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Crítica: Backrooms: Um Não-Lugar

Backrooms: Um Não-Lugar
Direção: Kane Parsons
Roteiro: Kane Parsons, Will Soodik
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2026
Elenco:
 Renate Reinsve, Chiwetel Ejiofor, Mark Duplass, Finn Bennett, Lukita Maxwell
Sinopse: Inspirado em um curta-metragem popularmente conhecido na internet, o filme acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), um vendedor de móveis, que faz uma descoberta perturbadora no porão de sua loja. O ambiente se torna um labirinto com diversos lugares novos e assustadores.

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O ano era 2019, quando um usuário do 4chan publicou uma imagem de um espaço vazio, que remetia a um escritório, de luzes fluorescentes, carpete úmido e paredes amareladas, em um fórum de espaços liminares. Em resposta à imagem, um outro usuário comentou que era possível “no-clipar” (linguagem do mundo dos jogos) naquela realidade e ficar preso nela para sempre.

O que podia ser só mais uma interação em um dos fóruns mais famosos da internet não tardou em se tornar um universo complexo, com metragem, níveis e ameaças bem definidos. O usuário Kane Pixels, no YouTube, desenvolveu uma série inteira de vídeos com a ideia dos Backrooms a partir do ano de 2022. Ao longo dos episódios, Kane transpôs o que até então eram comentários soltos e lenda urbana (ou digital) para algo verdadeiramente cinematográfico, e fez da websérie um fenômeno da internet.

Em 2025, a A24, produtora que consolidou espaço no mainstream por meio de filmes independentes, autorais e voltados ao público jovem, interessou-se pela ideia de fazer dos Backrooms um filme. Foi desembolsado cerca de 10 milhões de dólares para Kane Parsons, aquele mesmo diretor da websérie do YouTube, fazer um trabalho “de gente grande”, em que pese tivesse apenas 19 anos — com atores renomados, cenários construídos do zero e uma equipe qualificada à sua disposição.

Contudo, a inexperiência de Parsons é palpável. Em Backrooms, dois filmes coexistem: o found footage, que explora aquele universo complexo criado pelas creepypastas de internet, mais próximo do que foi a websérie, e o outro filme, um drama psicológico sobre os dois personagens principais e seus dilemas pessoais.

O problema é que, por melhores que sejam ambos, não dá para negar que estão sempre em conflito. Enquanto o primeiro poderia se beneficiar mais de uma abordagem descompromissada com a realidade, o segundo tende a querer racionalizar os eventos ilógicos e condicionar a narrativa a uma explicação sempre que pode. Mas a verdade é que o medo dos espaços limiares é inconsciente.

O estranhamento nasce justamente do espaço vazio que nossa mente se adaptou a ver ocupado ou com elementos fora do lugar, pois estamos condicionados a vê-los de certa forma e organizados de determinada maneira. Pode ser uma porta onde não deveria estar, uma piscina que simplesmente aparece. Tentar racionalizar ou explicar demais esse sentimento é contraproducente à própria mitologia e natureza do universo criado.

Além do mais, os personagens não têm tanta profundidade, pelo menos não o suficiente para que, enquanto público, possamos nos conectar com suas tramas. Quando a conexão não é criada, o que resta é desinteressante de acompanhar. Para completar, o final ambíguo, em cima do muro entre os dois filmes que tenta ser, soa como se tudo que vimos não passasse de uma prequel.

O resultado final é como se fosse um primeiro episódio da websérie do YouTube, só que consideravelmente maior e mais caro. E não é que os atores não convençam, ou que a atmosfera e os cenários desenvolvidos não estejam bons, ou que o filme seja necessariamente ruim, é que falta a Parsons a experiência ou a habilidade mesmo de trabalhar ambas as ideias juntas. Talvez, se concentrasse mais no found footage puro ou mais no drama psicológico, conseguisse construir uma ideia consistente.

Não acho que o espaço da crítica seja esse de ditar sobre o que o filme deveria ter sido, porque não é. Mas, infelizmente, aqui eu sinto que, se Parsons tivesse escolhido abraçar o found footage, talvez aprimorasse ainda mais a ideia do subgênero do horror por meio da forma, e teria disponível um universo interessantíssimo e original para trabalhar. E, se optasse pelo segundo, poderia aprofundar os personagens e usar essa outra realidade como metáforas, da exaustão do trabalho aos traumas que carregamos conosco. Como fica no meio, até entretém, mas não amarra seus pontos e, por isso, também não funciona de forma tão plena.

Nota: 3 /5

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