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Crítica: A Garota Dinamarquesa

A Garota Dinamarquesa coroa Eddie Redmayne, e o consolida como um ator espetacular. Resta saber se neste Oscar ele sairá vitorioso novamente.

Ficha Técnica:

Direção:  Tom Hooper
Roteiro:  Lucinda Coxon
Elenco: Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Ben Whishaw e Amber Heard
Nacionalidade e lançamento: EUA , Reino Unido , Alemanha, com estreia marcada para 11 de fevereiro de 2016

Sinopse: Em meio a uma sociedade rígida em seus padrões, e com uma visão limitada perante a sexualidade em pleno anos 20. Einar Wegener (Eddie Redmayne) se descobre transvestido de mulher e porém, para assumir seu papel na sociedade como Lili Elbe, Einar terá que enfrentar preconceitos, transformação corporal e uma crise em seu casamento com Gerda Wegener (Alicia Vikander).

Estamos vivendo em uma Dinamarca em plena década de 20. A Europa passa pela consequência da Primeira Guerra Mundial, mas esta se reconstruindo. O mundo esta mais aberto à cultura. Temos a ascensão de Charles Chaplin, surgem movimentos na arte como o dadaísmo, de Marcel Duchamp e o surrealismo, de Salvador Dalí.

Tudo o que o mundo esta querendo neste momento é um pouco de paz, após tantas mortes e sofrimento.

Nesta Dinamarca, surgem muitos artistas, pintores, que buscam seu espaço ao sol com obras e suas releituras do mundo, um pintor chama a atenção, Einar Wegener, com traços precisos, alta concentração, e uma visão detalhada de paisagens que só ele via.

O retrato de um pintor é a expressão de sua visão de mundo, e Einar era observador, e detalhista. Casado com Gerda Wegener, outra pintura que buscava sua identidade, Einar acaba descobrindo um detalhe, um novo ponto de vista sobre si mesmo.

Eis que surge o filme A Garota Dinamarquesa, que explora exatamente esta nova visão que um ser-humano pode ter se si.

Einar descobre que dentro dele sempre existiu outra pessoa, alguém que precisava tomar posse daquele corpo e ganhar vida. Lili Elbe, uma mulher charmosa, tímida, curiosa e querendo aproveitar sua existência. Lili aparece timidamente na vida de Einar, mas mostra-se ser muito mais do que ele pensava.

Ela estava ali, o tempo todo, observando, sentindo, amando, mas era “abafada” pela cultura e pelos próprios preconceitos internos. Porém, é possível sentir que Lili nasceu para viver, e por algum “erro natural”, Einar foi quem surgiu e tomou conta da vida de Lili durante muitos anos. Agora chegou a hora dela assumir finalmente o controle, e pilotar esse corpo, mesmo que não sendo o dela, para que a vida ganhe mais cor, mais forma, para que as pinturas de Einar deixem de existir nas telas e tomem vida.

Com uma visão precisa, assim como os traços de Einar, Tom Hooper, diretor do filme consegue passar para nós de forma muito sensível e emocionante o que é a vida de um transgenero. A batalha diária não só com a humanidade, mas com ele mesmo. A busca por respostas, as dúvidas, os medos. Hooper conseguiu criar um personagem icônico que trouxe para o cinema uma visão humanizada de um “problema” que é constantemente massacrado por religiões, psicólogos, médicos, sociedade, etc…

O roteiro de Lucinda Coxon é sóbrio, e deixa A Garota Dinamarquesa em um papel quase social para o expectador. Muito do roteiro foi baseado em um diário que Lili fez enquanto buscava se assumir e principalmente, mudar seu corpo.

A história de Lili Elbe se tornou extremamente relevante para o mundo por ela ter sido provavelmente a primeira mulher transgenero a submeter-se a uma cirurgia genital. E não só isso, o diário que Lili escreveu se tornou quase que um manifesto do que a sociedade trans passa em seu dia-a-dia.

 

Vivido por Eddie Redmayne, Einar transmite para o expectador o sofrimento e as dúvidas que pairam por ele e por sua esposa. Toda a transição, até se assumir Lili Elbe, é feita com maestria por Redmayne, que sem dúvida se consolidou como um dos melhores atores de sua geração. Não à toa, o ator concorre ao seu segundo Oscar como Melhor Ator.

Apoiado por Alicia Vikander, que vive Gerda, a esposa de Einar, a dupla tem sinergia, carinho, consistência, e Alicia surpreende em seu papel, já que muitas vezes somos tomados não só pela visão de dúvida e de conflito de Einar, mas também por aquela que vive ao seu lado e o apoia.

Alias, esta aí algo que podemos co-relacionar entre A Garota Dinamarquesa e A Teoria de Tudo, os dois filmes que levaram Eddie ao Oscar. Ambos personagens vivem conflitos, tramas pessoais muito fortes e sérios. Porém os 2 tem o apoio e a grandeza da sensibilidade feminina em suas companheiras.

A Garota Dinamarquesa chega aos cinemas para levantar uma bandeira, fomentar discussões e assim de tudo, trazer consciência. O filme não é um primor técnico, mas tem no roteiro e na atuação suas grandes virtudes, e isto torna o filme, no mínimo, muito especial.

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