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O Caso Richard Jewell - crítica

Crítica: O Caso Richard Jewell

O Caso Richard Jewell é mais um interessante passo no caminho que Clint Eastwood traça como diretor.

O Caso Richard Jewell - crítica

Ficha técnica:
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Billy Ray, Marie Brenner
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 13 de dezembro de 2019 (2 de janeiro de 2020 no Brasil)
Sinopse: A história real de Richard Jewell (Paul Walter Hauser), segurança que se tornou um dos principais suspeitos de bombardear as Olimpíadas de Atlanta, em 1996, quando ele na verdade foi o responsável por ajudar inocentes a fugirem do local e avisar da existência de um dos explosivos.

Elenco: Paul Walter Hauser, Sam Rockwell, Olivia Wilde, Jon Hamm, Kathy Bates, Nina Arianda.

Clint Eastwood é o conservador favorito de Hollywood, e não é à toa. O ator e cineasta sempre se mostrou flexível em diversos pontos sensíveis da política estadunidense – como o casamento homoafetivo, ao qual ele é favorável – e ainda vem exibindo em sua obra um nacionalismo cada vez mais crítico. Ainda que sempre buscando mostrar “heróis nacionais” que são simplesmente pessoas comuns tentando “fazer o certo”, Eastwood transparece um olhar cada vez menos enaltecedor de seu país.

Em “O Caso Richard Jewell”, acompanhamos a história do biografado da vez, o então segurança das Olimpíadas de Atlanta que conseguiu evitar que um ataque a bomba causasse um estrago maior e matasse mais pessoas.

A ótima escolha de atores é evidenciada pelos momentos de timing cômico, mas o que mais chama atenção em “O Caso Richard Jewell” é a maneira como Eastwood vai desconstruindo a percepção do protagonista sobre as autoridades e instituições americanas. Um dos momentos mais simbólicos é o interrogatório na sala do FBI, já a caminho dos momentos finais da trama. A despeito do diálogo expositivo e do momento de monólogo pouco provável, a cena funciona bem dramaticamente para mostrar a evolução do personagem. E a fala do advogado Watson Bryant dizendo que aqueles não são o governo americano, e sim representantes incompetentes deste, esclarece muito bem o posicionamento do diretor.

Acertando em mostrar a figura complexa que é Richard Jewell, especialmente pelas primeiras cenas na qual ele conhece seu futuro advogado, o longa também mostra uma ótima construção de tensão em momentos como o da explosão da bomba, e de agonia no espectador ao permitir a revelação de detalhes sobre o protagonista conforme as descobertas do advogado, já que vamos tendo as surpresas ao longo do caminho e percerbemos gradativamente a “enrascada” na qual ele realmente se encontra.

O Caso Richard Jewell - crítica

No entanto, soa simplista a maneira como o filme demonstra a transformação da repórter Kathy Scruggs. Embora seja vivida de forma intensa por Olivia Wilde, ela parece deixar de lado sua arrogância e ambição repentinamente: o acontecimento é plausível, mas sua transformação repentina perde força dramática ao não permitir que ela tenha alguma dúvida ou um estágio de negação, por exemplo.“O Caso Richard Jewell” é um interessante passo na carreira de Clint Eastwood e um longa extremamente eficiente em sua proposta de valorizar o “herói comum”, e pode muito bem conquistar algumas indicações ao Oscar de 2020, ainda que não seja dos filmes mais impactantes da temporada.

  • Nota
3.5

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