Crítica: Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)
Em Ritmo de Fuga - Baby Driver

Crítica: Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)

Em Ritmo de Fuga é música para nossos ouvidos, deleite para os olhos, e uma aula para o Michael Bay!

 

Ficha técnica:

Direção: Edgar Wright
Roteiro: Edgar Wright
Elenco:  Ansel Elgort, Eiza González, Lily James, Jamie Foxx, Jon Bernthal, Jon Hamm, Kevin Spacey, Sky Ferreira.
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (27 de julho de 2017 no Brasil)

Sinopse: Com a mania de escutar música a todo tempo para espantar o zumbido em seu ouvido, Baby (Ansel Elgort) é um excelente piloto que trabalha para um criminoso organizador de assaltos, Doc (Kevin Spaey). Sua paixão pela garçonete Debora (Lily James) apenas o incentiva a tentar o que ele queria há muito tempo: abandonar a vida no crime.

 

É quando uma câmera giratória e inquietante mostra os personagens em um momento de definição importante que nos lembramos de Transformers, e apenas um sentimento vem à cabeça: “esse diretor precisava dar umas aulinhas para o Michael Bay”. Mas fique tranquilo: essa é única similaridade entre “Baby Driver” – com seu título brazuca “Em Ritmo de Fuga” – e os filmes dos carros robôs.

No filme de Edgar Wright, os carros não se transformam em nada e não explodem (a princípio), mas as cenas de ação conseguem ser muito mais emocionantes dos que quaisquer dinossauros e carros-robôs explodindo planetas com bombas atômicas enquanto vestem fantasias de Storm Troopers. Isso ocorre por meio de algumas palavras-chave importantíssimas para este filme: montagem cuidadosa, mise-en-scène, e protagonista tridimensional.

Mas vamos começar do começo: “Em Ritmo de Fuga” conta a história de Baby (Ansel Elgort), um motorista responsável por realizar a fuga de assaltantes, mas que é forçado a fazer isso pelo chefe criminoso Doc (Kevin Spacey). Após se apaixonar por Debora, acaba se encontrando sem saída diante das ações do grupo ao qual pertence, mesmo que não queira pertencer.

Por meio de uma montagem cuidadosa de Jonathan Amos e Paul Machliss, o filme não confunde o espectador em momento algum: sabemos o que se passa, entendemos como se dá a movimentação dos personagens, e aceitamos até mesmo as manobras mais absurdas dos automóveis. Aliás, a soma da montagem do filme com a mise-en-scène cuidadosa dos atores pode ser sintetizada por uma cena que se passa em uma lavanderia: com cortes bem elaborados e os personagens girando entre eles, sentimos crescer o entrosamento dos personagens apenas por meio de movimentos.

E por falar em movimento, ” Em Ritmo de Fuga” sabe fazer da ação um componente totalmente vinculado à música: não tem como não associar o uso das canções – de altíssima qualidade – ao que Tarantino fez diversas vezes, além dos recentes “Guardiões da Galáxia” e o próprio “Scott Pilgrim contra o Mundo”, também de Edgar Wright.

Mesmo assim, e ainda que o roteiro de Wright não seja perfeito e revele um tanto de misoginia do cineasta (que apenas não desenvolveu a capacidade de desconstruir padrões), o melhor de “Em Ritmo de Fuga” é a forma como o roteiro consegue se aprofundar na mentalidade do protagonista, de forma que nos importemos com ele – e o compreendamos gradativamente. Seu vínculo com o passado e os efeitos em seu presente são apenas “materializados” no constante som em seus ouvidos, e tanto seu pai adotivo quanto sua paixão repentina soam igualmente possíveis e sensíveis, graças aos flashbacks certeiros e ao carisma que Elgort transfere ao personagem.

É curioso notar que o roteiro procura levar ao espectador uma falsa sensação de tridimensionalidade aos personagens secundários, como se fossem bandidos com suas questões pessoais, mas que no fim são personagens pouco aprofundados: isso não torna o filme mais pobre, mas perde a oportunidade de deixá-lo mais rico ao desenvolver nuances quase incongruentes. Ao mesmo tempo em que tenta aprofundar esses personagens secundários em uma busca por mostrar outras facetas, o filme encontra um naco de contradição ao não se permitir fazer o mesmo com o protagonista: Baby precisa matar e demonstrar algum tipo de ódio, mas a trama o leva insistentemente a um patamar de “herói livre de pecados”, que precisa passar por uma prisão com ares de purgatório purificador para que enfim seja liberado. Não se trata de algo bom ou ruim, apenas uma questão importante a ser dita: esse paralelo em que o maniqueísmo e as nuances apresentadas pode ter sido pensado como um elemento da narrativa.

Aliás, a redenção simples de Baby não apenas enfraquece a riqueza do personagem, como também traz um final desnecessariamente arrastado. Mesmo assim, por sua riqueza técnica e sua abordagem criativa, “Em Ritmo de Fuga” merece o destaque que tem conquistado.

E sim… as músicas são incríveis e a presença delas nas cenas de luta é de cair o queixo.

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