fotografo e artista plástico.

Remake com participação no roteiro do próprio criador.

É a adaptação e releitura de um verdadeiro marco do cinema underground nacional.

Auge da bela Cláudia Raia, usada sempre de forma cínica e até meio trash.

Longa que crava o talento de Ana Beatriz Nogueira no cinema brasileiro. A sua cativante personagem, lhe rendeu o Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante em Gramado.

Em 1991, d’Almeida ganhou os prêmios de Melhor Diretor no Festival de Brasília e em Gramados.

Porque este filme é algo que você nunca viu e jamais verá parecido.

SABORES:

Cretino. Excêntrico. Teatral. Um longa sem vergonha nenhuma.

PRATO PRINCIPAL

Hoje o prato principal vem com uma textura encouraçada, um forte odor e um sabor poético. Temos aqui uma trova alimentícia. Preparem-se para um prato com o peso e gosto pernambucano, através de uma receita atípica do nosso solo.

NA BEIRA DO FOGÃO TEMOS:

    Cláudio Assis, um petardo social.

INGREDIENTES:

A maioria forte, como:

Pernambucano de Caruaru.

Começou como ator e cineclubista.

Até dirigir o seu primeiro longa, dirigiu quatro curta-metragens e um documentário.

Ganhou o Brasil e o Mundo em 2002 com o seu primeiro longa Amarelo Manga. Ganhando o Prêmio Melhor Diretor no Troféu APCA, Melhor Primeiro Trabalho no Festival de Havana e como Cinema Novo no Festival de Berlim.

Mostrou profundo conhecimento cinematográfico com a sua obra Baixio das Bestas, que o levou Prêmios no Festival de Brasília e o Festival Internacional de Cinema de Roterdã.

Ganhou mais um Prêmio, agora de Melhor Filme Ficção com Febre do Rato no Festin em Lisboa.

Um amante de poesia e 16mm.

MODO DE PREPARO:

Pegue ingredientes para um filme infantil e use um livro como fôrma.

Em um refratário à parte, bata eles com a crueldade humana e taque o máximo de crítica social.

Trabalhe duplamente com o incrível Matheus Nachtergaele.

Abuse de uma narrativa impressionante, e instigue com planos inesquecíveis.

Adicione nudez, música, exagere na poesia e filosofe enquanto põem para assar.

Eleve a temperatura do forno sem dó. Deixe encorpar e ganhar uma couraça feia.

Quando sair, divida em dois.

Sirva um com um preconceito amargo e grudento. Use amarras sociais sobre o prato.

O outro abuse de uma anárquica e forte pimenta. Aqui espalhe arte na sua mais bela forma.

POR QUE VALE PROVAR??

Uma rica imersão em uma realidade que não convivemos.

Você encontrará uma dualidade maravilhosa, com a liberdade de ter a sua própria ótica.

Inteligentemente abusivo, abusivamente inteligente.

Não apenas Nachtergaele se destaca. Todo o time montado é impecável.

Personagens inesquecíveis, frases que reverberarão por muito tempo em sua mente.

Ganhou Prêmios de Brasília à Lisboa.

É uma grande adaptação do livro homônimo de Xico Sá.

E porra… é um filme do Claudio Assis.

SABORES:

Impensável. Poético. Inesquecível. De toda as obras de Assis, talvez não seja a sua obra prima, tão pouco o mais undergorund, mas de fato é o menos conhecido. Está na hora de você provar este prato.

SOBREMESA

Esta será a sobremesa com mais camadas que verá por aqui. Um verdadeiro mil folhas, de sabor intenso e polvilhado de… de… bom, vamos a receita!

NA BEIRA DO FOGÃO TEMOS:

   Daniel Rezende, da ilha de edição ao mundo da direção.

INGREDIENTES:

Paulistano criado em Guarulhos.

Começou a carreira editando filmes publicitários e vídeoclipes.

Em seu primeiro longa, Cidade de Deus, venceu o Bafta e entrou para a história do cinema nacional, ao ser o primeiro profissional a ser Indicado ao Oscar de Melhor Edição.

Trabalhou ao lado de grandes nomes da direção brasileira, tais como Walter Salles, Daniela Thomas, Fernando Meirelles, Eliane Caffé, Cao Hamburger, Laís Bodanzky e José Padilha.

Montou filmes estrangeiros também como: Ensaio Sobre a Cegueira, A Árvore da Vida e Robocop.

Hoje falar do seu primeiro longa mais a frente, mas este foi o homem escolhido pela equipe da Maurício de Souza Produções, para enfim, dar vida a Turma da Mônica.

Dirigiu também diversos episódios em séries como Fora de Controle, O Homem da Sua Vida e o original Netflix, O Mecanismo.

MODO DE PREPARO:

O creme aqui é muito importante, então pegue uma história verídica, que envolva famosos e emissoras reais, junto a uma personagem mundialmente conhecido.

Misture tudo e bata até ficar com cara de pornochanchada, aí derrame sobre um programa infantil.

No forno a massa deve estar na década de 80 graus.

Trabalhe cada camada. Começando por uma trilha sonora supimpa, drogas pesadas, orgias bizarras em festas inesquecíveis.

Não esqueça de procurar um elenco de ponta. Para fazer esta sobremesa, só com Vladimir Brichta, Leandra Leal, Ana Lúcia Torre e o coringa Augusto Madeira.

Equilibre o melhor do humor com um pesado drama.

Continue a caprichar nas camadas, com mise en scene e uma fotografia de cair o queixo.

E não deixe de seguir as regrinhas de um bom filme biográfico. Comece com ambição, sucesso, declínio e redenção.

Sirva com bastante… bom, sirva o prato como o próprio autor, ou seja, como bem entender.

POR QUE VALE PROVAR??

Além de prestigiar o talento nato deste jovem diretor, podemos aprender muito do seu domínio em cena.

É aquele longa feito para rir, mergulhar em uma época nostálgica e aprender um pouco do que aconteceu.

Temos uma aula de câmera, que não apenas se propõem a tudo, como entrega.

Este longa foi escolhido para representar o Brasil no Oscar.

Plano sequências maravilhosos.

CG usado para reviver grandes pontos do Centro de São Paulo.

Ganhou Prêmios como Melhor Longa Metragem de Ficção, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Efeito Visual.

E poxa, é a história do Bozo, né parça!

SABORES:

Show. Show. Show. Não tem como resumir este turbilhão de acertos. Que filmaço!

Estou aqui para derrubar o preconceito usando armas verdes e amarelas. Logo, os filmes aqui não terão uma crítica minha e sim a receita! Expondo pontos do tempero, modo de preparo e porque vale a pena provar. E assim como a nossa culinária, cultura e costumes, se encontra um pouquinho de cada parte do planeta em uma mistura cheia de ginga, criatividade e esforço, basicamente o DNA do nosso povo.

A crítica fica por conta de vocês! Convido cada um dos leitores deste artigo para que assista a lista (e se já provou o sabor), venha aqui expor a sua opinião nos comentários!

DELICIE-SE!!!!

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