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Crítica: Corrente do Mal (2014)

Corrente do Mal é tenso, instigante e muito bem dirigido. Sendo um dos principais filmes de terror do ano passado.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Maika Monroe, Keir Gilchrist, Daniel Zovatto, Lili Sepe
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2014 (27 de agosto de 2015 no Brasil).

Sinopse: após ter uma relação sexual, a jovem Jay contrai uma maldição cuja premissa é: uma entidade que a perseguirá até que a moça transmita para outrem a praga.

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A primeira cena de Corrente do Mal é instigante e dá muito bem o tom do filme como um todo. Estamos no meio de uma rua residencial, tipicamente americana – daquele americano que vemos nos filmes. De uma das casas sai uma jovem correndo. Ela, esbaforida e com um olhar apreensivo, estanca. Rapidamente, em um movimento circular (acompanhado pela câmera), retorna à casa e sai em disparada com um carro. Não vemos o que ela teme e tampouco o que ocasionara a conclusão gore daquele episódio.

Esse estado de tensão que vivemos com a personagem será compartilhado nos próximos 100 minutos. Com a diferença que passaremos a ver o ser que está afligindo Jay Height. E a forma como é posto em tela “a coisa” vem como uma sacada perspicaz e não tão comum. Pois se trata de uma figura “humana” que possui uma certa inteligência, porém caminha vagarosamente – e eternamente – em direção às vítimas. Ou seja, potencialmente, qualquer transeunte que apareça nas margens do nosso campo de visão pode apresentar perigo. O estado de nervos que ficamos é tal que demoramos alguns instantes para descobrirmos se o que está em tela é uma ameaça ou não.

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Outro aspecto bem trabalhado pela direção é que, por vezes, a câmera não mostra a ação diretamente, mas a reação da vítima – o que nos faz voltar ao sentimento da cena inicial. A clara metáfora para as doenças sexualmente transmissíveis – e claro para a morte em si –  vem a partir de um clichê de filmes de terror: jovens sendo punidos por estarem praticando indevidamente o coito. Contudo, como é notável, o clichê aqui não soa batido. Ele é extrapolado para dilemas morais como transmitir ou não a coisa? E até dilemas sexuais, por assim dizer, quando um jovem – apaixonado pela moça amaldiçoada – cogita ter relações com ela, mesmo sabendo dos riscos.

As atuações aqui são simplórias. Fora Maika Monroe, que faz Jay, não temos grandes talentos aparentes – não chegando, todavia, a prejudicar. Monroe tem desnorteamento, vigor, senso de urgência e ate um pouco sexualidade, que a personagem requeria (o trabalho dela aqui foi muito melhor que em Independence Day: O Ressurgimento de 2016). Os companheiros de grupo, por outro lado, são genéricos e até indistinguíveis. Problema também dos respectivos personagens.

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Já o design de produção traz elementos bem curiosos. Há uma atemporalidade nos objetos em cena quase que dizendo: “atenção crianças, isso pode ocorrer com qualquer um e em qualquer época”. Reforçando a metáfora das DSTs. Filmes e o próprio aparelho de TV antigos em contraponto a um exótico leitor digital – que , creio, ainda não existe.

A direção é impecável no manejo da câmera. Em vários ambientes fazemos uma varredura no local, quando o diretor transita de forma circular. E isso quase dá uma sensação de segurança e familiaridade. Contudo, ela é rapidamente quebrada pela angustia de ver a movimentação das pessoas ao fundo. Destaco também um momento quando a entidade está em um telhado e vamos nos distanciando, porém mantendo o olhar firme até perder de vista. Em suma: David Robert Mitchell sabe trabalhar bem com a profundidade, contar uma história e gerar um suspense e terror.

Corrente do Mal é um tipo de terror que vai agradar mais aos fãs de A Bruxa do que de um Atividade Paranormal. A construção do medo é inteligente e sugestionada. A ótima premissa foi executada com eficácia, mesmo com o “baixo” orçamento de 2 milhões.

Confira também o texto do Henrique Rizatto sobre o filme

  • Direção
  • Roteiro
  • Autação
  • Design de Produção
4.5

Resumo

Corrente do Mal é um tipo de terror que vai agradar mais aos fãs de A Bruxa do que de um Atividade Paranormal. A construção do medo é inteligente e sugestionada. A ótima premissa foi executada com eficácia, mesmo com o “baixo” orçamento de 2 milhões.

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