Crítica: A Graça - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema
4 Claquetes

Crítica: A Graça

A Graça
Direção: Paolo Sorrentino
Roteiro: Paolo Sorrentino
Nacionalidade e Lançamento: Itália, 2025
Elenco: Toni Servillo, Anna Ferzetti, Orlando Cinque, Massimo Venturiello, Milvia Marigliano, Giuseppe Gaiani, Giovanna Guida, Alessia Giuliani.
Sinopse: Enviado a dezenas de anos-luz da Terra para investigar o motivo pelo qual o Sol está morrendo na Via Láctea, o professor de ciências do ensino fundamental Ryland Grace precisará recorrer aos seus conhecimentos científicos para resolver esse enigma o mais rápido possível e impedir a extinção da humanidade. Será que ele fará tudo isso em meio à solidão do espaço?

.

Paolo Sorrentino nunca foi um diretor sutil. Pelo contrário! Seus filmes costumam retratar personagens com grandes questões filosóficas e trazem um exagero visual que muitas vezes são um trunfo, mas em outros momentos se tornam a fraqueza do seu trabalho.

Em A Graça, Mariano De Santis é o presidente da Itália. Faltam seis meses para o fim de seu mandato e ele não pretende continuar na vida política. Então não deseja que o término da sua carreira se torne insignificante, quer que seja significativo. 

Conhecido por ser um jurista correto, mas também criticado por não se arriscar, não quer ser lembrado como sem graça. Quer que o povo se recorde dele como um presidente marcante. 

Ainda sofrendo com a ausência da sua esposa que morreu não faz muito tempo, ele tem alguns dos seus maiores desafios nessa reta final da sua trajetória política: aprovar ou não a lei da eutanásia. Um projeto polêmico que o desafia pessoalmente como católico praticante e amigo do Papa. E ainda algo que sua filha, também jurista e braço direito, participou ativamente.

Ao mesmo tempo, chegam dois casos para ele decidir se concede ou não um indulto. Um sujeito que tirou a vida da própria esposa doente e que agora está em greve de fome. E uma mulher que matou o marido que a agredia, e que não se arrepende do assassinato. Deveria ele conceder o perdão? E para a sua esposa que viveu com ele até o fim da vida, mas que quarenta anos antes teve um caso? Ele deveria perdoar? Seria esse seu papel na vida privada? Ou apenas na pública?

A questão do perdão é central aqui. E o público e privado se misturam trazendo questões políticas para o interno. Em um mundo polarizado, individualista, punitivista e conservador qual o lugar para o perdão?

O interessante é que Sorrentino consegue trazer essas questões e a dualidade de um mundo dividido politicamente como o que vivemos sem o peso que seria o natural dentro desse debate. A Graça é uma obra cheia de momentos leves e bem humorados que envolve o público durante toda a sua duração. E as questões abordadas ficam com você após a projeção. É um filme que, inclusive, pode ser lido de uma forma que vai além do discurso literal trabalhado. Podemos pensar sobre finitude, sobre o que somos além do nosso trabalho, sobre relações familiares, sobre legado.

Em meio a tantas notícias de guerra e manipulações políticas chega a ser um alento um filme que consiga pensar o mundo e as relações políticas e pessoais de forma tão idealista e bonita. Talvez em meio ao caos que vivemos, seja exatamente isso o que precisamos.

Nota: 4 /5

Deixe seu comentário

×
Cinemação

Já vai cinéfilo? Não perca nada, inscreva-se!

Receba as novidades e tudo sobre a sétima arte direto no seu e-mail.

    Não se preocupe, não gostamos de spam.