Crítica: A Grande Jogada (Molly’s Game, 2017) – Indicado ao Oscar
A Grande Jogada

Crítica: A Grande Jogada (Molly’s Game, 2017) – Indicado ao Oscar

A Grande Jogada vai bem além do Poker.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Aaron Sorkin
Elenco: Jessica Chastain, Idris Elba, Kevin Costner
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (22 de fevereiro de 2018 no Brasil)

A Grande Jogada

A Grande Jogada consegue algo fascinante: tem potencial para agradar quem gosta de Poker, mas também consegue atingir um público mais amplo e, o principal, é um cinema excelente. A história é daquelas que é tão incrível que só pode ser real e contada da forma que foi torna A Grande Jogada um dos melhores filmes da temporada.

Molly Bloom era uma atleta de alto nível, muito impulsionada (de forma até além da conta) pelo pai, porém após um acidente ela teve que recomeçar a vida do zero. Um misto de oportunismo – no melhor sentido da palavra – e estar no lugar certo fazem com que ela crie uma mesa de Poker com celebridades endinheiradas e com isso ganhe as famosas gorjetas típicas do meio. Contudo, por uma escorregada, ela acaba julgada por um crime e temos o nosso filme…

A montagem de A Grande Jogada é sensacional. Não é nada sutil, o que poderia ser um peso, mas alterna-se em vários momentos da linha temporal de Molly. Essa visão simultânea cria um estudo de personagem muito rico. O ritmo dá uma acelerada que condiz com a mente da nossa protagonista.

Na parte do Poker, os que não conhecem podem ficar tranquilos que há explicações suficientes. E aqui temos outro mérito: essas explicações são didáticas no ponto certo. Não tornam o filme uma palestra e tampouco deixam os desavisados fora do longa.

Podemos ver tal elemento também na narração. Eu sou um ferrenho crítico de narrações em off. Normalmente elas vem atreladas a uma preguiça narrativa e explicam o óbvio. Aqui, ao contrário, dá uma camada a mais e fazem parte da composição da personagem e da nossa relação com ela.

A Grande Jogada

Nada disso funcionaria sem uma atriz com a desenvoltura de Jessica Chastain. Se ela interpreta uma princesa do Poker, Chastain é a rainha do filme. A presença dela é marcante em todas as aparições e contracenando com todos os atores. O charme e a sensualidade na medida. O olhar penetrante e até a força – mesmo nos momentos mais frágeis – poderiam colocá-la entre as indicadas a melhor atriz no Oscar.

Vale a nota que Idris Elba, depois de uma sequência desastrosa de escolha de filmes (Torre Negra, Depois Daquela Montanha e Thor Ragnarok), volta aos trilhos. Não só soube aceitar um ótimo papel como correspondeu à altura. O arco dele cria uma rima com o pai de Molly e também com o caráter dela. Os diálogos entre eles são as melhores coisas aqui.

O terceiro ato dá umas patinadas e beira a conveniência. Contudo, rende um momento tão sensacional entre Kevin Costner e Jessica que quase que dá para relevar. O final poderia não ser tão esticado, porém rendeu ótimos momentos derradeiros.

A Grande Jogada não vai ganhar o Oscar (está indicado, de modo justo, em Roteiro Adaptado), mas é um dos filmes mais gostosos da temporada, belo trabalho na direção de estreia do roteirista Aaron Sorkin.

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