Crime sueco é retratado em série de seis episódios da Netflix
Netflix

Crime sueco famoso nos anos 70 é retratado em série de seis episódios da Netflix

Clark Olofsson é um criminoso charmoso, cujos feitos foram responsáveis pela criação do termo “Síndrome de Estocolmo”

Há quase 50 anos, um assalto a banco na capital sueca, Estocolmo, ficaria marcado de forma curiosa, dada a violência que Clark Olofsson e Jan-Erik Olsson estavam dispostos a pôr em prática. Olsson estava munido de uma metralhadora e diversos explosivos quando entrou em uma filial do Kreditbanken, no dia 23 de agosto de 1973.

Seu comparsa Olofsson estava preso à época, e sua soltura e comparecimento ao banco era uma exigência de Olsson, que já mantinha reféns. As autoridades acataram o pedido, e juntos, Olofsson e Olsson fizeram seis pessoas reféns por seis dias. O curioso é que, durante o tempo de cativeiro, as vítimas se aproximaram de tal forma dos sequestradores que certo laço de afeto foi criado.

O criminologista Nils Bejerot, que acompanhava o caso, cunhou então o termo que ficaria mundialmente famoso: “Síndrome de Estocolmo”. Essa síndrome seria a busca da vítima pela afeição do sequestrador, movida pelo medo. As vítimas do sequestro relataram o sentimento logo no começo da ação, mas logo estavam se divertindo com a companhia dos bandidos, inclusive jogando cartas. Ao fim do episódio, os bandidos foram presos. Não sem receber visita das vítimas na prisão.

A história está retratada na série de seis episódios “Clark”, disponível na Netflix. Nela, o bandido carismático Clark Olofsson é vivido por Bill Skarsgård, o palhaço Pennywise, de IT: A Coisa, o thriller de terror de 2017. A série é uma produção sueca e conta com a direção de Jonas Åkerlund, famoso diretor de videoclipes, ganhador de um Emmy pelo clipe de Ray of Light, de Madonna, além de ter dirigido outros vídeos de diversos gigantes da música pop internacional.

O bandido, hoje com 75 anos, foi condenado por diversos crimes ao longo da vida, como homicídio, roubo e tráfico de drogas. Inclusive, se casou dentro da prisão. Seus crimes foram retratados em séries e livros, o que acabou elevando seus feitos ao status de lendas. A série da Netflix traz flashbacks de sua infância conturbada e retrata bem o modus operandi de Clark: suas mentiras, seu uso do charme para enganar e sua obsessão por crimes cada vez maiores.

Charme esse que Clark usou durante o grande assalto, inclusive convencendo os reféns de que ele estava lá para salvá-los. Clark foi ouvido em tribunal e absolvido pelo assalto ao banco da praça de Norrmalmstorg, ao alegar que também era uma vítima de Olsson. Olsson cumpriu 10 anos de prisão e não voltou a cometer crimes.

A série busca contar a história de Olofsson de maneira quase cômica e criativa, inspirada na autobiografia de Clark. Passando por vários cenários bem retratados, como o banco e as prisões, também entrega bons figurinos da época, tão influenciada pelas roupas charmosas, ao mesmo tempo que sofriam influência dos estilos hippie e street, marcados pelo lançamento dos tênis Vans.

Deixe seu comentário