Crítica: Roda Gigante (Wonder Wheel, 2017) - Filme do Woody Allen
Roda Gigante
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Crítica: Roda Gigante (Wonder Wheel, 2017) – O novo Filme do Woody Allen

Roda Gigante honra as duas palavras do título.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Woody Allen
Elenco:  Jim Belushi, Juno Temple, Justin Timberlake, Kate Winslet
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (28 de dezembro de 2017 no Brasil)

Roda Gigante

Falar da carreira de Woody Allen é falar de uma das filmografias mais profícuas da história. Algo que seria incompleto em poucas linhas a que este texto se propõe. Confira o podcast Indic(ação) sobre o diretor e o Podcast do Cinem(ação) também sobre ele. Então vamos à análise isolada de Roda Gigante.

O local é Conney Island. A data começo dos anos 50. Temos, de modo explícito no filme, um lado aparentemente próspero e que se entretém de modo barulhento em um parque de diversões e em uma praia ensolarada.

Contudo, quando a lente se aproxima vemos o outro lado. Dramas, perdas, desilusões. Personagens humanos, com toda sorte de sentimentos, acertos, erros e com o peso de um mundo que roda gigante sobre os ombros de cada um.

Histórias de desamores permeiam as vidas daquelas figuras. Seja do poeta/salva vidas (Justin Timberlake), que quebra a quarta parede e apresenta aquele universo para o público, junto com as lentes de Allen, obviamente.

Roda Gigante

Seja da mãe (Kate Winslet) que carrega uma enxaqueca, por morar onde mora, com quem mora e principalmente por quem ela não consegue ser. Na personalidade mais complexa e completa, frustrações passadas e presentes não tiram o fiapo de esperança futura.

O filho (Jack Gore) pirotécnico se volta ao nada preenchendo o vazio com chamas que crescem a todo lugar, como metáfora para desabrochar o fogo interno – arredio, incomodo e devastador. Os momentos grandiosos aqui podem ser confundidos com um mero alívio cômico, no entanto o cinismo de Allen nunca deixa escapar para esse lado, entregando imagens belas e tristes.

A relação pai (Jim Belushi) e filha (Juno Temple) traz o singelo e o contraditório. Afeto e perdão junto com rancor e ausência. Fica a dúvida se o terreno aqui a explorar é uma analogia com a situação dos personagens ou de fato uma lacuna deixada por Allen.

Na parte técnica, o primor grita. A câmera sabendo o que e a quem atingir. Torna o público voyeur daquele mundo. O uso preciso da dança das cores transborda sentimento. Destaque para como o cenário-título marca a mudança através da janela. O vermelho e azul, separados e se fundindo, compõe a transfiguração e identidade daqueles que são iluminados por aquelas luzes distantes, mas que sofrem de uma falta de luz para guiar os próprios caminhos.

A direção de arte compõe o ambiente visual e narrativo com leveza, desorganização (no bom sentido, ou seja, corroborando o que os personagens passam) e dando vida a cada local. Seja uma rápida cena onde os personagens comem pizza, seja a praia/parque.

Nas interpretações temos Kate Winslet impecável. O peso da idade, as decisões erradas, as paixões presentes e o cegar consciente (?) da personagem são trabalhados com nuances delicados (vide um gesto de desprezo com a mão) e exagerados (dentro de uma justificada proposta teatral). O ano está rico em atuações femininas, mas talvez fosse justa uma indicação ao Oscar aqui.

Enfim, Roda Gigante, ao contrário do que muitos esperam do brinquedo, não espera o ápice para entregar a melhor visão. Ou talvez esteja de fato interessado nas visões menos favorecidas. Fato é que os pequenos retratos de desajustados podem não ser tão belos, mas são tão válidos e humanos quantos, talvez até mais…

  • Nota Geral
4.5

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