Crítica: O Homem Que Amava Yngve

Crítica: O Homem Que Amava Yngve

por Bárbara Pontelli

O Homem Que Amava Yngve (Mannen Som Elsket Yngve)

Lançamento: 2008

Direção: Stian Kristiansen

Roteiro: Tore Renberg

kinopoisk.ru

Fuçando pelo vasto mundo de filmes disponíveis na imensidão da internet, O homem que amava Yngve me saltou aos olhos em virtude da sua incrível trilha sonora. Estamos falando de coisas como Jesus & Mary Chain, Pixies, Buzzcocks, Cure, Violent Femmes, R.E.M … Joy Division! <3 Diante tal seleção musical, confesso que foi o suficiente para eu dar uma chance e conferir esse curioso filme norueguês.

O longa vai contar a história de Jarle Klepp (Rolf Kristian Larsen), um jovem com seus 17-18 anos que vive na fria Noruega em 1989 – em meio ao evento da queda do Muro de Berlim. Jarle irá conhecer Helge Ombo (Arthur Berning) e logo identificam-se, tornam-se melhores amigos e montam uma banda de punk rock – a “Mathias Rust Band”. Cathrine Halsnes (Ida Elise Broch) – namorada de Jarle – também faz parte da turma e, juntos, eles se divertem, bebem…amam, enfim, todas essas coisas recorrentes dessa faixa etária.

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O início do filme me lembrou bastante Scott Pilgrim vs The World: tem a música, o casal de namorados apaixonados que compartilham os mesmos gostos, tem a banda de punk rock e tem as mesmas tiradas engraçadas numa pegada bem Pilgrim. Entretanto, as coisas começam a mudar e o filme vai perdendo seu ar de comédia, quando entra em cena um novo personagem: Yngve (Ole Christoffer Ertvaag) – novo colega de classe na escola em que Jarle e sua turma estuda.

A princípio apenas intrigado com o enigmático Yngve, Jarle procura aproximar-se do rapaz. O drama vai adquirindo forma na medida em que Jarle vai se dando conta do quanto Yngve é atraente em tantos diferentes sentidos. Yngve é solitário, inteligente, charmoso e super sensível….um personagem bastante peculiar. Embora Jarle não possua atração por meninos – até agora – Yngve vai despertar um sentimento e afeição em Jarle que fica cada vez mais difícil de esconder. É nesse sentido que caminha o filme, ou seja, ao redor desse drama: Jarle sofre uma crise de identidade (em relação aos seus gostos…estilo), percebe-se apaixonado por Yngve e se afasta de seu melhor amigo e da namorada. Em meio a tais acontecimentos, o filme perde seu tom engraçado e vai dando espaço para um drama com um desfecho incerto.

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Inspirado em obra de mesmo nome*, o filme não consegue explorar nem atingir sua potencialidade. Talvez o livro tenha sido capaz de alcançar uma reflexão mais profunda – supondo, pois não cheguei a ler – mas o filme por sua vez, deixou a desejar.

*Tore Renberg, autor norueguês, já possui doze livros publicados em onze línguas, desenvolve suas tramas apoiando-se na cultura popular, no rock dos anos oitenta e noventa, em filmes e livros que determinaram a geração que viu o ocidente sofrer mudanças econômicas e políticas radicais. O Homem que Amava Yngve é o primeiro romance de uma sequência composta por outros quatro volumes. [Fonte: http://www.dbaeditora.com.br ]

Em primeiro lugar, o protagonista vivenciado pelo ator Ole Ertvaag me passou uma atuação um pouco imatura frente à uma confusão de sentimentos tão complexos pelos quais seu personagem vive. Mesmo considerando que o personagem possui apenas seus 17 anos, creio que seria possível uma exploração psicológica mais profunda de Jarle. Houve momentos também em que o personagem não convence 100% da sua atração por Yngve. Há toda uma curiosidade por parte dele em relação ao rapaz, mas falta alguma coisa típica que há nessas paixões avassaladoras adolescente. Já o personagem de Yngve conseguiu traduzir muito bem seu papel: os flertes com Jarle, a sensibilidade peculiar que possui e, principalmente, quando chega ao extremo justamente por conta dessa paixão. O ator também consegue se mostrar confortável na pele de Yngve e embora não esbanje carisma, impossível não conquistar o espectador com tanta sensibilidade!

Quanto ao evento político que se faz presente como pano de fundo do filme – a queda do Muro de Berlim – buscou-se acrescentar o quê exatamente ao longa? Tal acontecimento não esboça consequências na vida dos personagens e tão pouco consegue manter relação com o drama principal do enredo. Um evento histórico tão importante como este, parece ficar “solto”; sem um propósito…surge apenas para justificar o clima de revolta dos garotos que, na verdade, não parecem estar muito envolvidos nisso, salvo na cena em que o assunto é discutido em aula na escola. Talvez a intenção tenha sido fazer alguma analogia em relação às crises pelas quais Jarle passa e seus “muros” – tal como a referência aos “muros” na música que compôs quando estava apaixonado…. pode até ser… mas em linhas gerais o evento histórico fica desamarrado na trama.

Enfim, o que tem de maravilhoso na trilha sonora deixou a desejar em outros aspectos. Como disse, um tema tão complexo como este, oferece possibilidades de ser explorado mais a fundo, poderia ter sido mais ousado….mas o que vemos é um drama com pontas soltas. Mas não é de tooodoooo ruim. Gostei da seleção das cores (quentes/ vermelho quando Yngve está em cena) e da combinação das belas paisagens frias e nórdica da lindinha Stavanger – onde a história passa. O desfecho ao som de Joy e as músicas super apropriadas aumentaram uma estrelinha à minha nota original: nota três! ;)

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