Doc "A Turma do Pererê" é um tributo à obra de Ziraldo

Doc “A Turma do Pererê” é um tributo à obra de Ziraldo

Quem tem mais de 50 anos muito provavelmente vai se lembrar de um conhecido personagem do folclore brasileiro, que nas mãos do cartunista, chargista, escritor e quadrinistas Ziraldo, recebeu o nome de (apenas) Pererê.

O documentário A turma do Pererê é uma homenagem ao cartunista de múltiplos talentos que chegou ao Rio no início dos anos 1950 com a ideia fixa de ser quadrinista. O doc. faz um resgate de sua obra desde o início de sua carreira, através de imagens de arquivo e depoimentos de amigos e especialistas em histórias em quadrinhos.

Ao longo de um pouco mais de 1 hora, profissionais consagrados da área como a cartunista Laerte, Mauricio de Sousa, Oto, Jaguar, além de roteiristas, historiadores, chargistas, editores e quadrinistas opinam sobre a obra de Ziraldo, pontuando fatos interessantes sobre o popular personagem Pererê (o nome Saci já havia sido registrado, sendo proibido utilizá-lo).

Quem não conhece o Pererê, vai ter a oportunidade de conhecer e aqueles que já conheciam, muito provavelmente sentirão uma nostalgia, de um personagem 100% brasileiro que deu origem ao primeiro gibi em cores do Brasil (de um único personagem); Cuja as histórias tinham uma mensagem ecológica, de preocupação com o meio ambiente, além de tocar também em temas sociais e da atualidade, por isso mesmo, não era considerado um gibi para crianças mas para adultos.

O gibi do Pererê surgiu no início dos anos 1960, Ziraldo quis transpor sua infância no interior de Minas Gerais para o universo do personagem, que logo caiu no gosto dos leitores. A Turma do Pererê também se preocupa em mostrar a origem dos HQ´s no Brasil, revelando a melhor fase nos anos 1950.

Além dos inúmeros depoimentos, o documentário também exibe diversas imagens de arquivo quando Ziraldo ainda não tinha cabelos brancos e animações modernas mostrando os personagens que o quadrinista criou depois do Pererê. Também exibe curiosidades interessantes dos veículos de imprensa que Ziraldo trabalhou como a revista O Cruzeiro, Jornal do Brasil, Playboy e outros.

A obra de Ziraldo mostra principalmente uma nacionalização dos quadrinhos no Brasil em uma época onde o leitor consumia basicamente os gibis do Walt Disney. Aqueles que estavam acostumados a ler Pato Donald, Tio Patinhas etc se surpreendeu com as histórias do Pererê. Em um dos depoimentos, um chargista afirma que o Pererê é quase psicodélico, com suas cores, a contracultura, em um tipo de linguagem própria do chargista de cabelos brancos.

De fato, Pererê não era um personagem para crianças, até porque Ziraldo costumava tocar em questões sociais e políticas, ele inclusive afirma que era um gibi “infantil” de esquerda, de vanguarda. E dos personagens estrangeiros como papai noel e Tarzan, ele fazia sátiras colocando o Pererê no universo “estrangeiro” dessas 2 populares figuras infantis.

Arte pop, nacionalismo, cultura, política, bossa nova, folclore etc tornavam o trabalho de Ziraldo em algo autêntico na atmosfera dos HQ´s no país. O próprio Pererê segundo Ziraldo é uma junção de 3 etnias diferentes, a floresta brasileira como cenário do personagem dentre outras curiosidades que são exibidas no documentário.

Quem é fã da Turma da Mônica, também vai se surpreender com a amizade e parceria de longa data com Mauricio de Sousa quando ele estava ainda começando no ramo. E por falar em turma, Pererê logo teve companhia com a criação dos personagens: Galileu, Alan. Moacir, Tininim e Geraldinho, surgindo assim A Turma do Pererê.

Infelizmente o gibi teve vida curta sob alegações políticas, conforme o documentário se aprofunda, seguindo o caminho das tirinhas e anos depois sendo lançado pela editora Abril, que era na época um gigante no mercado editorial, onde tinha um setor exclusivo de quadrinhos nacionais, ainda assim a falta de êxito na Abril tem uma explicação lógica na opinião de um especialista em HQ´s.

Pererê discutia já naquela época assuntos atuais, nos anos 1960 e 1970, sem deixar de lado também os valores humanos como amizade, solidariedade e companheirismo, em um tempo onde as crianças brincavam na rua, soltavam pipa e ainda liam gibis.

A Turma do Pererê tem direção de Ricardo Favilla, narração do ator Paulo Betti e estreia em circuito nacional no dia 03 de outubro.

Texto escrito por: André Araújo

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