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Crítica: As Aventuras de Tintim

Steven Spielberg, como diretor, é amado pelo grande público e pela Academia de Hollywood. Inegavelmente, já deixou sua marca no cinema mundial com muitos filmes que se estabeleceram como grandes clássicos modernos do cinema. No entanto, isso não impede que o diretor de ‘O resgate do Soldado Ryan’ decepcione vez ou outra por se entregar demasiado a elementos clichês e melodrama exagerados. Mesmo assim, Spielberg é inteligente o suficiente para voltar à sua capacidade de divertir o espectador.

Em “As Aventuras de Tintim”, Spielberg consegue aliar toda a qualidade técnica de animação e motion-capture (já utilizada em O Expresso Polar, por exemplo) a uma boa história. Baseado na obra do desenhista belga Hergé, o filme conta a história do jovem repórter Tintim (e seu fiel amigo, o cãozinho Milu), que consegue mais uma história para sua carreira ao adquirir um barco em miniatura que contém um segredo.

“As aventuras de Tintim” tem grandes qualidades que um filme de aventura “para toda a família” precisa ter. Apesar de não dar muito tempo para o espectador “respirar” ao se deixar levar pelas sequências de ação em ritmo acelerado, o filme conta com situações cômicas na medida certa, sendo que a maioria delas é protagonizada pelos policiais Dupont e Dupond e pelo alcoólatra Capitão Haddock (incorporado por Andy “Gollum” Serkis). Spielberg usa e abusa da tecnologia apresentada pelo filme, na qual o diretor pode movimentar livremente a câmera dentro do cenário tridimensional digital, o que permite ao espectador acompanhar belos planos sequência, como os diversos acidentes de carro nos quais Tintim estava no meio; perseguições de calhambeques em um cenário marroquino; e embates entre navios em alto mar.

Como se isso não bastasse, o filme se dá ao luxo de usar e abusar de lindos ‘matchcuts’, quando o diretor corta de uma cena a outra unindo as imagens em uma só. Isso pode ser visto quando o bote em alto mar se transforma gradativamente em uma poça d’água, quando dunas do deserto passam a ser ondas do oceano, ou quando a mão do capitão passa a ter camelos andando sobre a pele, até se transformar em uma paisagem de deserto. A qualidade gráfica da animação também permite um realismo muito maior do que o cinema de “motion-capture” já conseguiu, visto que as tonalidades de pele e a textura dos diversos materiais podem ser muitas vezes confundidas com um filme em live-action.

Mesmo com o realismo possibilitado pela técnica, “As Aventuras de Tintim” consegue ser totalmente verossímil nas suas cenas absurdas. Afinal, não podemos nos esquecer de que o longa metragem é baseado em quadrinhos e desenhos, e não há nada que impeça a aventura de ter divertidas cenas irreais – destaque para o avião “movido a arroto”.

Além de tudo, Spielberg não tem medo nenhum do politicamente correto. Além de um dos personagens principais ser alcoólatra e beber (até mesmo álcool puro) em diversos momentos, o protagonista não hesita em pegar seu revólver e atirar quando necessário. Talvez seja por isso que a classificação indicativa no Brasil é de 10 anos.

Após o melodramático Cavalo de Guerra, Spielberg prova que pode fazer uma aventura divertidíssima e envolvente sem cair nos clichês ou sem a pretensão de “ensinar” algo ao espectador, o que resulta portanto em um filme sem méritos que ultrapassam o puro entretenimento.

“As Aventuras de Tintim” não inventa a roda, mas consegue fazê-la girar muito bem.

Nota: 4 Claquetes

 

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