Cinem(ação) entrevista a atriz Tanya Roberts - Cinem(ação)

Cinem(ação) entrevista a atriz Tanya Roberts

A estrela do filme Sheena – A Rainha da Selva fala sobre a popularidade do filme no Brasil, revela o desejo de visitar o país, e que adoraria atuar na refilmagem da obra

Em 1984, estreou nos cinemas do mundo inteiro a versão feminina do personagem Tarzan: Sheena – A Rainha da Selva. Apesar de a crítica ter detonado o filme, a obra marcou uma geração de crianças e adolescentes nos anos 80 e 90 que cresceram assistindo o filme exibido centenas de vezes na TV brasileira, fascinados pela protagonista loira de olhos azuis e corpo escultural e também pelos animais mostrados no filme.

Aos 64 anos, Tanya ainda preserva a beleza que a consagrou como um símbolo sexual na década de 80, revelando que Sheena foi o seu filme favorito. Não é à toa que em sua casa em Hollywood Hills tem uma espécie de floresta ao invés de um mero jardim.

Em uma conversa realizada por live diretamente de Los Angeles onde mora, Tanya Roberts relembrou curiosidades sobre a filmagem, e que adorou viver no Quênia por alguns meses para rodar a produção. A atriz até revelou que tem um parente próximo que vive no Brasil. 

Sheena é um filme muito conhecido no Brasil, com muitos fãs que adoraram o longa, a trilha sonora e claro você no papel título…

Brasil? Minha irmã mora no Brasil, em São Paulo. Sobre a trilha sonora, havia muito chariots of fire, que nós chamamos de zebras of fire (porque a canção sempre tocava quando a personagem título galopava em sua zebra). Não é uma canção original e por alguma razão o diretor quis pôr uma música de Vangelis. (A irmã de Tanya Roberts é casada com um brasileiro colecionador de arte e vive em uma mansão a 12 km da capital paulista)

Como foi atuar em Sheena?

Eu sou muito sortuda por ter viajado bastante fazendo filmes, rodamos Sheena inteiramente no Quênia e levamos diversos animais como leopardos, leões, vários chimpanzés, elefante, rinoceronte branco e zebras, que na verdade eram cavalos árabes pintados como se fossem zebras. Me lembro de uma história engraçada: eu estava na “zebra” com o chimpanzé atrás de mim e notei que ele havia urinado atrás de mim (risos).

Foi muito divertido atuar com todos aqueles animais, havia um time incrível de adestradores e foi um filme muito divertido de se fazer também.

De todos os filmes que você fez, Sheena foi o que mais exigiu um preparo físico?

Sim, Sheena exigiu muito de mim fisicamente, eu tinha que balançar entre cipós, que é algo difícil de fazer porque exige uma estrutura corporal forte para isso. Também tive que galopar sem sela nos cavalos, e tive que cavalgar em um deserto com areia vindo nos meus olhos, rosto. Aquilo foi desafiador pra mim, mesmo eu tendo o hábito de cavalgar desde criança. Eu também tive que malhar antes de fazer o filme.

Ainda sobre a popularidade do filme no Brasil, você não acha impressionante que um filme rodado há mais de 30 anos (na verdade 36 anos), as pessoas ainda se lembram e o apreciam? Na sua opinião, a que se deve a popularidade do filme de modo geral após tanto tempo?

Eu não fazia ideia que o filme fosse tão popular no Brasil. É incrível poder saber disso, muito obrigada a todos. Quanto à popularidade do filme, acho que tem a ver com a questão das caçadas provavelmente, as pessoas estão mais conscientes quanto à causa animal, da situação dos animais no Quênia e em toda África. Devido a caça, há menos e menos animais vivendo livres na selva, eu acredito que seja por isso. É terrível o que está acontecendo com os animais no mundo, caçadores são os piores. Me foi dito que o rinoceronte usado no filme foi morto por caçadores tempos depois, um rinoceronte que havia voado dos Estados Unidos para o Quênia… então isso é muito triste.

Acredito que a raça humana está mais consciente que está perdendo o planeta, que está perdendo a beleza do planeta, e a muito que se fazer pelos animais.

(Após o fim das filmagens, o rinoceronte foi doado para o Meru National Park e morto por caçadores da Somália cinco anos depois)

Quais são suas memórias em relação aos bastidores/making of do filme Sheena?

Sobre os bastidores? Bem….ter encontrado os guerreiros da tribo Masai foi incrível, tirei fotos com eles, aprendi sobre a cultura deles… sair com a equipe do filme e ter bons momentos, a comida era ótima, comida britânica, devido a colonização do país. Essas são algumas das memórias que eu tenho.

Como era os deslocamentos para as locações diariamente e a acomodação?

Às vezes nós íamos de helicóptero para rodar as cenas, às vezes por estrada, eles me colocaram no melhor hotel de Nairóbi, eu não me recordo o nome pois faz muito tempo mas havia duas árvores gigantes com vários pássaros no espaço do hotel, mas era o melhor hotel da cidade, muito bonito.

(O hotel chama-se Norfolk, sendo uma rede hoteleira de luxo presente em várias partes do mundo).

Como foi interpretar uma heroína das histórias em quadrinhos?

Eu nunca pensei muito nisso, eu li o script escrito pelo David Newman e eu amei o roteiro, eu realmente não pensei muito na HQ da personagem, eu não tinha assistido a série original quando eu era criança, então eu não conhecia muito, e eu também não tinha lido o HQ, mas quando li o script eu logo quis fazê-lo e consegui o papel (risos).

Sobre o figurino da personagem Sheena no filme, o que você achou dele? Você se envolveu na escolha do mesmo? Usaria de novo?

Sim, eu me envolvi também com o figurino, porque meu abdômen estava definido e eu queria ter a certeza que o figurino iria mostrá-lo. A primeira vez que eu experimentei a roupa, ela cobria demais o corpo, e eu sugeri ‘corte aqui’ ‘corte ali’ na área da barriga, então daria pra ver que meu abdômen estava visível (risos).

Se eu usaria de novo? Eu não sei por que eu usaria de novo (risos), mas eu ainda o tenho guardado em algum lugar.

(Tanya malhou durante 9 meses antes do início das filmagens, também fez aulas de trapézio e cavalgada sem sela).

O treinador Hubert Wells, que treinou os animais para o filme Sheena, escreveu um livro em que ele dedica um capítulo ao filme. Em uma das passagens, ele disse que você e a atriz que faz a Sacerdotisa (a princesa de Uganda Elizabeth of Toro) tiveram uma discussão no set. Isso de fato ocorreu?

Não (risos)… na verdade fizemos uma cena onde a personagem dela estava morrendo e minhas lágrimas caíam sobre o rosto dela e ela ficou irritada com aquilo e criou uma “cena” por causa disso. Nós não éramos muito próximas e foi um pouco difícil trabalhar com ela, talvez devido ao status dela, ela é princesa, pertence a uma família real africana.

Como é pra você ter feito parte da infância de tantas pessoas que assistiram ao filme nos anos 80 e 90 e hoje, adultos, ainda gostam do filme?

Isso é incrível, eu amo o filme, eu realmente trabalhei duro nos testes para conseguir o papel, eu não poderia estar mais feliz e agradecida ao público do Brasil e de todas as partes do mundo por se lembrar do filme, eu fico feliz e orgulhosa disso.

Sheena - A rainha da selva - Bastidores - zebra

Você tem planos de visitar o Brasil?

Eu adoraria viajar um pouco mais, claro mais pra frente, porque estamos “presos” em casa atualmente devido ao isolamento, mas eu amaria conhecer o Brasil, é um lugar muito bonito.

Qual mensagem você deixaria para os internautas do Brasil, fãs do filme enfim…

Eu diria: assista ao filme de novo e de novo. Ele tem uma bela mensagem e os animais são incríveis, os chimpanzés, o rinoceronte, leões, leopardos, eu adorei saber que o elefante hoje vive em um zoo em Miami, isso me deixa feliz e quando eu tiver uma chance eu quero visitá-lo, talvez ele se lembre de mim, você sabe elefantes têm uma memória incrível. Eu fui a primeira pessoa a montar nele, até então ninguém havia feito aquilo.

Texto escrito por: André Araújo ([email protected]).

Agradecimentos:

Mike Pingel (amigo da atriz) que intermediou o contato para que a entrevista fosse realizada.

David Palmer (foto do making of Sheena) que fez uma participação no filme.

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