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Crítica: Rua Cloverfield, 10

Rua Cloverfield, 10 veio com o hype do filme Cloverfied – Monstro de 2008. Mas será que o atual vale a pena?

Ficha Técnica:
Direção: Dan Trachtenberg
Roteiro: Josh Campbell, Matthew Stuecken, Damien Chazelle
Elenco: Mary Elizabeth Winstead, John Goodman, John Gallagher Jr., Bradley Cooper
Nacionalidade e Lançamento: EUA, 2016 (07 de abril de 2016)

Sinopse: após um acidente Michelle acorda em um local desconhecido. Howard diz que ali ela está segura, pois houve algo do lado de fora que contaminou o ar. Um terceiro personagem também compõe o lugar: Emmett. Desconfianças permeiam a estadia obrigatória de Michelle que tentará descobrir a verdade sobre os acontecimentos.

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Quando Cloverfield (2008) foi lançado fez um sucesso considerável e é amado por alguns (não é o meu caso). A pegada deste longa é outra, muda inclusive o gênero (lá era um terror/ação e aqui é suspense). Mas ele é uma continuação ou não do anterior? Aí está um ponto instigante: a obra atual brinca com o conhecimento do espectador que associa os acontecimentos do filme e o título ao que já foi visto 8 anos antes, inclusive está causando uma certa divergência na crítica neste ponto. Não vou revelar a minha opinião aqui: vejam o filme e tirem as próprias conclusões. Aliás, temos algumas reviravoltas então cuidado com o que leem por aí. Aqui a crítica é sem spoiler, podem seguir tranquilamente.

Para começar darei parabéns para quem organizou o trailer. Sou um ferrenho crítico de traileres que entregam a detalhes fundamentais da história. O pior que vi recentemente foi do Quarto de Jack, por exemplo. Aqui as cenas escolhidas dão uma impressão geral sobre o longa, mas não expõem mais do que deveriam.

Vamos ao filme…. O tom de suspense permeia a obra toda. Cada movimento e nova ação dão novo significado à história. E a todo momento brinca-se com o desconhecido. As informações são soltadas a conta-gotas. Até aí o filme não traz nada de muito novo, mas é bem correto e funciona bem na imersão.
O mérito está diluído em vários aspectos (novamente, nenhum genial, mas todos bem harmonizados).

Basicamente temos 3 personagens e cada um com uma personalidade marcante por motivos diferentes. Os atores sustentam bem em cena, já que aparecem quase que 100% do tempo. Mary Elizabeth Winstead apresenta um vigor invejável e tem uma habilidade de deixar MacGyver no chinelo às vezes (isso me incomodou um pouco), mas entra na lista das personagens femininas fortes. Belo trabalho da atriz aqui se impondo nos momentos certos. O consagrado John Goodman (que fez Trumbo recentemente) dá vida ao corpulento e prevenido/psicótico (depende do teu ponto de vista) Howard, o dono do local. E John Gallagher Jr. tem um jeito mais despojado dos três e entra como alívio cômico em momentos precisos. As cenas com o trio interagindo são as mais ricas do longa.

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O design de produção foi minucioso na construção do bunker. Os objetos e cenários mesclam de um jeito curioso a opressão e o acolhimento. Cada ambiente nos traz uma sensação diferente e a interação com o que está lá também é interessante.

O roteiro tem alguns méritos e a história fica cada vez mais interessante a cada reviravolta. Em alguns momentos temos que ter uma certa suspensão de descrença e você pode relevar ou não alguns probleminhas. Mas no todo temos um enredo que vale a pena.

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Vamos descobrindo as coisas sob o prima da Michelle. Ela é uma personagem carismática e que facilmente gerará empatia no público, algo essencial aqui. O Howard tem algumas atitudes questionáveis, mas também é possível entender as motivações dele até certo ponto. Já Emmett serve como meio de campo entre os dois personagens.

Mas tudo cai por terra nos 20 minutos finais. O que poderia ser um filme 4 estrelas quase chega a 2 por conta do desfecho da história. Para minha nota ficarei no meio termo. Rua Cloverfield, 10 tem um bom/ótimo nível de entretenimento, mas não é espetacular/marcante tecnicamente (ainda assim muito superior ao Cloverfield – Monstro (2008). Para quem quiser ver uma continuação ao estilo do “primeiro” pode se frustar e para os mais rigorosos também pode ser que não valha. Mas, mesmo com o final jogando tudo no lixo, eu recomendo a ida ao cinema.

 

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