Cinemateca: o governo um dia vai, mas a destruição fica - Cinem(ação)

Cinemateca: o governo um dia vai, mas a destruição fica

O dia de hoje (31/05) começou com uma notícia triste para a memória do cinema: em matéria exclusiva do colunista Ricardo Feltrin para o UOL, fomos informados que a Cinemateca Brasileira pode ter perdido até mil filmes de seu acervo.

Com mais de 90 mil filmes dos mais variados, que ajudam a contar a história do cinema, do audiovisual e até mesmo do Brasil como um todo, a Cinemateca Brasileira foi fechada há 15 meses e está totalmente abandonada pela Secretaria Especial da Cultura, comandada por Mário Frias. Sem a manutenção correta, os filmes antigos vão se deteriorando cada vez mais.

 Conforme já denunciamos aqui no Cinem(ação), a forma como o atual governo ataca a cultura vem a partir do total desprezo e falta de vontade política de resolver os problemas que surgem.

No entanto, a notícia de que inúmeros rolos de filmes podem ter sido perdidos nos leva a um entendimento primordial relacionado ao atual governo: ainda que ele chegue ao fim nos próximos anos, o desmonte que ele provoca é para sempre.

Sala da Cinemateca Brasileira - Foto: Flickr (secretaria da cultura)

A derrocada de um “não-projeto” de país

Com as manifestações massivas do dia 29 de maio contra Bolsonaro e o andamento da CPI da Covid, que vem confirmando cada vez mais a irresponsabilidade do governo no enfrentamento da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro perde cada vez mais apoio. Ainda que mantenha um núcleo de apoiadores fiéis, esse número é cada vez menos capaz de se reverter em uma vitória nas urnas – embora ainda haja um longo caminho a ser percorrido até outubro de 2022.

O governo atual não é um governo de proposta de país. É um governo que visa apenas a destituição do que foi instituído. Querem acabar com propostas e ideias, mas não têm um projeto a inserir no lugar. E esse “não-projeto” apenas destrói.

Quando um governo não faz nada para impedir a morte de cidadãos, a destruição de florestas e o derretimento da memória cultural, as perdas são irrecuperáveis. Nenhum dos mais de 460 mil mortos na pandemia vai retornar. Nenhum metro quadrado de Amazônia vai voltar a ser o que era antes. Nenhum filme derretido na Cinemateca será recuperado.

É preciso sempre lembrar que estes paralelos não são equivalentes (“qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa”, já diria Belchior). Mesmo assim, a destruição é irreversível em todos os casos.

Daqui a dois anos poderemos ter um novo governo. Mas a terra arrasada continuará como um deserto – de ideias, de memórias e de vidas.

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