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Crítica: O Destino de uma Nação (Darkest Hour, 2017) – Vem Oscar?

O Destino de uma Nação

O Destino de uma Nação deve vir em pelo menos três categorias no Oscar.

Ficha técnica: 
Direção: Joe Wright
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco:  Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas
Nacionalidade e lançamento: Reino Unido, 2017 (11 de janeiro de 2018 no Brasil)

Como o foco de O Destino de uma Nação (Darkest Hour, no original) são as travessuras de Winston Churchill durante algumas semanas como Primeiro Ministro inglês, poderíamos iniciar o texto falando do controverso estadista (que contou com o recente longa intitulado simplesmente Churchill).

Ou então falar do consagrado ator Gary Oldman (os jovens vão lembrar de Sirius Black em Harry Potter). A maquiagem mega competente não tira os méritos de Oldman que está sim incrível. Já já falamos mais dele…

Porém vou começar (no terceiro parágrafo) colocando como uma obra pode ser formulaica e ainda assim apresentar um produto muito digno. É comum, por incapacidade ou preguiça, termos filmes com uma estrutura quadradinha e que entregam um material pobre.

Em O Destino de uma Nação, o subgênero biografia tem mais um exemplar (no caso de Churchill, mais um de muitos) dentro de um aparato confortável. O diferencial aqui é que todos os ingredientes são de alta qualidade e o cozinheiro sabe como usá-los.

O Diretor Joe Wright possui uma carreira com filmes marcantes, vide Peter Pan Orgulho e Preconceito, Desejo e ReparaçãoAnna Karenina. Seja na galhofa do parlamento inglês que abre o longa ou nos discursos enérgicos mais para o final, o que vemos é alguém que entende o personagem caricatural que tem nas mãos e não esconde isso.

Que pese contra uma falta de confiança que o público também entenda, o que geram diálogos explicativos e bobos. Como um personagem explicando o cargo de um terceiro para outro personagem que sabia do que se tratava. O roteiro é um tanto frágil, mas a figura central o sustenta.

Curioso que a trama mostra os bastidores da negociações que vimos em Dunkirk. O filme se passa quase todo em paralelo à história contada por Nolan. Seria uma espécie de 300: A Ascensão do Império, onde vemos o outro lado do filme 300.

A parte técnica está qualquer coisa de impecável. O rico design de produção nos transfere para a época nos detalhes dos escritórios (repare nas estantes, mesas, quadros…) e nas roupas (em especial da secretaria Elizabeth Layton, a carismática Lily James).

A iluminação sabe usar o claro- escuro muito bem (fazendo uma rima com o título). Diversos momentos sentimos essa variação. A trilha tem uma presença forte, em especial um piano que não torna o tom piegas – provável que tenhamos o longa indicado na categoria.

Por falar em premiação, outro que já é quase certo é o, velho homem, Gary Oldman. A ofegância na voz, o biquinho inquieto, os rompantes com os subordinados e outros políticos, tudo está presente nessa exímia composição.

Vale o destaque para a cena do metrô. Ela é quase metonímica para o filme. Temos humor, emoção, admiração, vigor e consequências narrativas. Se ela aconteceu ou não e se foi daquele jeito, aí é história… fato é que no filme funciona muito bem.

O Destino de uma Nação cumpre de modo quase impecável o que ele se propõe. Até pela sombra de Dunkirk, não deve ser lembrado na categoria principal.

  • Nota Geral
4
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