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Sergio - Netflix - filme com Wagner Moura e Ana de Armas

Crítica: Sergio (Netflix)

Sergio foi lançado no Festival de Sundance e estreia na Netflix em um período sensível ao tema do filme.

Ficha técnica:
Direção: Greg Barker
Roteiro: Craig Borten
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 28 de janeiro de 2020 no Festival de Sundance (17 de abril de 2020: lançamento internacional em streaming)
Sinopse: O diplomata brasileiro das Nações Unidas Sergio Vieira de Mello tem um currículo extenso: alto comissário assistente para refugiados, representante especial do secretário-geral no Kosovo, administrador de transição em Timor-Leste. Em 2003, seu mais recente papel como alto comissário de direitos humanos o leva ao Iraque. Ocorre um inesperado e trágico acidente, forçando Sergio a refletir sobre seus 34 anos de serviço à ONU.

Elenco: Wagner Moura, Ana de Armas, Brían F. O’Byrne, Bradley Whitford, Clemens Schick.

Seria difícil falar do filme “Sergio” sem citar o momento específico que o mundo vive. No longa, acompanhamos uma leitura da vida de Sergio Vieira de Mello, brasileiro que, como alto comissário da ONU, conseguiu realizar feitos internacionais importantes, como garantir a independência do Timor Leste e atuar em diversos conflitos mundiais.

Conforme podemos ver na interpretação de Wagner Moura e em alguns momentos do filme relacionados à Guerra do Iraque, Sergio acreditava na função imparcial da Organização das Nações Unidas. O órgão criado após o fim da Segunda Guerra Mundial tem justamente o objetivo de cooperar com a paz e a integração entre os países, simbolizando e promovendo a união entre os povos. É uma pena, portanto, que muitas pessoas e governos questionem a importância de tais instituições, incluindo as agências especializadas (como a OMS, por exemplo).

É curioso, portanto, que possamos ver no filme Sergio um documento que ressalte a importância da ONU e de seus funcionários, ainda que seus objetivos primevos não sejam esses. O filme é dirigido por Greg Barker, que foi responsável pelo documentário também intitulado “Sergio”, exibido pela HBO em 2009. Como o próprio nome de ambos os filmes mostra, trata-se de uma homenagem ao homem simples que foi o protagonista, já que o próprio secretário-geral da ONU na época o homenageou como “apenas Sergio”.

Sergio - filme exibido no Festival de Sundance 2020

Esperto ao narrar a história do biografado em forma de flashbacks, o diretor traz mais dinâmica à trama, evitando assim uma trajetória cronológica que poderia ser mais enfadonha. Com isso, vemos logo no começo os momentos finais de Sergio, enquanto ele recorda os acontecimentos recentes de sua vida, incluindo sua paixão recente pela argentina Carolina Larriera (Ana de Armas), poupando detalhes de sua relação com os filhos, por exemplo. Se encararmos como um flashback literal, ou seja, como se o personagem estivesse se lembrando de tudo, em alguns momentos as coisas podem não fazer tanto sentido, mas se a ideia é repassar sua vida como se houvesse um narrador externo, talvez faça mais sentido.

E se a ideia de utilizar uma fotografia mais quente para as lembranças de Sergio no Rio de Janeiro e no Timor Leste não é nada mais do que o esperado, ao menos é eficaz. As cenas entrecortadas conseguem muitas vezes formar ótimas rimas visuais com os famosos “match cuts”, ainda que muitas vezes também haja cortes abruptos, o que pode ter sido uma escolha para sair de um momento feliz (com um belo samba de Cartola) e lembrar que o protagonista está em uma situação dramática, dando mais urgência. Nada além do essencialmente eficiente.

Também não se pode falar de situação dramática sem citar Wagner Moura, que consegue dar uma força e resiliência à figura do personagem, ainda que muitas vezes possa resvalar no overacting. Sua química com Ana de Armas (com quem também fez par, menos romântico, em Wasp Network) também ajuda na ideia de tornar o biografado mais humano e menos “glorificado”, fazendo do filme uma homenagem mais sóbria – algo que nem toda cinebiografia de grandes figuras consegue fazer.

Tudo isso faz com que Sergio seja um filme eficiente e pontual que, além de homenagear um brasileiro que deveria ser lembrado por sua contribuição ao mundo, chega em um momento de rupturas. Após um breve período de retorno ao nacionalismo exacerbado e ao isolamento dos países, uma crise sem precedentes exige ainda mais união entre os povos (ainda que o resultado real disso não será possível de ver tão cedo).

Sergio Vieira de Mello resolvia conflitos com base no diálogo. E talvez seja o diálogo uma das principais vacinas que precisamos.

  • Nota
3.5

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