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Crítica: Backrooms: Um Não-Lugar

Backrooms: Um Não-Lugar
Direção: Kane Parsons
Roteiro: Will Soodik, Kane Parsons
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2026
Elenco:
Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett, Lukita Maxwell
Sinopse: Quando o paciente de uma terapeuta desaparece para uma dimensão além da realidade, ela deve se aventurar pelo desconhecido para salvá-lo.

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Tudo começou com uma foto (abaixo). Em 2019, um usuário do fórum 4chan publicou a imagem de um lugar vazio, algo que lembrava um espaço comercial banhado em um tom de amarelo desbotado, do carpete às luzes. Olhar para aquelas lâmpadas trazia à cabeça o som do zumbido permanente de luzes artificiais acesas em um escritório tão triste que não daria pra imaginar ficar ali por muito tempo. É inegável que a foto era perturbadora, e não demorou nada para que começasse a se criar todo um folclore em cima disso dentro do próprio 4chan.

Foto publicada no 4chan

Corta pra 2022, quando um jovem chamado Kane Parsons começou a publicar vídeos curtos, no estilo found footage, dentro desse local que passou a ser chamado de “backrooms”, um lugar onde você vai parar se, acidentalmente, dá um passo para fora da realidade. Parsons expandiu o universo desses espaços, viralizou, chamou atenção da A24 até que, hoje, chegou aos cinemas o aguardado longa Backrooms: Um Não-Lugar.

Esse não é o primeiro exemplo de curta-metragem que vira longa por algum grande estúdio, mas há uma questão recorrente em muitos desses projetos: você tem uma ideia simples e eficiente e pode ampliá-la em qualquer sentido, mas, muitas vezes, o sentido escolhido não rende o melhor resultado. Mas qual é o resultado de Backrooms?

Primeiro, a breve sinopse oficial: uma terapeuta deve salvar seu paciente, um homem que vai parar nesse universo paralelo. Isso vai acontecer no filme, sim, mas lá pras tantas. Primeiro conhecemos Clark (Chiwetel Ejiofor), um homem ressentido por conta de um divórcio envolvendo seus problemas com álcool, que tem a Dra. Mary Klein (Renate Reinsve) como sua psiquiatra, ela própria marcada por uma infância problemática com a mãe. Clark é dono de uma loja de móveis que está sempre vazia, no porão da qual acaba encontrando uma entrada (atravessando uma parede) para as backrooms. Fazendo o contrário do que seria o mais saudável, ele sai explorando o lugar e encontra corredores intermináveis, móveis afundados no chão e nas paredes, portas e escadas que levam a lugar nenhum e barulhos – não só o zumbido das lâmpadas, mas sons de algo que parece mais ameaçador.

Os chamados “espaços liminares”, locais de passagem, onde não se perde muito tempo (como aeroportos, salas de espera), têm se popularizado no cinema e na TV. A série Ruptura é um bom exemplo, assim como a adaptação japonesa do game Exit 8, que esteve em cartaz nos cinemas recentemente. Explorar esses lugares já é bastante perturbador por si só, pois eles despertam um medo do que não está ali, tanto quanto do que está. Backrooms é inquietante enquanto nos apresenta esse espaço infinito e suas várias surpresas a cada nova sala bizarra. É o tipo de história que não necessariamente pede profundidade, e esse aprofundamento pode acabar atrapalhando o clima que se constrói.

Tal profundidade viria dos personagens, mas tanto Clark como Mary são resumidos a um trauma cada um, e nenhum dos dois é desenvolvido além disso. Na primeira sessão de terapia que acompanhamos, Mary explica que traumas nos mantêm presos em um labirinto sem fim, remoendo nossos problemas. É o tipo de diálogo que grita “guarda essa informação” e, em se tratando de “um filme da A24®”, é fácil entender que as backrooms são, justamente, a alegoria que vem demonstrar essa explicação. Mas, acrescentando ainda a empresa que descobriu primeiro esse universo paralelo (representada por um Mark Duplass desperdiçado) e as criaturas que o habitam, o filme vai tentando mais e mais se explicar, e vai se perdendo cada vez mais.

A direção de arte de Backrooms é digna de prêmios, mas esse mérito também é de Kane Parsons e de seus cenários desenhados em casa, usando Blender e Adobe After Effects. De forma muito simples ele conseguiu criar imagens que se espalharam para muito além de um fórum de internet. Para o filme, foram construídos 2800m2 de salas (teve gente da produção que chegou a se perder) que retratam perfeitamente a visão de Parsons, e é certo que, com todo o hype da internet, são imagens que devem se popularizar ainda mais. E esse é o principal trunfo de Backrooms: Um Não-Lugar, muito mais do que quaisquer metáforas que precisaram ser incluídas nesse roteiro.

Um adendo: esse filme não é indicado para quem não gosta de bolos ultrarrealistas.

Nota: 2,5 /5

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