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A Sombra do Pai - filme de Gabriela Amaral Almeida - cena Dalva com a amiga na festa

Crítica: A Sombra do Pai

A Sombra do Pai carrega consigo um terror muito mais profundo do que se pode ver na superfície.

Ficha técnica:

Direção e roteiro: Gabriela Amaral Almeida
Elenco: Luciana Paes, Júlio Machado, Nina Medeiros.
Nacionalidade e Lançamento: Brasil, 2 de maio de 2019
Sinopse: Órfã de mãe, a menina Dalva precisa aprender a viver sozinha, especialmente após a tia ir embora de sua casa. Dalva ainda tem seu pai, mas ele não consegue dar conta de cuidar da casa.

Gabriela Amaral Almeida é seguramente uma das diretoras mais criativas do nosso cinema atualmente. E depois de se destacar com “O Animal Cordial”, filme gravado depois deste que assistimos agora, Gabriela chega com um suspense que se preocupa muito mais em explorar o horror interno do ser humano do que externar isso, como fez no longa anterior – que na verdade é posterior.

A Sombra do Pai é um filme sobre muitas coisas. Sobre a necessidade de se desenvolver maturidade antes da hora para meninas pobres. Sobre o papel do pai e a masculinidade tóxica que o “impede” de demonstrar afeto. É também sobre a falta.

Vamos a pequena Dalva assistir a filmes de terror na televisão e manter consigo restos do corpo exumado de sua mãe. Vemos seu esforço para se lembrar do rosto dela e a forma dura como seu pai lida com a dor. Tudo isso com uma câmera precisa e uma trilha sonora cirúrgica, que constroem a tensão a cada minuto, criando sempre a sensação de que algo vai acontecer. É uma pena que, no fim das contas, A Sombra do Pai não seja melhor que O Animal Cordial.

Sabendo da troca de primeiro para segundo filmes no lançamento, até que faz sentido. O terror de A Sombra do Pai está na sugestão. Está no medo de enfrentar os traumas, na expectativa constante de que surja uma sombra em meio aos lençóis no varal, e até mesmo na situação constantemente desagradável de um aniversário embaraçoso (que lembra muito um dos curtas da diretora). O realismo fantástico que vemos em alguns momentos apenas nos reforça que tudo pode estar na mente dos personagens.

A coisa mais horrível que existe, de fato, é uma frase que um pai é capaz de dizer à sua filha. No fim das contas, a palavra é o que mais tem poder.

  • Nota
3.5

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