Crítica: No Portal da Eternidade

Crítica: No Portal da Eternidade

No Portal da Eternidade faz um panorama da vida de Van Gogh e foi indicado ao Oscar de Melhor Ator.

Ficha técnica:
Direção: Julian Schnabel
Elenco: Willem Dafoe, Emmanuelle Seigner, Rupert Friend, Amira Casar, Oscar Isaac, Mads Mikkelsen, Mathieu Amalric.
Nacionalidade e data de estreia: Suíça, Irlanda, Reino Unido, França, Estados Unidos, 3 de setembro de 2018 (7 de fevereiro de 2019 no Brasil).
Sinopse: O ano é 1888, quando Vincent Van Gogh (Willem Dafoe) sofre com a rejeição de suas pinturas em galerias de arte em Paris, e então decide ouvir o conselho de seu mentor, Paul Gauguin (Oscar Isaac), e se muda para Arles, no sul da França. Lá, lutando contra os avanços da loucura e da depressão, além de pressões sociais típicas de uma cidade pequena, o pintor holandês passa a viver com intensidade a mais produtiva fase de sua curta porém meteórica trajetória.

Por que um artista realiza sua arte? Trata-se de mostrar sua visão de mundo e fazer as pessoas enxergarem sob seu prisma? Ou trata-se de deixar sua marca no mundo e lidar com o tempo e a eternidade? Aos grandes artistas, a arte é simplesmente algo que não se pode deixar de fazer. E grandes artistas comumente são loucos e incompreendidos.

Estes e outros questionamentos fazem parte de “No Portal da Eternidade”, filme em que Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta) retrata o período final e mais prolífico na vida de Vincent Van Gogh, considerado um dos maiores artistas plásticos do impressionismo.

Não que o roteiro de Jean-Claude Carriére, Julian Schnabel e Louise Kugelberg seja sutil para estas questões. Todas elas são devidamente faladas por Vincent, o que não exige que o espectador tenha que presumir nada, mas ao menos serve de ponto de partida para que Willem Dafoe molde seu personagem com sensibilidade e pesar nesta narrativa lenta e contemplativa.

A câmera de Schnabel e do diretor de fotografia Benoît Delhomme é outro fator fundamental para construir o clima e nos permitir mergulhar na vida íntima de Van Gogh. No Portal da Eternidade traz ângulos tortuosos, imagens embaçadas e o uso de câmeras subjetivas em diversos momentos, que nos permitem sentir como é estar na pele de alguém como Vincent. A fotografia mais intensa e o uso de cores muito fortes nas imagens do campo também se faz necessária para que possamos ver o mundo como o protagonista o via.

Ainda que se esforce em ser fidedigno à história e às versões mais atualizadas acerca de sua morte, Schnabel não tem medo de dar a Van Gogh frases pouco prováveis, mas que mostram a compreensão do diretor acerca dele. “Deus me fez pintor para pessoas que ainda não nasceram” e “Eu sou as minhas pinturas” são proferidas pelo protagonista, e não soam arrogantes graças ao esforço de Dafoe. A minha preferida, certamente, é quando ele é questionado com a pergunta “o que você pinta?”, ao que responde: “a luz do sol”. “No Portal da Eternidade” é mais um filme a retratar o misterioso gênio “louco” que foi Van Gogh. Além da animação “Com Amor, Van Gogh” (2017), Kirk Douglas o interpretou em “Sede de Viver” (1956), Tim Roth repetiu em “Van Gogh – Vida e Obra de um Gênio” (1990), Jaques Dutronc no filme “Van Gogh” (1991), e até mesmo Benedict Cumberbatch no ‘docudrama’ da BBC “Van Gogh – Painted with Words” (2010). Nenhum deles fez isso com mais carinho e sensibilidade que Willem Dafoe.

Photo credit:  Lily Gavin
  • Nota
4

Summary

Ainda que se esforce em ser fidedigno à verdadeira história e às versões mais atualizadas acerca de sua morte, Schnabel não tem medo de dar a Van Gogh frases pouco prováveis.

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