Crítica: Tara Maldita

Crítica: Tara Maldita

 

Ficha técnica:

Direção: Mervyn LeRoy

Elenco: Nancy Kelly, Patty McCormack, , Eileen Hechart, Evelyn Varden, Henry Jones

Roteiro: Warren Low

Nacionalidade e ano de produção: EUA, 12 de setembro de 1956

 

Sinopse:

Rhoda, uma menina de 8 anos, brinca como qualquer outra criança, estuda como qualquer outra criança, mas guarda um segredo obscuro, diferente de várias crianças.

 

O terror brinca de bonecas

Recentemente foi publicado no Brasil o livro “Menina Má”, escrito em 1954 pelo norte-americano William March. Diferentemente daqui, nos EUA o livro foi amplamente difundido quando lançado, sendo elogiado por críticos de várias partes do mundo. O autor faleceu poucas semanas depois de seu lançamento.

Dois anos depois, Hollywood o adaptou para as telas, conseguindo driblar a censura ao falar de um tema que na época com certeza mexeu com muitos paradigmas e serviu de modelo posteriormente para vários filmes sobre crianças perversas e criminosas (quem não se lembra de Macaulay Culkin em “O Anjo Malvado”).

O estranho título nacional dá a ideia de ser um filme de suspense-erótico (dificilmente associamos hoje a palavra ‘tara’ a algo obsessivo), quando na verdade o título original significa ‘Semente Má’, que aqui se trata de Rhoda, uma menina de 8 anos que se veste como uma boneca e aparentemente é parecida com outras crianças de sua idade.

Mas as aparências enganam bastante, quando ficamos sabendo que a pequena Rhoda, apesar de sua pouca idade, é uma assassina fria e calculista. O desejo de conseguir o que quer faz de Rhoda uma ameaça em potencial, principalmente quando ela almeja a todo custo uma medalha estudantil que acaba indo para um coleguinha. Isso desperta na menina um desejo assassino que vira alvo de suspeitas quando o colega acaba aparecendo morto.

Aos poucos, a mãe de Rhoda começa a relacionar a frieza e passividade da menina a outros casos, em especial algo envolvendo uma velha senhora no passado. Nada de faca na mão e sangue pelas paredes. O que vemos em “Tara Maldita” são as consequências de atos criminosos nunca mostrados para o público. O ajudante LeRoy desconfia da maldade da menina e a provoca a todo instante, enquanto uma amiga acha que aquela família é a mais perfeita do mundo.


Enquanto os personagens masculinos são fracos, sem brilho (à exceção do ajudante feito por Henry Jones), o quarteto de atrizes brilha em seus papéis. Nancy kelly está ótima como a mãe amargurada que descobre segredos sinistros da filha; Patty McCormack está sutil e correta no papel da menina criminosa; Eileen Hechart (Oscar por “Liberdade para as Borboletas”) dá um show como a mãe inconsolada que perde seu filho; e a veterana Evelyn Varden brilha como a amiga da família. O diretor Mervyn LeRoy dirigiu filmes como “O Fugitivo” (1932), “A Ponte de Waterloo” (1940), “Estrada Proibida” (1941) e “Quo Vadis” (1951).

O filme, que mexe com questões psicológicas, faz a seguinte pergunta: “Pode uma criança cometer crimes brutais, ou um assassino vai se formando quando adulto?” O final forte (diferente do livro) foi claramente modificado para atender as imposições feitas pela censura da época. Os créditos finais com o elenco aparecendo de forma bem humorada, obviamente foi para tirar um pouco o peso do desfecho inesperado e polêmico. Foi indicado aos Oscars de atriz (Nancy), atriz coadjuvante (Patty), atriz coadjuvante (Eileen) e fotografia em preto e branco.

Se hoje uma história dessa choca e impressiona parte do público, imagine há mais de 60 anos.

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  • Conversador

    filmes clássicooooos!