Crítica: Fragmentado (Split, 2017) - Cinem(ação) | Trailer, Lançamento, resenha

Crítica: Fragmentado (Split, 2016)

Fragmentado é o filme mais tenso do ano, até agora…

Ficha técnica:
Direção e roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Haley Lu Richardson
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (23 de março de 2017 no Brasil)

Sinopse: Kevin tem 23 personalidades e a consegue alterná-las quimicamente em seu organismo com o pensamento. Ele sequestra três adolescentes e, aos poucos, elas conhecem cada uma de suas facetas enquanto tentam encontrar uma forma de se libertar.

M. Night Shyamalan, tal qual o protagonista de Fragmentado, parece ter muitas personalidades. Diretor dos excelentes Sexto Sentido e Corpo Fechado, do médio A Visita e dos fracos Fim dos Tempos e Depois da Terra… Felizmente “a personalidade” presente em Fragmentado tende mais para os melhores trabalhos.

A segunda cena é um resumo do que viria a seguir nas duas horas seguintes. O suspense se instala de uma forma muito franca. Nós sabemos um pouco mais que a personagem, um pouco mesmo, mas o suficiente para reforçar ainda mais o pânico. A câmera se movimenta de maneira correta, desnudando a situação aos poucos. E estamos ali, no meio daquele carro, tão indefesos quanto as envolvidas. A consequência desta cena, um sequestro, é o mote de toda a obra. Antes dela, na primeira cena, temos um mínimo de background para nos importamos com aquelas personagens, outro acerto preciso. Após esses acontecimentos, o roteiro não perde tempo e já nos joga em um ambiente estranho, onde se passa quase todo o longa.

O sequestrador em questão tem um peculiaridade um tanto quanto aterrorizante: ele possui 23 personalidades. O modo como elas se relacionam com as vítimas cria uma espécie de roleta russa (nem todas aparecem e se desenvolvem em tela, ainda bem). O mais interessante é que Casey Cooke (Anya Taylor-Joy) tem uma atitude pró-ativa e toma decisões que nos ajudam no engajamento. Odeio filmes, principalmente de terror, onde os personagens são completos idiotas (entram no porão sozinhos, sobem a escada e ficam encurralados, e coisas do gênero). Casey, mesmo nervosa, tem boas sacadas e tenta tirar proveito das personalidades mais frágeis do antagonista. Isso dá mais verdade para o desenrolar da história.

Outro ponto forte é todo o clima criado a partir da mise en scene. Uma mistura de ambientes estranhos – o que conversa com a mente divida do sequestrador – sendo limpos e novos, como o banheiro, ou sujos e claustrofóbicos como os labirínticos túneis. O fato de conhecermos uma parte daquela estrutura é como se o diretor nos dissesse: “vocês só conhecem uma parte da mente dele, está pronto para encarar o resto?”. Também vemos poucos objetos no quarto onde as meninas são postas, em contraposição às diversas quinquilharias do quarto do vilão. Porém as coisas aparecem com uma certa organização caótica, novamente refletindo a bagunça que deve ser o interior da cabeça de alguém com 23 seres.

Curiosa a abordagem que Shyamalan imprime nessa questão.  James McAvoy (o Professor Xavier em X-men Dias de um Futuro Esquecido) está brilhante no papel, poderia ser digno de Oscar. Porém ele vai no limite da caricatura, segurar até onde o ator poderia ir e deixá-lo à vontade para criar quando necessário, mostrou habilidade do diretor. McAvoy tem uma fisicalidade impressionante. Realmente acreditamos ser mais de uma pessoa ali. Anya Taylor-Joy já tinha se firmado depois da atuação em A Bruxa. Aqui ela tem um papel difícil, pois poderia cair em maneirismos fáceis de “mocinha em perigo”. Taylor-Joy ajuda na composição que subverte aquele clichê ao passar firmeza e sagacidade, sem abandonar o medo – também presente. Betty Buckley tem um papel importante com a função de decifrar as múltiplas mentes. O arco dela poderia ser professoral, mas vai no tom certo. Explica sem duvidar da inteligência do público e sem ser artificial.  E até mesmo as outras adolescentes sequestradas entregam bem, mesmo com menos material em mãos.

O roteiro tem momentos de flashbacks que tornam a situação atual ainda mais dramática. A infância de Casey possui elementos que por si só já dariam um filme. Um movimento em específico traz uma bela e trágica rima visual. Sem contar o árduo paralelo constante. O não abuso do recurso faz com que o foco da trama principal não se perca, servindo de modo eficaz para o complemento da personagem.

A trama gira sob o ponto de vista de vários personagens. Visualmente isso é colocado com câmeras subjetivas a partir do ponto de vista deles. Em algumas situações sentimos a ameaça mais vívida por conta dessa escolha. Ou então tomamos certos impactos, mais efetivos que muito cinema 4D… Com essas viradas no foco narrativo, a situação não satura e tampouco fica repetitiva.

A resolução tem um pico intenso e quase surreal. Pequenos detalhes como uma grade ou um nome ganham força naquela construção. O filme, contudo, escorrega na última cena. Se fosse uma cena pós-créditos à la Marvel, estaria perdoado e valeria o momento. Contudo a sensação é anti-climática e pode deixar muitos sem entender. Ainda assim, mesmo com pequenas falhas aqui e ali, Fragmentado é a volta (pelo menos até a próxima aventura) do melhor Shyamalan.

 

  • Nota Geral
4.5

Resumo

Fragmentado é o filme mais tenso do ano, até agora…e é a volta (pelo menos até a próxima aventura) do melhor Shyamalan.

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