Crítica: Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros

Crítica: Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros

JurassicWorld_OMundodosDinossauros_postercartaz“Ele pode se camuflar!”, grita um soldado há poucos instantes de ser abocanhado pelo perigoso Indominus Rex, dinossauro híbrido geneticamente modificado que assusta a todos na Isla Nublar. Este é apenas um dos momentos em que o roteiro de “Jurassic World” subestima o espectador e mastiga todas as informações possíveis, enfraquecendo a trama. É claro que isso não resume o novo filme da franquia iniciada por Steven Spielberg em 1993, já que o novo longa traz elementos positivos e negativos. Não que o primeiro longa tenha sido um exemplo de trama aberta a interpretações, mas ao menos mastigava as informações de forma mais concisa.

De fato, o longa dirigido por Colin Trevorrow presta homenagem ao filme original em diversos momentos, relembrando personagens e elementos da primeira tentativa do milionário John Hammond, vivido pelo saudoso Richard Attenborough. E como continuação/reboot da franquia, “Jurassic World” não faz feio, mesmo que venha com problemas já típicos em aventuras hollywoodianas.

Na trama, acompanhamos os irmãos Gray (Ty Simpkins) e Zach (Nick Robinson), que vão à famosa ilha, onde funciona o parque Jurassic World, para poderem passar um fim de semana com a tia Claire (Bryce Dallas Howard), que é administradora do local. Ela, no entanto, os deixa sozinhos devido ao excesso de trabalho. Em meio a isso, os administradores começam a ter problemas com o novo dinossauro recém criado em laboratório, e precisam de ajuda do treinador/especialista Owen (Chris Pratt) para resolver os problemas.

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Tecnicamente, o filme é impecável, especialmente no design de produção do parque e nos efeitos visuais que criam os dinossauros, bem como na trilha sonora, mas o mesmo não se pode dizer da composição dos personagens. Embora Chris Pratt seja convincente como o treinador dos velociraptors, seu relacionamento com Bryce Dallas Howard soa artificial – e é absolutamente desnecessário para o filme. Quanto aos irmãos, além de serem personagens pouco desenvolvidos, o roteiro cria um motivo profundamente artificial para tentar conectá-los (e justificar que se percam e fiquem em perigo). Aliás, eu não me espantaria se descobrisse que há cenas cortadas que mostram algo mais dos jovens e seus pais, já que o início ficou muito vago, resultado da preocupação que se tem em jogar o espectador para a ação o mais rapidamente possível.

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Por falar em personagens pouco desenvolvidos, temos também em “Jurassic World” um vilão cuja premissa é fraca ou pouco explicada, o que deixa o longa refém da qualidade da atuação, que só não é desperdiçada porque Vincent D’Onofrio o faz com seu já conhecido talento. E por falar em talento, vale lembrar que o francês Omar Sy traz mais carisma ao elenco.

Finalmente, vale destacar o fato de que “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” não se atualiza nem mesmo na crítica que faz às tentativas humanas de “virar Deus” e criar novos animais em laboratório de forma irresponsável, ou ‘coisificar’ os animais e transformá-los em fontes de renda. Aliás, fica sempre a sensação de hipocrisia quando o filme critica a busca interminável por lucro e novidades para “continuar a encantar o público”, já que a própria Universal tem um parque temático em Orlando, e certamente faz o mesmo.

Ainda assim, “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” diverte.

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3/5

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