Mês dos Beatles - Let It Be (1970) Crítica - Cinem(ação)
Let it Be

Mês dos Beatles – Let It Be (1970) Crítica

Uma ode sobre o fim de uma era.

Há exatos 50 anos chegava aos cinemas Let It Be, o derradeiro filme dos Beatles. Que mostra não só o fim da banda, mas também de uma era musical!

Dirigido por Michael Lindsay-Hogg, o filme inicialmente iria mostrar o processo de gravação e criação de um álbum dos Beatles, o famigerado Abbey Road de 1969. Mas na época a banda passava por sérios problemas de relacionamentos, disputas de egos, os problemas com drogas de John Lennon, a interferência de Yoko Ono, entre outros problemas. As câmeras de Lindsay-Hogg captaram 28 horas de gravações, e nelas podemos ver os processos de criação e gravação da banda. Mas ao mesmo tempo podemos ver o desinteresse da banda em especial de Lennon, uma briga entre George e Paul, e Yoko Ono como uma sombra pairando pela banda. Por esse motivo Let it Be é considerado o filme sobre o fim da banda. Em especial pela parte final onde temos o famoso Rooftop Concert, em que a banda fez sua última apresentação ao vivo no alto do prédio da Apple Records, gravadora criada pela banda.

Let it Be Rooftop Concert

Let it Be é um recorte de uma época e de uma fase que teve início com o primeiro álbum da banda e teve fim com esse filme de forma melancólica. Embora o filme tenha ganho o Oscar Best Music, Original Song Score (algo como Melhor Trilha Original Baseada em Músicas), mesmo sendo fã da banda, tenho de admitir que o filme não é uma obra prima como A Hard Day’s Night e Yellow Submarine, tem suas falhas, em especial a falta de continuidade. Em certos momentos temos simplesmente a impressão que o diretor simplesmente gravou as cenas e foi picotando e colocando as cenas que mais o interessava sem ter uma ligação uma com a outra. Isso causa um certo estranhamento, mas a verdade é que a impressão que temos é que Michael Lindsay Hogg estava fazendo experimentações na hora de fazer a edição, e assim fazer algo único e inédito. Funcionou em partes, afinal foi a primeira vez que se viu algo dessa forma nos cinemas, e que também se tornou o modelo para futuros documentários musicais. Mas infelizmente, aqui parece que ele simplesmente pegou cenas e montou, dando a impressão de algo mal feito e desleixado.

Mas ao mesmo tempo Let it Be tem seus atributos. Um deles é a forma como foram feitas as filmagens. Embora a edição de impressão de um trabalho desleixado, a foma como foi filmado o documentário é inovador para época. É como se o diretor dissesse gravando, e deixasse a câmera rodando sem controle prévio, sem fazer intervenções, etc. Isso da ao doc uma crueza e realidade que faz a diferença. E devido a essa foram de filmar, acompanhamos momentos cruciais para o fim da banda como a discussão entre Paul e George e o total desinteresse de John quando Paul fala de seus planos para banda.

Outro ponto positivo do filme é vermos os Beatles como pessoas. Não vemos ali os músicos mas os seres humanos. E isso os torna mais “próximos” de nós reles mortais. Além de vermos eles como eles realmente eram, sem as máscaras da fama. Vemos que John é um apaixonado e sempre criativo, querendo viver o momento. Já Paul mais centrado e perfeccionista sempre querendo o melhor. Enquanto George é o gênio injustiçado, ainda mais quando sabemos hoje que George lançou um disco triplo, após o fim da banda, com todas as músicas que ele compôs nos tempos de Beatles. E quanto ao Ringo, de longe o meu Beatle favorito, vemos o garoto alegre e divertido, sempre alto astral.

Mas com certeza o ponto alto do filme é o Rooftop Concert. Ali vemos os Beatles tocando juntos pela última vez. Nessa parte de Let It Be, vemos uma mescla da banda cantando com depoimentos de transeuntes que dão sua opinião sobre a banda. Qualquer defeito ou incômodo que você teve antes no documentário, desaparece ao vê-los juntos pela última vez, e notar que mesmo 10 anos após o início de sua carreira os Beatles ainda conseguiam fazer um estardalhaço enorme. Tanto que a polícia teve de intervir no show, porque eles simplesmente pararam o trânsito naquela área.

Mas não deixa de ser triste ver que a última música de Let It Be seja Get Back, que diz em partes:

Volte, volte

Volte ao lugar ao qual uma vez você pertence

Trecho de Get Back

Ao cantar essa música nos dá uma esperança que eles voltem ao lugar de onde vieram na música. Mas ao aparecer o letreiro escrito The End ao fim do filme nosso coração e despedaçado ao saber que eles nunca voltaram ao ponto em que um dia pertenceram.

Uma curiosidade interessante sobre essa música, Get Back, é que esse era o nome original do documentário. Porque a ideia era fazer desse filme um retorno ao princípio, deixar um pouco de lado as experimentações e fazer o som do início de carreira, o que como sabemos não aconteceu. Por isso o documentário e o álbum do final dos Beatles foi rebatizado como Let It Be, que tem muito mais a ver com a situação que a banda enfrentava no momento.

Let It Be não chega a ser uma obra prima, mas assim como todos os seus filmes, conseguiu seu espaço na história do cinema, e é um marco na carreira da banda. Com músicas extraordinárias como Don’t Let Me Down, Get Back, Across The Universe, I Me Mine (de longe minha favorita) e é claro Let It Be, o filme nos faz transitar pelos últimos momentos dos Beatles, os torna seres humanos como eu e você, e ainda, mesmo você sabendo o final de tudo, te dá esperança e estraçalha seu coração ao final, dando uma sensação de vazio que todos os beatlemaníacos da época ficaram com o fim da banda. Ou seja, Let It Be é um filme indispensável para qualquer amante do cinema e principalmente pra quem é fã dos Beatles.

Cartaz de Let It Be

Observação: Galera peço desculpa por não ter publicado antes esse texto e textos com a temática Beatles. Na verdade o motivo desse texto sair só hoje são dois. O 1º é que diferente do que eu informei no primeiro texto Let It Be saiu no dia 20/05/1970, logo o filme faz 50 anos apenas hoje. E por que não adiantei outro texto? Aí vem o 2º motivo de não ter adiantado o texto, devido a situação da Pandemia de Covid-19 minha vida está uma loucura e não tive como adiantar os textos. Peço desculpas, mas ainda teremos 2 textos sobre os Beatles no Cinema ainda esse mês. Combinado? Novamente me perdoem e obrigado!

3.5

Let It Be

Let It Be não chega a ser uma obra prima, mas assim como todos os seus filmes, conseguiu seu espaço na história do cinema, e é um marco na carreira da banda. O filme nos faz transitar pelos últimos momentos dos Beatles, os torna seres humanos como eu e você, e ainda, mesmo você sabendo o final de tudo, te dá esperança e estraçalha seu coração ao final, dando uma sensação de vazio que todos os beatlemaníacos da época ficaram com o fim da banda. Indispensável para qualquer amante do cinema e principalmente pra quem é fã dos Beatles.

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