Crítica: Wasp Network – 43ª Mostra de São Paulo - Cinem(ação)
Wasp Network - cena do casamento: Sbaraglia, Moura, Ramírez, Ana de Armas - Mostra de São Paulo

Crítica: Wasp Network – 43ª Mostra de São Paulo

Wasp Network é didático – e um pouco confuso – ao falar sobre os desdobramentos da Revolução Cubana.

Wasp Network está na programação de 43ª Mostra de São Paulo.

Ficha técnica:
Direção: Olivier Assayas
Roteiro: Olivier Assayas (baseado no livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” de Fernando Morais)
Nacionalidade e Lançamento: França, Brasil, Espanha, Bélgica, 1º de setembro de 2019 (Festival de Veneza)
Sinopse: Havana, dezembro de 1990. René González, um piloto cubano, rouba um avião e foge do país, deixando para trás a amada esposa e a filha. Ele começa uma nova vida em Miami, que logo é acompanhada por outros dissidentes cubanos, todos trabalhando para a desestabilização do regime de Fidel Castro.

Elenco: Ana de Armas, Penélope Cruz, Gael García Bernal, Leonardo Sbaraglia, Edgar Ramírez e Wagner Moura

Novo filme de Olivier Assayas (Acima das Nuvens, Depois de Maio), Wasp Network possui ares de superprodução, e também com a assinatura do produtor já quase onipresente Rodrigo Teixeira. Estrelado por nomes de peso da “Hollywood latina”, incluindo Wagner Moura e Penélope Cruz, o longa se propõe a retratar os acontecimentos envolvendo espiões cubanos nos Estados Unidos após o fim da União Soviética.

Wasp Network já começa se posicionando politicamente, e quem conhece um pouco do diretor e dos principais atores, como Bernal e Moura, deve imaginar que não se trata de uma narrativa pró-Estados Unidos. Tanto que os letreiros iniciais do filme já destacam a origem dos problemas enfrentados por Cuba: o embargo comercial do país vizinho.

Não é à toa que o espectador passe a desconfiar, logo de cara, das intenções dos personagens de Edgar Ramírez e Wagner Moura. Quem desconhece a história original pode demorar a entender quem eles realmente são, e essa estratégia é fundamental para construir o clima de desconfiança e jogo de poder que ocorre entre os personagens.

Ao fim do filme, o espectador terá compreendido as relações entre Cuba e Estados Unidos, as motivações para que terroristas invadissem a ilha em ataques, e como funcionam as peças do xadrez que se formou no período, moldando as tensões que permanecem até hoje entre a maior potência capitalista do mundo e a pequena ilha vizinha que ousa ser socialista. Se eu desse aulas em escolas, exibiria o filme aos meus alunos. Fica a sugestão aos professores.

No entanto, trata-se de um filme bastante inconstante. Há momentos, por exemplo, em que Penélope Cruz demonstra ótima atuação, mas há aqueles em que suas expressões ficam piegas. A alternância entre os personagens também pode confundir bastante, já que o filme reveza as histórias de forma a se demorar tempo demais em alguma delas para só então voltar a outros personagens (e a introdução tardia do jovem que realizou ataques em Havana faz tudo parecer uma colagem pouco planejada).

Wasp Network é didático – e um pouco confuso – ao falar sobre os desdobramentos da Revolução Cubana. Leia e entenda na crítica.

Assayas acerta em algumas cenas de tensão. Uma bastante interessante é quando, ao mostrar Olga Salanueva (Penélope Cruz) falando sobre algo em sua casa que denuncia seu marido, a câmera – considerando que já sabemos que há escutas – dá apenas uma leve desviada, como se lembrasse a nós que há pessoas ouvindo. Outra cena que merece destaque é a dos aviões tentando chegar em Cuba e recebendo ataques militares: demonstra o desespero dos personagens sem “esconder” nada do espectador, mostrando o poderio das armas contra pequenas aeronaves comerciais.

Na segunda metade do filme, começa uma narração repentina. Em vez de acompanharmos uma história linear de alguns personagens, vemos uma tentativa de mastigar tudo e entregar devidamente deglutido ao espectador. Isso enfraquece o filme, ainda que sirva muito bem como “material didático”. Em alguns momentos, Wasp Network lembrou “Vice” e “A Grande Aposta”, de Adam McKay, mas apenas no final. Se era essa a ideia, poderia ter começado a utilizar esse estilo desde o começo (tal qual o ótimo A Grande Aposta, já citado).

Por fim, é interessante notar que, apesar de se demorar em alguns pontos do tempo, o filme acaba por se apressar em diversos momentos, mantendo assim um ritmo inconstante demais, e criando aquela sensação de que tudo isso seria mais interessante se fosse uma minissérie, com mais horas de duração.Ainda assim, trata-se de um filme obrigatório. É uma pena que se perca por não saber tão bem o que deseja ser.

  • Nota
3.5

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