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Crítica: Ralé (2016)

Ralé é uma obra com forte pegada autoral e que dá peso às minorias.

Direção e roteiro: Helena Ignêz
Elenco: Ney Matogrosso, Simone Spoladore, Djin Sganzerla, Dan Nakagawa, José Celso Martinez Correa, Helena Ignêz
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 05 de maio de 2016

 

Ralé

Trabalhos autorais geralmente causam reações diversas. Uns amam o resultado e outros não se identificam com o que está sendo apresentado – em uma medida maior que outros filmes. No Brasil temos uma quantidade de filmes nacionais genéricos, sem grande valor artístico, ocupando as principais salas do circuito comercial. Ralé é uma obra com pouco de uma narrativa corriqueira e com o tino de uma pessoa do ramo: a diretora Helena Ignêz.

Ralé tem dois méritos claros: o intenso trabalho com a câmera e o de dar voz a algumas minorias, dando o ponto de vista delas de uma forma natural e cotidiana. A música é outro elemento focal em Ralé. A trilha sonora é constante e quase que substitui a narrativa.

Este último aspecto tem um tempero dada a participação de Ney Matogrosso como, pode-se dizer, um dos protagonistas. Além de ter uma boa presença na condução de Barão, Ney se apresenta musicalmente falando, com a música “Um Pouco de Calor” – engrandecendo ainda mais a parte sonora.

Ralé

Apesar dos pontos positivos, a falta de sutileza e uma explicação desnecessária em alguns momentos enfraquecem o todo. Todavia, o ponto mais fraco é a falta de coesão narrativa. Quando o filme tenta ser filme a coisa flui bem é tem momentos de interesse. Já quando descamba para uma colagem, mostra um resultado ruim e como uma opção equivocada da direção.

O gosto amargo fica mais forte ao perceber que o longa tinha potencial. Há críticas a práticas conservadoras que fariam os preconceituosos arrancarem os cabelos. Boas referências literárias e teatrais também perpassam toda a obra. Infelizmente, a direção querer gritar mais que o que estava sendo filmado, por vezes quase que esquecendo que era um filme, diminui consideravelmente o valor final.

Criticar alguém por dar um grito de liberdade é quase criminoso. Mas Ralé acaba sendo pouco expressivo exatamente por se expressar demais. A história é um dos elementos centrais de um filme (se não for o principal…), aqui ela fica renegada a um terceiro plano. A forma como é contada, algo também de relevância, não traz viço suficiente.

Ralé é uma experiência. Se vale ou não ser vivida fica a critério. Eu me senti um pouco frustado ante o material e talento jogado em tela. Ainda assim, mesmo não tendo gostado plenamente como produto final, filmes como Ralé, Uma Noite em Sampa e Sinfonia da Necrópole – todos deste ano – merecem aplausos pelo gênio singular e por serem um respiro criativo no nosso cinema. Ponto Zero e O Menino e o Mundo conseguiram unir ambas as coisas e ainda são os melhores filmes nacionais exibidos nas telonas em 2016.

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