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Crítica: Caça-Fantasmas (2016)

Caça-Fantasmas ensina como um reboot deve ser e vem como candidato a melhor comédia de 2016.

Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Roteiro: Paul Feig, Katie Dippold
Elenco: Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon, Leslie Jones, Chris Hemsworth, Bill Murray
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (14 de julho de 2016)

Sinopse: Erin Gilbert é uma professora prestes a receber uma promoção, mas um fantasma do passado a atormenta: um livro pseudocientífico sobre atividades paranormais que ela escreveu com a amiga Abby. Contundo, elas não estavam tão erradas e fantasmas de fato existem. Uma nova equipe se forma para deter as forças do além.

Caça-Fantasmas

Vou pular a introdução que normalmente faço para dizer que Caça-Fantasmas é MUITO engraçado. Comédia é algo um tanto pessoal, mas as piadas aqui vão desde um humor físico e gags visuais, passa por referências a filmes clássicos e aos longas anteriores da franquia e chega em uma autoconsciência que brinca com a galhofa da série e as críticas machistas. Dada a variedade do humor, dificilmente alguém não vai rir neste filme.

O longa atual é uma obra única e funciona muito bem como tal. Contudo, quem está familiarizado com os atores dos filmes de 84 e 89 poderá aproveitar algumas cenas de outra maneira. Tal fanservice de modo algum atrapalha o andamento da trama, todas as aparições são orgânicas. E não foi à toa que todos os principais nomes marcam presença aqui. Eles toparam fazer pontas de luxo não somente por uma questão comercial, mas porque viram que o projeto honrava o que fizeram anteriormente. E os velhos atores brincam de um modo irônico com o que os personagem antigos fizeram.

A história é muito simples: um grupo de cientistas desacreditadas (e uma funcionária do metrô) se juntam para combater o mal, nada muito diferente do que vimos. E esse é um dos méritos: mantém o espírito (trocadilho detect) e sabe utilizar bem aquele universo que já conhecíamos. Mesmo o roteiro sendo simplório e o ponto mais fraco aqui, o que acontece em volta e como a história é contada é que eleva a qualidade deste filme.

Caça-Fantasmas

A identidade visual também foi mantida. As armas e fantasmas são familiares. O carro e ambientes também. A trilha vem como elemento poderoso. A clássica música está presente e todas as outras funcionam muito bem. Os efeitos são dignos e ajudados por um dos melhores 3D do ano.

Mas o que de fato está espetacular são as atuações. Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon e  Leslie Jones, cada uma de um jeito bem peculiar, tornam a experiência sensacional. Bill Murray e cia tinham um carisma fantástico e o novo time mantém a química e o bom humor. Elas sabem trabalhar em equipe e tem personalidade. A polêmica idiota que precedeu o filme foi respondida com um belíssimo trabalho. Arrisco que o Globo de Ouro de comédia pode sair daqui.

As 4 possuem funções bem marcadas. Erin queria se manter afastada daquele mundo e vem com um viés mais científico (apesar da queda nada racional pelo Kevin). Abby é a cientista maluca que nunca duvidou do que acreditava. Jillian Holtzmann a engenheira que fornece para o grupo gadgets dos mais variados. Patty Tolan mostra uma fisicalidade intensa e um conhecimento da cidade. Todas tem momentos ótimos, com destaques individuais, mas sem nunca gritar mais que a outra. Ainda assim, pessoalmente, destaco as duas últimas. Uma piscadinha aqui e um tom de voz acolá tornam a coisa mais hilária. E claro a Girl Power vem com tudo aqui e não só no fato de ter as mulheres, mas em praticamente todo o filme.

As muitas, muitas mesmo, aparições de atores e personalidades famosos lembram o que vimos em Ave, César!. Há uma cena em um show de Rock, por exemplo, que nos brinda com tal participação. Mas com mais tempo em tela do que mera participação especial, vale o destaque para  Chris Hemsworth, o eterno Thor. Ele consegue passar a ideia de ser completamente estúpido de um jeito caricato, mas que funciona. O humor mais físico e pastelão fica por conta dele. Há uma certa sexualização do personagem, que pode desagradar alguns mais chatos, só que essa é exatamente uma crítica que o filme faz. Muda o personagem de sexo e veja se não é que, infelizmente, estamos acostumados a ver?

Caça-Fantasmas

Como falei antes, o roteiro deixa um tanto a desejar. Todavia, temos que entender a proposta do filme. É necessária alguma suspensão de descrença –  para além dos fantasmas – e não temos aqui resoluções geniais. Ao mesmo tempo que reclamar de um roteiro que ecoa os filmes anteriores, mas sem nunca soar redundante fica complicado. As já citadas referências colocam no texto discussões sobre o filme O Iluminado e os longas Patrick Swayzee – que fez o Ghost, de uma maneira natural, então outro mérito do roteiro.

As cenas de ação e elementos fantasmagóricos mostram uma crescente, apesar de convenientes e não sem um senso de urgência que nos faça temer pelo pior. Todavia, vemos entidades mais elaboradas e bem constituídas. Então tem um “terror”, escatologia e diversão envolvendo os mais diversos fantasmas.

Caça-Fantasmas é mais que honesto. Homenageia os filmes anteriores, sem nunca perder o próprio norte. Sabe rir de si mesmo e dos outros. Talvez não se torne tão clássico, mas não deixa em nada a desejar. Acho até que pode ser considerado mais bem desenhado que os longas da década de 80 – já que eles são mais clássicos que bons, por favor não me cacem por essa minha opinião. Para compensar, deixo a dica: fiquem até o final, pois tem cenas durante e após os créditos.

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