Crítica: Alpha
Alpha
Direção: Julia Ducournau
Roteiro: Julia Ducournau
Nacionalidade e Lançamento: França, 2025
Elenco: Tahar Rahim, Golshifteh Farahani, Mélissa Boros, Emma Macke, Finnegan Oldfield, Louai El Amrousy.
Sinopse: A garota rebelde de 13 anos Alpha mora com sua mãe, uma médica que ajuda pacientes afetados por uma doença sanguínea que lentamente transforma os infectados em mármore. Duas semanas após ter uma tatuagem infeccionada, a mãe de Alpha a leva ao hospital para fazer um exame de sangue, onde ela encontra sua professora de inglês, cujo parceiro está infectado com a doença. Os alunos da escola começam a espalhar boatos de que Alpha tem a doença, e Adrien a acusa de tê-la transmitido para ele.
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Sou uma grande entusiasta do trabalho da Julia Ducournau. Sua maneira de trabalhar as questões do universo das mulheres fazendo uso do body horror e do grotesco sem medo me interessa particularmente. Então estava ansiosa para ver seu novo longa-metragem Alpha.
Um vírus mortal está se espalhando pelo mundo. Quem adquire a doença começa a ficar com a pele endurecida feito mármore. E quanto mais o vírus se espalha no organismo, mais gelado e duro tudo fica no corpo, levando a morte.
Essa é a realidade em que vive Alpha, uma garota de 13 anos que um dia, enquanto está bêbada, resolve permitir que alguém tatue uma letra A toda torta em seu braço. Tudo isso sem nenhum tipo de asseio e cuidado. Quando sua mãe, que é médica, vê a tatuagem, fica desesperada e leva a filha para fazer exames, com medo dela ter adquirido o vírus.
Quanto mais o tempo passa, mais a situação de Alpha fica estranha. A ferida não cicatriza e a garota começa a ter reações estranhas, tremendo em sua cama durante à noite. E enquanto lida com o desespero de sua mãe, apavorada que a filha esteja portando o vírus e logo comece a endurecer, Alpha também precisa lidar com seus colegas de escola que passam a fazer bullying com ela, tratando-a como uma pária.
Se em outros dos seus filmes Ducournau tratou sobre o amadurecimento feminino, em Alpha ela não se distancia completamente disso. As questões relacionadas à vivência jovem estão ali. Só que aqui ela deseja abarcar outras coisas também.

É impossível assistir a esse trabalho da cineasta e não relacionar o filme a epidemia de Aids e a pandemia do Covid-19. Só que fica claro que o longa não quer ser tratado apenas como uma alegoria para esses momentos trágicos da sociedade. As metáforas que Alpha traz são claramente muito mais amplas. E isso é uma faca de dois gumes.
É interessante que Ducournau queira tratar de diversos temas. Em Titane ela já apresenta ao público um filme que não tem apenas um único foco. O problema aqui é que parece que a cineasta deseja falar sobre tantas coisas que em alguns momentos tudo parece bastante bagunçada.
É epidemia e como a sociedade lida com ela, é a questão do vício e como as famílias lidam com isso, é o bullying, é o luto, é o amadurecimento. As questões são diversas, mas nem sempre elas são bem trabalhadas. Tudo isso em um filme que não é fácil de digerir.
As imagens que Ducournau propõe continuam marcantes. A criatividade pulsante da realizadora ainda está presente. É difícil ser indiferente ao que ela nos apresenta. Só que infelizmente Alpha deixa a desejar por ser bastante confuso e bagunçado. Na sua tentativa de ser tanto, o filme acaba deixando eventos e personagens com pouco desenvolvimento e acaba sendo menos do que poderia ser.
Nota: 2,5 /5