Crítica: Três Anúncios Para um Crime (2017) – 7 indicações ao Oscar!
três anúncios para um crime

Crítica: Três Anúncios Para um Crime (2017) – 7 indicações ao Oscar!

Três Anúncios Para um Crime (2017) é um dos favoritos ao Oscar.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Lucas Hedges
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (15 de fevereiro de 2018 no Brasil)

três anúncios para um crime

Quem conhece o diretor Martin McDonagh (por exemplo do Na Mira do Chefe, tem na Netflix) sabe mais ou menos o que esperar aqui. Com uma pegada que lembra os Irmãos Coen, McDonagh imprime uma dose de humor ardiloso mesmo diante de um tema complicado. Além de desenvolver personagens sem maniqueísmo e cheio de reviravoltas.

A história desperta uma curiosidade inicial: uma mulher resolve colocar três mensagens em três outdoors em uma via pouco movimentada. Qual seria o teor? Por que o interesse em uma estrada com pouco potencial de visualização? A mulher em questão é Mildred (Frances McDormand, favoritíssima ao Oscar) e ela não quer vender nenhum produto ou serviço, mas cobrar das autoridades uma maior investigação do caso da filha que fora assassinada e estuprada.

Para além da busca de uma mulher desesperada, Três Anúncios Para um Crime coloca a população local como um personagem. A gíria “que tiro foi esse?” Cabe aqui com primazia. Padres, policiais, ex-marido, dentistas e diversos outros sofrem as repercussões daquele fato e da ira daquela mulher.

três anúncios para um crime

Mas a habilidade do roteiro está em também não poupar a protagonista. Em meio a dor – que o público sente junto – Mildred comete alguns atos questionáveis. Ou seja, o natural seria a gente olhar para aquele drama e canonizar uma mãe que perdeu uma filha daquele jeito. Mas a coisa vai além e não fica só no preto e branco.

Do mesmo modo que do outro lado há personagens racistas, omissos e com atitudes condenáveis. Contudo, o roteiro consegue dar camadas que também não os deixam só como vilões. Essa área cinza é a melhor coisa do filme.

Três Anúncios Para um Crime é recheado de diálogos que ficarão marcados. Ou então momentos icônicos que carregam uma ironia deliciosa. Não vou dar exemplos para não estragá-los mas em geral envolvem os três personagens centrais.

Sobre esse trio, além de o filme explorar camadas raras, há outro elemento primordial: eles não terminam a jornada da mesma maneira que iniciam. Por diversas vezes são colocados em cheque o que faz com que pelo menos reflitam sobre o que está se passando.

Mas para a cidade ser viva não bastavam 3 personagens. Muitos outros tem uma participação menor, porém com sentimento e presença. O único que faltou algum viço foi o personagem do filho da protagonista, o Robbie (Lucas Hedges).

Aproveitando para falar de uma outra pequena escorregada do filme, vamos abordar o humor. Provável filme mais engraçado entre os indicados e de um humor sacana e muito cru, como é típico do diretor. O absurdo das situações é muito palpável. E acaba que elas são engraçadas por si só.

E aí é que reside o problema aqui. Por vezes a situação tragicômica é esticada para uma piada a mais. O efeito causado é, ao invés de reforçar, tirar a força do momento. O ex-marido de Mildred a trocou por uma mulher mais jovem e muito bonita, um pouco mais velha do que a filha deles, a situação já era embaraçosa o suficiente, mas o filme insiste em marcar que a namoradinha é uma porta. As piadas são divertidas, mas deixa o bolo doce demais.

Voltando aos méritos, já que esse porém é realmente pequeno, vale ressaltar as atuações. O longa tem incríveis três indicações ao Oscar só nesse quesito e vai levar duas (já que dois atores competem na mesma categoria).

Frances McDormand, que já levou diversos prêmios na temporada, traz desde a primeira cena (roendo as unhas) uma mulher ao mesmo tempo derrotada e forte, destruída e sagaz, que admite o medo que sente e ao mesmo tempo é impetuosa.

Woody Harrelson domina o primeiro ato e parte do segundo. Ele tem ali movimentos realmente inesperados. Talvez 3 (em diálogo com o título?) sacadas que pegam a todos de surpresa. Tem uma cena no interrogatório que vemos ambos os atores brilhando. A conclusão da cena é tensa e cospe-se emoção.

Sam Rockwell, outro provável vencedor do Oscar, tem o arco menos sutil e talvez por isso o mais difícil. Serpentear os caracteres do personagem indo da caricatura odiosa a mais pura humanidade não é para qualquer um. É outro que traz consigo três momentos marcantes (mas ao contrário do personagem de Harrelson, os três são previsíveis, mas tal como o de Harrelson, os três são muito potentes).

Facilmente Três Anúncios Para um Crime poderia se perder ao dar muita importância aos temas. Talvez até tenha ganhado votos pela parte temática. Contudo, o forte está aqui está em fugir de fórmulas fáceis e apelativas que seriam tentadoras neste tipo de filme.

Cravo que deve levar 3 prêmios – as duas de atuação e roteiro. Melhor filme aposto ainda no Forma da Água. Trilha: Dunkirk. Montagem: Em Ritmo de Fuga.


Confira também a crítica de Will Bongiolo sobre este filme

Gostou? Dê um like e passe adiante!

Leia também:

Apoie o Cinem(ação): contribua com a cultura cinematografica!

  • Críticas cinematográficas
  • Mais de 6 horas de conteúdo inédito por semana
  • Podcasts semanais
  • Grupo no Facebook exclusivo para apoiadores
  • Acompanhamento das nossas conquistas com seu apoio

Abra a porta do armário! Deixe seu comentário:

Material close icon