CineBH 2021 - Cinema e Vigilância é o tema da vez - Cinem(ação)
Cinema Nacional

CineBH 2021 – Cinema e Vigilância é o tema da vez

Cinema e Vigilância é a temática que permeará a 15ª edição do CineBH

CineBH

TTodos os anos o CineBH escolhe temas relevantes para permear toda a mostra mineira. Ano passado, por exemplo, a temática foi Arte Viva: Redes em Expansão. Um tema bem propício para a nossa realidade na época, afinal não sabíamos quando e como o cinema voltaria, e como as obras audiovisuais seriam produzidas devido a pandemia. Tanto que o destaque do ano passado foi o projeto Pandêmica Coletivo Temporário de Criação. Esse projeto, criado durante a pandemia, reune artistas do Brasil todo para a criação de projetos artísticos remotos e teve sua performance ao vivo de 12 Pessoas Com Raiva apresentada na abertura da mostra. E esse ano? O que teremos? Esse ano a temática escolhida foi: Cinema e Vigilância.

E talvez esse seja o melhor tema para ser discutido na nossa atual realidade, a vigilância. Você já percebeu que estamos sendo vigiados praticamente a todo momento? Certa vez, alguém me disse algo interesante: ‘se você tem um smartphone você não esconde nada de ninguém’. E é realmente assim. Desde a criação de empresas como Google, se temos um smartphone em nosso bolso, nossos passos podem estar sendo gravados e todo mundo pode descobrir onde fomos ou deixamos de ir. Sempre que você faz uma busca no Google, um algorítimo do site de busca mais usado no mundo, começará a te dar sugestões de anúncios e páginas, baseado em suas pesquisas e acessos a sites. Ou seja, estamos sendo vigiados o tempo todo. Como diz a música do Gabriel, O Pensador:

SORRIA! Você tá sendo filmado
SORRIA! Você tá sendo observado
SORRIA! Você tá sendo controlado
‘Cê tá sendo filmado! ‘cê tá sendo filmado!

Trecho da música Sorria – Gabriel, O Pensador
Vigilância Tempos Modernos, temática do CineBH
Tempos Modernos, em 1936 já falava de vigilância

Essa temática, inclusive é bem evidente no cinema. Por exemplo, em Tempos Modernos, clássico de Charles Chaplin de 1936, vemos o patrão de Carlitos vigiando o trabalho dos seus funcionários. Em certo momento, ele usa uma tela imensa para poder repreender o personagem. No decorrer dos anos a temática de vigilância ganhou força tanto em filmes digamos ‘pé no chão’ como em filmes distópicos. Por exemplo após o escândalo de Watergate, filmes como A Conversação e Três dias do Condor, trataram de temas como espionagem política. Na década de 90, com a popularização dos realitys shows, a nossa fissura por vigiar as pessoas aumentou, e filmes como O Show de Truman, EDtv e Inimigo do Estado, abordaram de diferentes formas as questões de vigilância. Mais recente Snowden, cinebiografia do ex-funcionário da CIA, Edward Snowden, que vazou documentos sigilosos da NSA, voltou a tratar da espionagem política.

Ainda na onda da vigilância, os filmes de terror viram aí um grande filão. Basta ver a franquia Atividade Paranormal, que usou e abusou de “imagens gravadas por câmeras caseiras e de vigilância” para criar toda a tensão e história dos seus 6 filme. Outros exemplares do terror de vigilância são os filmes Amizade Desfeita 1 e 2, Cam e Host. Na onda da tensão e suspense temos ainda o filme Buscando, que amplia bastante o tema da vigilância, desde redes sociais, aplicativos e sites de lives, e é claro, as câmeras de vigilância. Até os queridinhos do gênero slasher usaram a vigilância como temática ou pano de fundo. Em Hallowen – Ressurreição, temos um grupo de jovens que vão para um reality show, com câmeras ligadass 24h por dia, na casa de Michael Myers. Já em Pânico 4, o assassino usa câmeras para filmar suas mortes, e as câmeras são amplamente usadas pelos personagens do filme.

O cinema nacional também não fica atrás dessa temática. A comédia Sorria, Você Está Sendo Filmado, de Daniel Filho, mostrou como agimos quando achamos que não estamos sendo vigiados, e o perigo de fazer ou falar o que quisermos. Outro exemplo é o curta  Nunca é noite no mapa, do diretor Ernesto de Carvalho. No filme o diretor problematiza a ferramenta do Google Earth quando percebe uma viatura do Google Maps aproximava-se de sua rua. O filme tem apenas 6 minutos e está disponível nesse link.

Vigilância em 1984, temática do CineBH
1984, é sem dúvidas o maior exemplar da abordagem da vigilância nos Cinemas

Mas maior exemplo de como a vigilância foi abordada no cinema, é o filme 1984, de Michael Radford e estrelado por John Hurt e Richard Burton. Baseado no livro homônimo, escrito por George Orwell, a história se passa numa sociedade distópica, onde as pessoas não tem liberdade para nada, e são vigiadas e controladas 24h por dia. Inclusive o nome do reality mais famoso do mundo Big Brother, ganhou o seu nome graças ao Big Brother do livro/filme, que vigia e controla a população humana. Inclusive, bem antes de Orwell escrever 1984 e criar o Big Brother, o diretor Fritz Lang, na sua série de filmes do Doutor Mabuse, criou uma distopia onde os humanos eram vigiados e controlados por algo desconhecido e invisível. Algo bem próximo da nossa atual realidade em que somos vigiados em todo lugar, por câmeras de vigilância e por nossos smartphones.

Dessa forma fica claro a necessidade de uma ampla discussão sobre a vigilância em nossos tempos. Principalmente em tempos de Fake News, em que a imagem como testemunha não pode mais ser levada tão a sério, por conta de simualções e manipulação. Essa discussão é muito bem vinda e faz-se necessária no momento em que vivemos. Dessa forma a 15ª edição do CineBH,  terá como temática “Cinema e Vigilância” com o objetivo de discutir essa relação complexa, estritamente ligada à história do cinema e ao mesmo tempo tão profundamente atual.

Destaque – Forensic Architecture

Todos os anos o CineBH escolhe um projeto, uma entidade, um grupo, para ser o destaque da mostra. E sempre os escolhidos têm a ver com a temática escolhida para o ano. Para o 15º CineBH o foco será o coletivo Forensic Architecture, que tem realizado pesquisas inovadoras explorando recursos do cinema e do audiovisual.

Criado em 2011, pelo arquiteto israelense Eyal Weizman, o Forensic Architecture reune cineastas, arquitetos, urbanistas e ativistas de várias nacionalidades, entre eles, o arquiteto brasileiro Paulo Tavares. O objetivo do grupo é recriar e investigar situações de guerra, confronto e desrespeito aos direitos humanos e ao meio ambiente. Durante essas recosntituições e investigações, o grupo leva em consideração contextos jurídicos, políticos e artísticos da comunidade.

Tendo como base de seus trabalhos a universidade de Goldsmith, em Londres, o grupo faz um uso subversivo dos mecanismos e imagens de vigilância, tiradas de imagens capturadas por satélites, câmeras de segurança, câmeras portáteis e smartphones. O objetivo é realizar investigações profundas sobre crimes contra a humanidade e o meio ambiente, dessa forma criando obras documentais e artes visuais, que foram utilizadas em em tribunais de justiça e fóruns governamentais.

Como afirmam Anna Bentes, Fernanda Bruno e Paulo Faltay, na introdução de uma entrevista com Paulo Tavares:

As investigações do Forensic Architecture, operando em uma arena estético-política, invertem os propósitos de tecnologias de monitoramento e vigilância contra os próprios sistemas de controle hegemônicos que disputam os sentidos de verdade nas arenas públicas.

Anna Bentes, Fernanda Bruno e Paulo Faltay
Imagem de Shipwreck at th Threshold of Europe, Lesvos, Aerean Sea: 28 October 2015, aprensetado no Fórum Expanded do Festival de Berlim

Ou seja os trabalhos da Forensic Architecture, transitam entre o espaço judicial, artísitico e cinematográfico. Tanto é assim que um dos seus trabalhos Shipwreck at th Threshold of Europe, Lesvos, Aerean Sea: 28 October 2015, foi apresentado no Festival de Berlim do ano passado. No filme, é reconstruído de forma meticulosa um acidente com um barco cheio de imigrantes perto da costa européia. O filme foi feito com base nas imagens da diretora síria Amel Alzakout, que foi uma das sobreviventes do naufrágio. Inclusive a diretora fez o filme Purple Sea baseado nas imagens que gravou e na sua experiência no naufrágio.

Por tudo isso, e levando em conta a temática do CineBH 2021, a Forensic Architecture é a melhor escolha para o destaque da 15ª edição do CineBH.

Lembrando que o Cine BH ocorre entre os dias 28 de setembro e 03 de outubro, de forma totalmente online e gratuita. E a aqui no Cinem(ação) você encontrará todas as informações sobre esse que é o maior evento do cinema em BH.

Fonte: Site Oficial CineBH

Para ver os debates e rodas de conversa do CineBH 2020 acesse a Playlist no canal do Youtube da Universo Produções.

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