Crítica: A Extraordinária Vida de Vera Valdez - 50ª Mostra de SP - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema
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Crítica: A Extraordinária Vida de Vera Valdez – 50ª Mostra de SP

A Extraordinária Vida de Vera Valdez
Direção:
Fabio Meira
Nacionalidade e Lançamento: Brasil, 2026
Sinopse: Um retrato da atriz brasileira Vera Valdez, seu tempo de modelo para Christian Dior e, especialmente, para Coco Chanel, seu flerte com a Nouvelle Vague, sua jornada complexa pela maternidade, sua prisão e tortura durante a ditadura no Brasil. Uma mulher de devoção artística e espírito pioneiro.

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O envelhecimento tem sido um tema recorrente no cinema brasileiro. Talvez porque a expectativa de vida do nosso povo esteja aumentando. Talvez porque os cineastas estejam começando a se deparar com a questão do próprio envelhecimento. E retratar isso na tela talvez seja uma forma de elaborar as próprias questões. 

O interessante é que nos últimos anos, em uma sociedade extremamente etarista, temos visto mais e mais obras retratando a vida de idosos e as questões que acompanham o passar do tempo. 

Em “A Extraordinária Vida de Vera Valdez” o filme já começa no final. A atriz faleceu no início de 2026. E para o público do documentário é no seu velório que começa a história. E é interessante observar que mesmo no momento em que seus parentes e amigos estão se despedindo, a presença dela parece viva na maneira em que cada um dá adeus.

Como documentar a existência de alguém que jamais se permitiu ser enquadrada como uma coisa só? Fábio Meira pega a difícil tarefa de contar a vida de uma dessas figuras que parece ter vivido uma infinidade de vidas em seu tempo sobre a Terra. Cuja existência sempre chamou atenção pela exuberância, liberdade e resistência em um mundo que oprime e apaga mulheres. 

E o interessante é que em pouco menos de 1h30 o longa faz o espectador sentir que passou dias conversando com Vera sobre a sua vida, suas dores, dificuldades e realizações. 

Partindo de entrevistas com a própria Vera, Fábio cria o seu documentário. E é visível o olhar cheio de carinho que ele tem pela personagem. A sua câmera sempre presta atenção às dualidades e incongruências de Vera, mas é sempre com muito respeito e cuidado. 

O documentário poderia ir para um lugar comum e fazer uma cronologia da história dela, mas o cineasta parece mais interessado em contar a história dessa mulher de maneira que a sua personalidade apareça na tela. Então o filme não foca em ser 100% linear. Os fatos da vida de Valdez vão sendo apresentados ao público de forma irregular em uma grande mistura de relatos das entrevistas,  cenas de filmes e gravações dos espetáculos que ela participou. Um amontoado de lembranças que fazem um panorama de quem era Vera Valdez. 

Atriz de Tia Virgínia, filme do próprio Fábio Meira, Vera foi modelo da Chanel, trabalhou com Louis Malle, fez parte do Teatro Oficina. Também foi mãe, viveu a ditadura militar e  sofreu violência doméstica. 

A sua vida foi realmente extraordinária. Uma parte pelas coisas que viveu, mas muito mais por como resolveu lidar com cada acontecimento. E a característica mais marcante do filme é a sua capacidade de passar o quanto sua presença era marcante, viva e única.

Nota: 4 /5

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