Crítica: O Nevoeiro - 1ª Temporada (Netflix - 2017)

Crítica: O Nevoeiro – 1ª Temporada (Netflix – 2017) – Sem Spoilers

O Nevoeiro: Série Baseada na obra de Stephen King decepciona

Ficha Técnica:

Criador: Christian Torper

Diretores: Guy Ferland, Nick Murphy, Adam Bernstein, David Boyd, James Hawes, Matthew Penn, Richard Laxton

Roteiristas: Christian Torpe, Amanda Segel Marks, Guy Ferland, Andrew Wilder

Elenco: Morgan Spector, Alyssa Sutherland, Danica Curcic, Darren Pettie, Frances Conroy, Gus Birney, Luke Cosgrove, Isiah Whitlock Jr., Dan Butler, Neal Huff, Irene Bedard, Dylan Authors, Philip Ettinger, Romaine Waite, Marylouise Burke, Dwain Murphy, Lola Flanery, Laurie Murdoch, Erik Knudsen

Stephen King é um dos autores mais adaptados para o Cinema e TV. Seus contos e livros já renderam filmes e séries com sucesso de público e crítica, mas também obras de qualidade questionável. E no mês agosto chegou na Netflix, mais uma adaptação da obra do autor. Trata-se de uma nova adaptação de  O Nevoeiro, conto de mesmo nome que se encontra no livro Tripulação de Esqueleto.

O conto, que já havia sido adaptado por Frank Darabont em 2007 para o cinema, ganhou uma nova versão, agora no formato de série. Na série, como no filme, uma névoa toma conta de uma pequena cidade. Com a névoa do lado de fora, os moradores se escondem em locais fechados para se proteger dos perigos que o nevoeiro trás. Trancados  dentro de lugares fechados, a convivência entre eles fica cada vez mais abalada. Surgindo assim conflitos básicos para sobrevivência humana.

Diferente do filme que focalizava em apenas um núcleo, a série é dividida em três. O primeiro é formado por Kevin, um pai de família querendo reencontrar sua esposa e filha, Adrian, o melhor amigo da filha de Kevin, Brian, um soldado com amnésia e Mia, uma viciada presa por invasão . Juntos eles atravessam o nevoeiro rumo ao shopping da cidade, para encontrar a esposa e a filha de Kevin. Um segundo grupo se encontra na igreja local. Onde temos Nathalie, que vê no nevoeiro um ação do Deus da Natureza, Connor, o xerife local, Padre Romanov, que vê nevoeiro como o Apocalipse e alguns fiéis da igreja, uns mais e outros menos fervorosos. E um terceiro se encontra no Shopping local. Onde encontramos Eve e Alex, esposa e filha de Kevin respectivamente, e vários outros moradores da cidade. Entre eles Jay, astro do time, filho do xerife e paixão de Alex. No decorrer dos episódios vemos a convivência e os conflitos desses grupos, na luta para conseguir sobreviver ao Nevoeiro.

Com um roteiro raso, que nem sequer tentar aprofundar nos dramas motivações dos personagens, O Nevoeiro entra na lista das piores adaptações de Stephen King. Os personagens são rasos e não têm carisma, o que faz com que não sintamos empatia por eles. E as atuações não ajudam muito, são fracas e caricatas. Em nenhum momento você consegue sentir compaixão, ou torcer pelos personagens, nem pela criança presente em tela. A impressão que dá é que ninguém ali estava afim de fazer a série, e só estão ali pelo cachê.

Além de personagens superficiais e nem um pouco carismáticos, os roteiristas da série criaram conflitos fracos que não convencem. Temas que poderiam ter uma abordagem mais profunda, em especial a que envolve Alex e Jay, se esvai e nunca é aprofundado. A impressão que dá é que simplesmente colocaram o tema, para dizer: “Veja nós estamos abordando esse assunto sério!”, mas simplesmente não convence. E o que mais irrita, é que por se tratar de uma série, poderiam ter abordado melhor os conflitos. E a possibilidade de ampliar a visão de como o nevoeiro afeta aquelas pessoas, é simplesmente desperdiçada.

A parte técnica da série também deixa muito a desejar. O CGI é mal feito e em nenhum momento convence. Nas cenas dentro do nevoeiro se nota claramente o uso do cromaqui. E o nevoeiro que deveria ser assustador, nunca parece uma ameaça real. A maquiagem também, em certos momentos beira o ridículo de tão falsa. Ao invés de usar maquiagem prática, na maioria das vezes é usado CGI, mas de forma tão malfeita que não convence. Fica claro que o que estamos vendo não é real.

Mas o que realmente mata a série, é a sua conclusão. Ela soa falsa e forçada. Os roteiristas apelaram para sentimentalismo barato, e reviravoltas absurdas. Além de acontecimentos que não fazem nenhum sentido, pelo que assistimos até aquele momento. Os personagens tem atitudes tolas, inúteis e que não convencem. O ataque final do nevoeiro, não tem o impacto visual necessário para chocar e causar medo no espectador. A cena final, que deveria ser impactante, para lançar base para uma segunda temporada, é forçada e totalmente anticlimática.

O Nevoeiro poderia muito bem ter sido uma série excelente, que poderia ter ampliado o que lemos no conto ou assistimos no filme de 2007. Tem um material rico, que poderia ter dado uma série de horror de arrepiar. Mas o que vemos é uma série genérica, com atuações caricatas, personagens sem carisma e rasos, trama rasa, efeitos especiais e maquiagem que não convence, e uma história mirabolante que ao fim não faz sentido algum.

Se decidir assistir a uma adaptação de O Nevoeiro, vai por mim assista ao filme de Frank Darabont de 2007. Foi feito há 10 anos atrás mas ainda continua atual e te prende do inicio ao fim. Bem diferente dessa série, que é um desperdício de um bom material.

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Resumo

Com roteiro raso, personagens sem carisma, e atuações caricatas, O Nevoeiro não convence. Um verdadeiro desperdício de bom material. Tem de tudo para entrar entre as piores adaptações da obra de Stephen King.

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