CRÍTICA: RASTROS DE UM SEQUESTRO / GI-EOK-UI BAM - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

CRÍTICA: RASTROS DE UM SEQUESTRO / GI-EOK-UI BAM

Mais um thriller sul coreano para deixar os suspenses norte americanos no chinelo.

Ficha técnica:

Direção: Jang Hang-jun
Roteiro: Jang Hang-jun
Elenco: Kang Ha-neul, Kim Mu-yeol, Na Young-hee e Moon Sung-Keun.
Nacionalidade e lançamento: Coreia do Sul, 29 de novembro de 2017 (mundial)

Sinopse: O jovem Jin-Seok, é um grande admirador de tudo que o seu irmão mais velho Yoo-Seok faz. O cara é realmente um ser a se espelhar, bom nos esportes, nos estudos, no trabalho, impecável até ser sequestrado. Após 19 dias de sofrimento e angústia, eis que Yoo retorna diferente e apenas Jin percebe e faz de tudo para descobrir o que aconteceu de verdade com o seu amado irmão neste meio tempo.

Como pudemos ver na sinopse, temos um caso de família bem enigmático. O jovem Jin-Seok (Kang Ha-neul) se muda com a família para uma bela casa, onde ira acontecer coisas que atiçarão a curiosidade do espectador em níveis altíssimos.

Primeiro ponto a ser destacado com certeza é o poder do interessantíssimo roteiro feito pelas mãos de Jang Hang-jun – ex ator – que não só escreve como também dirige o longa, mostrando domínio total na arte de criar tensão e trabalhar não só um bom clímax, mas também em carregar o seu público exatamente por onde bem entende, passando por ondas e mais ondas de mudança. A autoridade em sentar na cadeira do diretor no filme, ajuda bastante o seu roteiro funcionar da forma tão perfeccionista que pretendia, uma vez que trabalha com uma grande gama de reviravoltas e plot twists através dos três atos. Hang-jun traz o tutano do gênero, o verdadeiro sabor gorduroso do suspense.

Na trama passamos por quase tudo, do diabólico sobrenatural até a horripilante e desoladora realidade, atitudes intoleráveis a cenas fofas, frases marcantes, ditas com um timing preciso até piadinhas bobas do nosso dia-a-dia, mas nada disso, em momento algum, é jogado ou encaixado forçadamente, tudo é muito bem esculpido e polido para funcionar no belo e desenvolvido enredo.

O roteiro é tão primoroso e recheado que Jang Won-seok – produtor do filme – fala sobre o contrato com a Netflix:

“Sem precedentes, o contrato foi assinado quando o roteiro ainda estava sendo escrito, o que mostra que a Netflix gostou muito da história e acreditou nela. Eu acho que o filme vai ser apreciado como um thriller misterioso sul coreano que será aclamado tanto pela audiência nacional, como a internacional.”

Grande mérito da obra é a atmosfera de curiosidade que impregna a sua mente, mas muito dessa acribologia vingar tão bem, vem por meio de atores competentes o suficiente para navegarem em personagens tão profundos e bem construídos, e ainda assim, fazerem a magia acontecer. Não esperava nada de Kang Ha-neul, mas foi por causa daqueles pré-julgamentos que fazemos sobre um personagem com 5 minutos de tela?? Pois é. Ha-neul acaba se transformando de forma fascinante, como sustentando o filme nas costas. Já Kim Mu-yeol, está ali de forma impremeditável e não me espantaria se ele tivesse surpreendido até mesmo o diretor – ou quem quer que seja que fez o casting – com tamanho trabalho de sua parte. Um capricho.

Um longa com diversas camadas e linhas sutis que passam em todas as cenas desapercebidas, de uma enorme profundidade onde revela-se segredos e mais segredos a cada sequência. É tanta coisa pra digerir, tanta coisa para assimilar, que por alguns segundos você fica deslumbrado de uma forma e completamente chocado de outra, por ser algo tão real e tangível, que chega assustar. É uma obra bem autêntica e forte na mensagem que quer passar.

Comparações sempre irão existir, e para aqueles que conhecem poucos filmes Sul Coreanos, vão logo comparar Rastros De Um Sequestro com Oldboy. Já os que consomem os belos trabalhos escritos por lá, também terá uma leve percepção guiando-se por este pensamento. Mas por que?? Bom, a narrativa de poucas revelações, onde o telespectador sente que pelo caminho tromba com mais questões do que respostas, em um emaranhado

aflitivo de acontecimentos dramáticos e que nos norteia para algo tenebroso, assim como o incrível filme de Park Chan-wook. Obviamente um longa com tamanho e peso cinematográfico como Oldboy – lançado em 2003 – deve ter sido um pouco da fonte que Jang Hang-jun bebeu sim, como a maioria de roteiristas de suspense por lá. Isso não é algo ruim, de forma alguma. Assim como pode também ter bebido de todos os outros derivados, como o Zinda – versão indiana não autorizada de 2006 – o Oldboy do Spike Lee – em 2013 – e até mesmo o próprio mangá de 1996.

Para aqueles que não querem mais comparar qualquer coisa apenas a obra que relata a dolorosa vida de Oh Dae-su, vou indicar mais 5 bons filmes do gênero aqui:

Caminhos do Crime (2006) – Eu Vi o Diabo (2009) – Mother: A Busca Pela Verdade (2009) – Novo Mundo (2013) – A Criada (2016)

Admito que mais uma vez, odiei o título que ”traduziram” para o português, uma vez que até o inglês ficou melhor: Forgotten. Este tipo de coisa me incomoda, assim como o bruto longa de Denis Villeneuve: The Prisioners, traduzido para nós como Os Suspeitos, que pode ter a sua veracidade mas perde-se em sua essência. Uma pena.

Roteiro, atores e uma ótima direção, temos qui pilares colossais para assegurar que todo o resto funcione, mas mesmo assim a trilha nunca peca, até instiga, a fotografia é fatal, funciona muito bem e ajuda sempre no mistério, mas será que este filme não erra nunca?? Talvez.

Temos um jump scare que funciona bem para o propósito daquele trecho, mas que muitos vão remediar. Para quem não gosta de plot twists ou não está acostumado com isso, poderá vir a odiar o longa, assim como todos aqueles que não tem costume da maneira não só fílmica mas cultural em que os orientais condensam e carregam as suas obras. Com diálogos que sempre repetem a última palavra ou no excesso de vezes que um personagem cita o nome completo do outro, da maneira dos orientais levar a vida, tanto no respeito – que para um brasileiro normalmente vai soar como um exagero danado – quanto na forma de pensar e agir. Sem falar que escondem bem o ouro da trama, mas quando é pra ser didático, extrapolam sem dó.

 

 

  • Rastros
4.5

Nota

Criativo, inspirador, bate quando é pra bater e surpreende positivamente, tudo muito bem amarrado por um roteiro primoroso e sustentado por atores competentes. Gostando ou não do gênero, é um puta thriller e está disponível no Netflix, então, não deixem de conferir e talvez, consumir mais conteúdo fílmico da melhor Coréia do Mundo. Recomendado.

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