Crítica: Em Transe

Crítica: Em Transe

em_transe_02Danny Boyle é um diretor que vem de ótimos filmes. Chamou a atenção de muita gente em 2008 com o filme “Quem Quer Ser um Milionário?” que tinha como foco principal a cultura indiana. Em 2010 dirigiu o ótimo “127 Horas”, com um James Franco vivendo um aventureiro que fica preso em uma fenda. O filme ganhou muita atenção por ser uma história verídica e também pela fotografia e direção impecáveis.

Agora em 2013 Danny Boyle chegou com “Em Transe” que traz alguns atores em ascensão, caso de: James McAvoyRosario Dawson, e Vincent Cassel. O filme conta a história de Simon, um leiloeiro de arte que é viciado em jogatina. Após contrair uma dívida enorme, ele acaba se envolvendo com um grupo de criminosos para roubar uma pintura valiosíssima. Porém, quando o assalto acontece, Simon é golpeado na cabeça e acaba esquecendo o que aconteceu, consequente a isto, a pintura ainda some! Agora o grupo criminoso, liderados por Frank, precisam da ajuda da terapeuta Elizabeth Lamb para se “infiltrar” na cabeça de Simon, entender o que aconteceu e recuperar a pintura perdida.

A estréia mundial do filme foi realizada em Londres em 19 de março de 2013, e de cara o escritor Michael O’Sullivan Boyle do Washington Post descreveu “Em Transe” como um filme de “jogo rápido e solto com a realidade.” O filme é exatamente isto que Boyle descreveu. Trata-se de um drama rápido que não pede passagem, e sim vai invadindo os espaços e preenchendo as lacunas com informações e tramas que levamos um tempo para entender. Porém isto não é uma crítica, é apenas uma informação. O fato do filme ser rápido é sim uma vantagem, pois a história ganha um ritmo que nos envolve. A desvantagem é que as vezes podemos perder uma ou outra informação, porém no final conseguimos encaixar o quebra-cabeça.

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James McAvoy é um ator jovem e muito interessante, seu papel é o principal no filme e ele conduz com maturidade. Já tinhamos visto esta mesma maturidade em filmes como “O Procurado” e até como o Professor Xavier em “X-men: Primeira Classe”. James tem um jeito de atuar que concentra emoções e consegue flutuar bem entre elas. Em “Em Transe” ele continua fazendo isto de forma muito convincente. Rosario Dawson é uma atriz que ainda não tinha tido tantas chances em Hollywood, lembro-me dela em “7 vidas” com Will Smith onde ela faz o par romântico com ele. Lá já tinhamos esboços de uma atriz bastante interessante e neste filme conseguimos ver que realmente ela pode ir além do que imaginamos. Porém, Vincent Cassel é o ator com mais tempo de estrada e que tem por si só um olhar mais sombrio no filme, é um ator extraordinário que consegue transmitir o seu poder em cena de uma forma muito fácil e ao mesmo tempo deixa aquele sentimento de desconfiança no ar, para mim, poucos atores que interpretam “vilões” conseguem ter essa presença, mas um ótimo exemplo é o Tom Hiddleston que interpreta o Loki em Thor.

“Em Transe” é um filme que consolida o olhar direcional de Danny Boyle no cinema e digo isto porque em todos os seus filmes ele sempre nos “direciona” na narrativa. Desde “Quem Quer Ser um Milionário?” passando por “127 Horas”, e agora com “Em Transe”, o diretor sempre brincou com essa coisa da ilusão e da realidade, e “Em Transe” é o filme mais forte dentro desta brincadeira. Em vários momentos não sabemos se o que acontece é real ou ilusão, porém o diretor consegue justificar as cenas de forma muito clara. A única coisa que me incomodou no filme e que acho que é digno de um “toma cuidado” é que estas transições entre real e ilusão as vezes são muito exageradas, tanto em quantidade quanto em “explicação”. O filme chega ao seu desfecho de forma muito mastigada e merecia algo um pouco mais elaborada, ou seja, toda a explicação que Elizabeth Lamb da para justificar suas ações vem de forma muito “peraí que vou explicar porque isto tudo que você viu até agora aconteceu”…e poderia ter vindo de uma forma mais lúdica, que levasse o espectador a pensar.

De qualquer maneira “Em Transe” é um bom filme e traz de volta aquela sensação estranha de “que loucura!” que “Clube da Luta” e “A Origem” provocam.

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