Europa, Tomada de Kiev e Censura - Cinem(ação)
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Europa, Tomada de Kiev e Censura – Como isso afeta a política cultural do mundo?

Contexto

Historicamente, a Ucrânia era antes de 1991 parte da URSS  —  União das Repúblicas Socialistas Soviéticas  —  juntamente com a Bielorrússia e outros países da Europa, que hoje são separados da “Mãe Rússia”. Fazendo uma rápida revisão, em 2008 houve a guerra Russo-Georgiana envolvendo como protagonistas a Geórgia e a Rússia, em uma situação semelhante em relação à Otan e a tomada de decisões, tanto da Rússia quanto da Otan. Em 2014, Otan e Ucrânia começaram a estreitar os laços internacionais, a discutir sobre uma possível entrada da Ucrânia à Otan, e ao mesmo tempo, a Rússia já deixava claro suas preocupações. Agora, em 2022, com todas as suas preparações, enquanto a relação da Otan e da Ucrânia se estreitaram, a Rússia declarou como Repúblicas Populares Independentes as províncias de Донецкая (Donetsk) e Луганськ (Lugansk) e começaram pouco a pouco a invadir a Ucrânia.

Sua justificativa? “Há uma cúpula neonazista que comanda o partido com a cadeira presidencial.” A Ucrânia vive no limiar entre a democracia e o estado autoritário, e o chefe executivo Zelensky, um jovem comediante, resolveu estreitar ainda mais os laços com a Otan, organização originalmente criada para “desarmar” a antiga URSS, agora, Rússia; Além do mesmo utilizar censura contra 4 canais de televisão contrários ao seu governo. Nessa situação, há ainda a vantagem política para a Rússia, que possui tudo que precisa para forçar uma mudança política benéfica para o próprio país. O domínio de gás natural, petróleo e fundos internacionais garante uma invasão sem muitas preocupações para a Rússia, pois, desde a Geórgia, eles vêm se preparando para esse momento.

Desenvolvimento da narrativa europeia

Curiosamente, durante todo o estopim que está sendo a invasão Russa, a Ucrânia, em seu twitter, começou a usar Charges de Guerra, memes e textos de caráter populista para com o público, sendo seu público os americanos. Vide em sua página oficial: esse, este e isto.

O mundo inteiro, então, comprou essa narrativa criada na Ucrânia. E como esse estopim afeta a longo prazo a cultura? Pessimamente, há algo que já vem ocorrendo entre as empresas privadas no meio de tecnologia: atos com viés popular para aproximar o público de uma face da marca. Imagens, frases, vídeos, o que é comum ao cidadão médio, começaram a ser uma das formas mais fortes de publicidade durante a pandemia, e agora, também durante esse Estopim. A diferença é que a utilidade destes eram para o propósito da demanda e da venda, não para controle midiático. Existe uma grande diferença entre a “Casas Bahia” usar bordões, jargões, personagens e afins para atrair público, em comparação com um perfil oficial de um país usando-os como meios para criar uma narrativa nacionalista, defendendo seus ideais e sua cúpula. Então, “meu jornal matinal” está não só defendendo essa narrativa, como distorcendo os fatos de forma imprópria para defendê-la. Como chegamos a isso?

Cena de “O Grande Herói”, de Peter Berg

A dominação cultural

Em questão de horas toda a mídia, de todos os países, comprou uma versão Imperialista Europeia (Ocidental) como se fosse correta e indubitável. Exemplos? Esse, isso e isto. Como se deu esse processo, por quê? Naturalmente, a narrativa foi comprada, fermentada e distribuída pela Europa, sendo também distribuída para o resto do mundo, e em especial para os EUA, que por sua posição quanto à Otan, aceitou-a de bom grado. A distorção de fatos por meio da cultura já existe há muito tempo. Filmes como Sniper Americano do Eastwood, O Grande Herói do Peter, Guerra ao terror da Kathryn, A conquista de Honra, outro do Eastwood, são extremamente comuns em Hollywood, e no cinema no geral; filmes com uma visão imperialista sobre as guerras do Oriente Médio e que colocam os Estados Unidos como sofredores de uma guerra que eles mesmos iniciaram. Fora do cinema, já há as Newsletters que também abordam questões do gênero, músicas acerca do mesmo assunto e afins. Agora, canais de televisão de todo o mundo também compram a narrativa ucraniana. Não existem dúvidas, em pouco tempo existirá filmes retratando essa situação, documentários e afins, com essa visão distorcida dos fatos.

Pouco a pouco começaram os Embargos aos Audiovisuais Russos. Em toda a Europa, e consequentemente nas Américas, deixaram de exibi-los, ou sequer dar abertura para os mesmos. Por consequência dos fatos, as políticas culturais vão sendo homogeneizadas para um único ideal e vontade, e de forma procedural, se tornando monopolizada. Por quem?

Com essa monopolização exagerada da mídia em uma situação frágil, não desconsidere a possibilidade da utilização de jargões, bordões e ideais imperialistas para o desenvolvimento de uma política anticultural, empobrecimento das informações alheias na mídia, formação de um pensamento homogêneo dentre as grandes cúpulas e a aversão a qualquer conteúdo contrário. A mudança é vista, e o processo de regressão cultural é percebido por alguns pensadores do meio. Em questão de dias a União Europeia já proibiu todas as empresas de telecomunicação de exibirem conteúdos de origem russa. As sanções aos Audiovisuais são gravíssimas, já que figuras da linguagem cinematográfica são provindas de pensadores russos e usadas até hoje. Empresas russas, esportistas e afins estão sendo segregados do mundo por uma guerra que não envolve os mesmos, e por questões políticas e midiáticas, não acontece o mesmo com a Ucrânia. Muitos empresários, políticos e criadores de conteúdo em geral estão ganhando com o vitimismo exacerbado da Ucrânia.

Já na Rússia, conforme artigo publicado na BBC News, a situação piora. Os russos estão sendo censurados na mídia interna, em canais de televisão aberta, jornais e etc. Censura, é, em termos, a “manipulação da cultura para desenvolvimento estrutural e político da nação”, e é o que está acontecendo com a Rússia neste exato momento.

Enfim…

Seja pelos pensadores Russos sendo excluídos da indústria (sendo uma censura externa), seja pelos cidadãos russos sofrendo grande retrocesso de informações por parte do Estado (uma censura interna), o povo russo, que não tem participação ativa com essa guerra, está sofrendo. Em outra via, com a Ucrânia não há o mesmo comportamento, seja pela sua estatal, seja pelo mundo.

Com isso, podemos apenas esperar o decorrer desta guerra e suas influências diretas na mídia, fisicamente, perspectivamente e conceitualmente. Até lá, podemos apenas acompanhar o desfecho dessa grande mudança dentre o mundo midiático que vivemos hoje. Em conclusão: “uma única vítima e um único vilão, em prol de um único ideal”.

Texto escrito por:

Luiz Miguel Merlim Dias

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