Crítica: The Cloverfield Paradox (2018) - Original Netflix
The Cloverfield Paradox

Crítica: The Cloverfield Paradox (2018) – Original Netflix

The Cloverfield Paradox leva a franquia para o espaço, mas perde o gás.

Ficha técnica: 
Direção: Julius Onah
Roteiro: Oren Uziel, Doug Jung
Elenco:  Elizabeth Debicki, Daniel Brühl, Gugu Mbatha-Raw
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2018 (05 de fevereiro de 2018 no Brasil, direto na Netflix).

The Cloverfield Paradox

O universo Cloverfield é recheado de mistérios, teorias e lançamentos surpresas. O primeiro, Cloverfied -Monstro (2008), usa do mote found footage/desastre junto com monstros gigantes. O filme de 2016, Rua C loverfield, 10 “brotou” do nada, já que a produção ficou escondida, e veio com uma pegada completamente diferente, sendo um filme de câmara – ou seja, quase todo passado dentro de um ambiente.

The Cloverfield Paradox (2018) não ficou para trás e passou por algumas reviravoltas. A começar do título, que até onde sabíamos ia se chamar A Partícula de Deus. A surpresa mesmo veio com o a Netflix anunciando que tinha comprado o longa, mas o que surpreendeu mais ainda foi o lançamento na data pós-Super Bowl, em uma ação de marketing sagaz.

Veja as nossas críticas dos outros originais Netflix de 2018:
O Rei da Polca
Vende-se Esta Casa 
Step Sisters
Fútil e Inútil

Mas e o The Cloverfield Paradox em si?

Na trama, a Terra está com recursos cada vez mais escassos (tipo a “nossa” Terra?) e um grupo de astronautas de vários países – inclusive Brasil – é mandado para uma estação espacial para testar e ativar um acelerador de partículas que poderá gerar energia infinita (daí o título antigo). Não tarda para algo dar errado e termos nosso filme.

Não vou dar detalhes da história, pois qualquer coisa aqui pode ser spoiler. Mas saibam que este terceiro é um misto dos dois primeiros: já que temos um contexto de desastre (como no de 2008) e a tripulação está limitada à nave (tal qual o de 2016, lá era a casa). Enquanto eles tentam resolver as coisas no espaço, no planeta algo também foge do controle.

Há o uso de diálogos explicativos para contextualizar a situação, então frases como: “estamos com recursos acabando”,  “a Rússia invadiu por terra” e “não temos muito combustível” são postas de forma preguiçosa, ditas em conversas expositivas entre pessoas que já sabiam dos acontecimentos.

E temos, então, um dos principais problemas do longa: o roteiro. Com uma trama bem genérica, o filme te sequestra a partir de algumas reviravoltas que passam por traições e sacrifícios. O “explodir cabeças” pode até vir, mas todo o trajeto é um tanto formulaico. Vida (2017), por exemplo, serpenteou os clichês espaciais de forma muito mais criativa e efetiva.

The Cloverfield Paradox

Basicamente acompanhamos o drama pessoal de apenas um dos personagens. Os demais estão ali para fazer número e são unidimensionais, servido a propósitos bem demarcados. Os dilemas e soluções são rasos e você já viu isso algumas vezes.

A história na Terra serve para um detalhe específico, mas que também é previsível e sofre de um desequilíbrio de tempo em tela. Algumas linhas de diálogo são pobres, como a conversa sobre dirigir e digitar no celular ou mesmo as cenas no começo do filme. E fica claro que algumas cenas foram filmadas depois para encaixar no universo Cloverfield.

O design de produção da nave permite ter alguma variação de ambiente e de aparecer desafios novos. Porém esses obstáculos mais surgem conforme o roteiro pedia do que são construídos de forma orgânica.

A parte da ação/terror apesar de também ser mais do mesmo (Alien, mandou lembranças), funciona como diversão escapista. Você fica tenso e, com sorte, impressionado com alguns acontecimentos. O mais provável, contudo,  é que depois do filme já os tenha esquecido.

A parte sonora, por outro lado, é o elemento que merece mais elogios aqui. Todo o mistério é embalado por notas que evocam o suspense sem soar como uma intromissão deselegante. Ou seja, a trilha nunca quer aparecer mais do que está sendo mostrado, ela faz o papel dela e pronto.

As atuações são um tanto monotônicas. Muito prejudicadas por um roteiro igualmente sem camadas, os atores encarnam cada um tipo e fica por isso mesmo. Em cenas que são necessários maiores rompantes físicos ou emocionais não há um grande prejuízo interpretativo, todavia nada que seja espetacular.

Como podem ver, The Cloverfield Paradox é cheio de “isso é bacana, mas nada demais”. De fato amplia-se bem o universo da saga e vai fazer com que os fãs se descabelem com teorias mil. Como obra isolada, perde muito para o Rua C loverfield, 10, por exemplo.

  • Nota Geral
2.5

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