CRÍTICA: NEWNESS (2017)

CRÍTICA: NEWNESS (2017)

Newness apresenta várias camadas de interpretação e trama consistente.

Ficha técnica:
Direção: Drake Doremus
Roteiro: Ben York Jones
Elenco: Nicholas Hoult, Laia Costa, Danny Huston, Courtney Eaton.
Censura: 16 anos.
Nacionalidade e lançamento: USA, 2017.

O filme Newness é um drama/romance que chegou à Netflix agora no final de janeiro com uma aparente trama voltada ao debate “relacionamentos x tecnologia”. Martin e Gab são jovens, bonitos e se conhecem por meio de aplicativo de encontro e, por mais que celulares estejam presentes em quase todas as tomadas, há muito mais por desvendar.

 

O roteiro utiliza argumentos já explorados em outros filmes sobre relacionamento como “Closer: perto de mais” e “Vicky Cristina Barcelona“, mas os atualiza numa pegada mais tecnológica. Newness não tem a sensualidade do primeiro nem o glamour do segundo, porém convence pela escolha de nos dar, aos poucos, os verdadeiros dilemas da trama.

 

No começo do longa, há exploração do jogo de câmeras, cujo foco são os celulares das personagens e quase não vemos as pessoas, técnica que confere rapidez à narrativa, pois apresenta pontualmente quem são os protagonistas, o que eles fazem e como vivem. Direto e objetivo, tal como os relacionamentos por aplicativos.

 

As cenas são escuras, iluminadas apenas pelas telas dos smartphones. Mas, ao passo que vamos conhecendo as personagens, a questão da tecnologia vai dando lugar aos verdadeiros temas do filme. Simbolismo bem trabalhado no jogo escuro/claro. O espectador não conhece os problemas que serão apresentados (escuro) e, aos poucos, o roteiro vai clareando a trama.

Há um ritmo coerente da apresentação das várias camadas de Martin. Sempre há algo novo para descobrir sobre ele, Mas não houve tanta exploração do par romântico dele, Gab, que tinha bastante potencial discursivo, não explorado.

 

Quem assistiu a Closer deve lembrar que a mentira lá é quase uma personagem. Aqui em Newness a sinceridade pede licença para atuar e acompanhamos um debate sobre os “limites” da verdade e omissão dentre de um relacionamento.

Destaque para a metáfora presente num sonho contado por uma garotinha. Ela diz que encontrou com o “eu” dela no futuro e pergunta “Quem é você?”. E esse “eu” do futuro responde “Quem é você?”. A anedota seria eufemismo para quem somos em face do outro? ou de si mesmo?

 

Ainda nessa vertente, há uma construção de cena que dialoga com o relacionamento e sintetiza o caso: o casal triste, chorando e discutindo a relação em frente à foto do dia em que se conheceram, sorridentes e apaixonados.

 

Clique aqui para ler mais sobre desenvolvimento de personagens.
Aqui você pode ver as próximas adaptações da Literatura para o Cinema.

  • Nota Geral
4

Resumo

Newness tem várias camadas temáticas para serem exploradas pelos espectadores, ritmo consistente, atuações convincentes, reflexões atuais e um diálogo final que fecha bem o arco dos personagens.

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