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Crítica: Obsessão

Obsessão
Direção: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2026
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless, Andy Richter, Haley Fitzgerald.
Sinopse: Quando um romântico incurável faz um pedido para que sua paixão de longa data se apaixone por ele, um encantamento sinistro se desencadeia.

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Obsessão e seu sucesso estrondoso têm algo a dizer sobre como filmes de horror independentes, historicamente, mantêm o legado de baixos orçamentos com enormes bilheterias. A Bruxa de Blair, por exemplo, lançado na virada do século, foi um desses grandes filmes definidores do gênero na contemporaneidade e que trouxe consigo a continuidade de algo muito especial, deixado por filmes como Halloween e Massacre da Serra Elétrica.

De tempos em tempos, diria que ao menos uma vez a cada década, um novo clássico do horror surge diante de nossos olhos e ninguém consegue explicar ao certo o que faz daquele filme algo tão grande — mas respira aliviado porque é. Olhando para o filme de Curry Barker, que custou cerca de 700 mil dólares para ser produzido, me parece que um dos grandes gatilhos para seu sucesso realmente foi uma mistura entre a popularidade que o filme de gênero ainda cultiva com o grande público e, claro, a subestimada vontade desse público de contemplar novas histórias.

Não que Obsessão tenha uma trama exatamente inédita; Barker tem a consciência de que não inventa a roda e talvez por isso seu filme seja tão cativante, também. O objetivo aqui pareceu ser desenvolver uma história simples, usando técnicas e dispositivos inerentes ao gênero do horror, pontual e objetivamente, de maneira econômica, a fim de provocar o espectador em uma abordagem sem rodeios. A fixação amorosa, decorrente de um encantamento ou “amarração”, como pode ser chamada no Brasil, em especial por religiões de matriz africana, ganha sua versão moderna e jovem, cuja perspectiva se aproxima de um público-alvo Gen Z e millennial.

O Uncanny Valley na expressão de sorriso estático de Inde Navarrette, negative mirror space (usado na composição visual e como rima visual também, no início ao meio do filme), doppelgängers (dispositivo narrativo, tropo que conduz essa história), jumpscares e, claro, a violência gráfica, como elemento visual de alto impacto, em especial naquela cena do carro, são recursos que lapidam um longa o qual, aos poucos, revelam o diretor, se não como um estudioso, ao menos um sujeito profundamente interessado no gênero que aborda.

Ainda vale dizer que, do ponto de vista feminino, a obsessão desencadeia uma discussão relevante, uma vez que abre espaço para que seja interpretada como um filme de manipulação feminina, à medida que a obsessão despertada em encantamento só existe em função de um homem (ou de homens) que não necessariamente se importam com ela, apenas com o que ela pode proporcionar a eles. É uma maneira bem cruel de se viver, em função do outro.

Agora, Inde Navarrette é uma grande estrela. Ela está para a obsessão como Mia Goth para a trilogia de Ti West, especialmente Pearl, ou Maika Monroe para Longlegs; carrega o filme nas costas e nos dá a ideia de que presenciamos o achado de mais um talento realmente especial. A responsabilidade em cima da personagem é pesada e parece ter sido um desafio fisicamente exaustivo, com mudanças de humor repentinas e um timing particularmente difícil de acertar, mas ela tira de letra. Ainda que não fosse um bom filme, valeria assistir apenas pela sua entrega à personagem.

Na mesma esteira de Pecadores e Devoradores de Estrelas, para citar exemplos mais recentes, Obsessão entra no hall de grandes bilheterias deste ano não só como uma prova de que o público está interessado em novas histórias, como está interessado em assistir a filmes de gênero — e nos cinemas. Em uma indústria cada vez mais inclinada a abrir a carteira apenas prequels, sequels e franquias, é sempre uma boa notícia quando filmes, ainda mais de baixo orçamento, se tornam eventos. A da boa e velha indicação ainda resiste e é bom ver que esse marketing do “boca a boca” agora conta com a ajuda das redes sociais para, de fato, alcançar um mundo inteiro.

Nota: 3,5 /5

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