Crítica: Backrooms: Um Não-Lugar
Backrooms: Um Não-Lugar
Direção: Kane Parsons
Roteiro: Will Soodik
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2026
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass.
Sinopse: Um homem em crise e a sua terapeuta descobrem uma nova dimensão.
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Ontem mesmo vi um vídeo muito bom do Sérgio Alpendre, ótimo crítico de cinema que eu admiro bastante, falando sobre o “gosto médio” (recomendo muito esse vídeo e o trabalho do Sérgio). E isso me veio à cabeça ao começar a escrever sobre Backrooms. Acho que a Renate Reinsve, uma atriz boa e simpática que vive uma ascensão profissional, mas é também absolutamente convencional, reflete muito bem o que é isso. É uma atriz de “gosto médio”.
Que geralmente faz filmes de “gosto médio”, trabalha com cineastas de “gosto médio” e agrada um público de “gosto médio”. Aqueles filmes que contemplam quem quer algo fora do blockbuster genérico padrão, gostam do tipo de cinema mais escancarado nos seus vernizes cinematográficos, seus vernizes de profundidade, intelectualidade, de viés autoral, erudito, de prestígio ou mais tecnicamente de “bom gosto” mas também ao mesmo tempo não querem serem confrontados por um filme intelectual e erudito mais de vanguarda, experimental ou radical da Marguerite Duras ou então estão fechados pra reconhecer valor em algo de cinema de gênero mais grosseiro, aparentemente despretensioso e escrachado mesmo que seja realizado com esmero e seja primoroso em subtexto.
O Sérgio ressalta muito bem no vídeo dele que isso não é uma questão de qualidade dos filmes, dos cineastas ou de diminuição ou algo negativo/ofensivo de quem é assim (e claro é óbvio que amar/gostar dos filmes e artistas encaixados nisso não faz as pessoas automaticamente serem parte disso), mas acho interessante notar como ela está encaixada nisso e Backrooms provavelmente é um dos piores exemplos disso na minha visão.

A sisudez da Renata Reinsve não tem nenhuma singularidade aqui que destaque ela como uma interpretação particular ou um retrato específico de uma personagem. O sentimento de “mais do mesmo” é muito tomado por uma composição básica numa personagem que fica pela metade e que é por vários momentos ignorada e esquecida pelo próprio filme diante da importância que ele quer que ela ocupe. Mas “mais do mesmo” é o sentimento geral com Backrooms.
Acho que a única coisa notável do filme é a sequência do Chiwetel Ejiofor (um grande ator que é uma das coisas boas do filme) entrando no Backroom pela primeira vez. O uso de espaços cheios de pontos vazios, a profundidade de campo, a câmera percorrendo isso, o uso de câmera lenta, a direção de arte fora do tempo e excêntrica, essa cenografia tão particular, a gamificação da coisa numa dinâmica típica de videogames, a busca que reproduz a cultura de Internet, os efeitos especiais factíveis, uma boa aplicação técnica no geral e um dos poucos momentos de fato tensos do filme.
Mas de resto a coisa acaba entrando num marasmo pelo fator vazio (tanto quanto o próprio backroom) e formulaico que o filme adquire. As cenas no Backrooms são repetitivas, guiadas por uma falta de tensão na direção tornando que mortes e perigos sejam banais, não existe nada no filme que não seja simplesmente uma derivação de outros filmes de terror sérios dessa vertente ou do passado (pensei muito no Cloverfield do Matt Reeves no registro de found footage dentro do registro das cenas de ataque e procura no local nessa reprodução de um território tanto típico da exploração de internet, Youtube, creepypastas e de vídeos caseiros também) sem um ponto de vista específico, os flashbacks também repetitivos e redundantes cortam a imersão e levam o longa para um lado ainda mais explicativo e professoral das suas explicações.
As representações temáticas e os tormentos psicológicos envolvendo os estados de vida atuais dos personagens de Ejiofor e Rrinsve nunca são desenvolvidos, ficam só no esboço de roteiro ruim, fazendo com que a virada dele pareça brusca dele e no geral o filme é consumido por uma tonalidade comum e uma caracterização visual que não expõe diferenciações entre esse e qualquer outro terror de prestígio metido a sagaz da A24 numa coisa oca tanto no psicologismo e na tensão.
Nota: 2 /5