Crítica: Trama Fantasma (Phantom Thread, 2017) – 6 Indicações ao Oscar
Trama Fantasma

Crítica: Trama Fantasma (Phantom Thread, 2017) – 6 Indicações ao Oscar

Trama Fantasma é mais uma excelente dobradinha de Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Daniel Day-Lewis, Lesley Manville,  Vicky Krieps
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (22 de fevereiro de 2018 no Brasil).

Trama Fantasma

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, órgão responsável pelo Oscar, tem muitos atores – já que todo ano 20 novos membros são indicados nas 4 categorias de atuação. O reflexo disso é que não raro temos produções cujo principal foco está justamente neste quesito. O que é longe de ser um problema, já que estamos falando de um dos principais pilares de um filme.

Este ano temos belos exemplos nesse sentido. Dos 9 indicados, 8 tem pelo menos uma pessoa contemplada nas categorias de atuação (apenas Dunkirk não foi lembrado). E de fato, em todos eles os atores e atrizes elevam e muito as qualidades dos respectivos filmes.

Vale já deixar registrado: Gary Oldman por O Destino de uma Nação, Frances McDormand e Sam Rockwell por Três Anúncios Para um Crime, e Allison Janney por Eu, Tonya vem ganhando tudo na temporada e devem se sagrar os vencedores do Oscar 2018.

Mas por que esta introdução diferente para falar de Trama Fantasma? A despeito de uma bela direção, trilha, design de produção e outros elementos, o que de fato chama atenção aqui são as atuações. Daniel Deus Day-Lewis é um dos maiores atores de todos os tempos. Aqui, no provável último trabalho da carreira, ele dá outro show. Mas as duas atrizes que estão ao lado dele não ficam atrás: Lesley Manville e Vicky Krieps. E só de estarem dividindo tela em pé de igualdade com Day-Lewis já denota o excelente trabalho delas.

Trama Fantasma

A trama de Trama Fantasma segue o estilista Reynolds Woodcock que sempre acompanhado da irmã Cyril faz acontecer no mundo da moda. E por vezes ele utiliza uma mulher, ao que parece descartável, para servir como musa. Mas ao encontrar Alma as coisas mudam de figura e um relacionamento mais potente surge.

Aqui pode haver uma dificuldade de muitos em estabelecer uma identificação secundária. Porém a alegação que um mundo da moda ou do estilismo não te atrai não é válida, já que Trama Fantasma é sobre outro tipo de entrelace e não apenas dos tecidos. Apesar de presentes em abundância e de ser o cenário, o cerne aqui são relações humanas. Se você não se identifica com isso não é problema do filme…

Outra crítica que pode vir é de “não ter história” ou da história não ter nada para dizer. Isso pode ser dito por quem não se atenta aos detalhes. A intensidade está nas sutilezas de cada ação . Aqui a máxima de menos é mais cabe perfeitamente.

Seja em cenas mais grandiosas como no jantar ou desabafo de Woodcock, seja no simples manejar de um talher ou no tremor do lábio (daí a exaltação inicial aos atores) vemos a composição do todo. Claro, tudo magistralmente capturado pela câmera de PTA que de modo justo está indicado para Melhor Diretor.

Trama Fantasma

Outro elemento que dança junto com aqueles é a trilha. Insistente, perturbadora e que em outros filmes eu diria ser intrusiva (em um sentido negativo), aqui é intrusiva de modo causar um sentimento válido. Tal uso é a prova de que não há recurso que podemos marcar como condenável a priori, depende, claro, de quem usa e de como é usado.

Para não ficar tão abstrato, alguns dos temas que podem serpentear a tua visão em Trama Fantasma passam por um desamor, uma frieza e ao mesmo tempo um calor sentimental, conveniência e admiração, além de todo o retrato de uma mente profunda como a do protagonista, mente essa confrontada.

Elogiar os figurinos aqui seria algo quase metalinguístico. Mas não podemos no furtar a fazê-lo já que os próprios personagens, em especial, o de Daniel Day-Lewis, dão quase vida àquelas vestimentas, possivelmente se importando mais com elas do que com os seres humanos.

O encerramento deste texto não poderia ser outro: vamos falar mais do trio principal. Lesley Manville consegue se fazer presente e mudar o tom do ambiente em cada cena que isso se faz necessário. A postura incorruptível e calculista lembra um personagem robótico de Yorgos Lanthimos.

Vicky Krieps dá não só ao parceiro em tela, mas ao filme como um todo, uma vivacidade singular. Alternando entre uma inocência e um ar mais ardiloso, Krieps poderia, ao lado da companheira Manville estar indicada ao Oscar como coadjuvante.

Já Daniel exibe um controle absoluto de cada músculo, cada espaço em cena e cada entonação. Nas cenas mais dramáticas ou mais “ritualísticas” outro ator poderia dar um tom além que não cabia. Estamos sim diante de mais um grande trabalho de um mestre.

OBS: Como pequena nota negativa, há algumas cenas que a coisa se prolonga o que resulta em uma duração mais alongada que talvez o necessário. Mas todo o restante é tão sublime que este senão eu quis deixar como um apêndice apenas. 

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