Crítica: Matar ou Morrer (1952)

Crítica: Matar ou Morrer (1952)

Ficha técnica:

Direção: Fred Zinnemann

Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Lloyd Bridges, Katy Jurado, Thomas Mitchell,

Roteiro: Carl Foreman e John W. Cunningham

Nacionalidade e lançamento: Estados Unidos, 24 de julho de 1952

 

Sinopse:

No dia de seu casamento, o xerife Will Kane recebe a notícia de que um dos homens que ele prendeu no passado, está voltando para se vingar dele. Amigos o aconselham a ir embora com sua esposa, mas Will resolve ficar e enfrentar o criminoso e sua gangue.

 

Um Homem só

Este não é somente um dos grandes clássicos do western, mas também um dos melhores filmes de todos os tempos. A história do xerife (Gary Cooper) que se vê sozinho diante de uma grande ameaça, é de uma grandeza admirável.

Não se trata de um filme comum, daqueles que se tem a impressão que já foi visto antes. São inúmeras suas qualidades, a começar pelo estilo de narrativa que proporciona ao espectador uma das melhores experiências já vividas no cinema: tudo é em tempo real, ou seja, os 80 minutos de duração do filme são exatamente os 80 minutos de tempo da história.

Sim, tudo ocorre em exatamente 1 hora e 20 minutos, e durante esse tempo vamos acompanhando o casamento de Will com Amy (a belíssima Grace Kelly), os preparativos da saída do casal em lua de mel, até que Will é informado de que o bandido Frank Miller chegará à cidade ao meio-dia. Depois de anos preso, Miller saiu da prisão, jurando vingança contra o xerife que o prendeu no passado.

Will e Amy chegam a sair da cidade, mas no caminho ele resolve voltar e enfrentar os bandidos. Amy não se conforma muito com isso e vai para a estação esperar o primeiro trem que possa levá-la embora dali. Will só não esperava que lhe seria negado ajuda para enfrentar os homens que chegarão em menos de uma hora. Ninguém o ajuda (apenas dois cidadãos não aptos se oferecem), um a um dos habitantes daquela cidade dá alguma desculpa para se ver livre da ‘encrenca’. Nem mesmo o auxiliar Harvey (Lloyd Bridges) se presta a ajudá-lo. Percebenbo que está por sua conta, Will sabe que suas chances são poucas, mas já é tarde para recuar, e nem ele faria isso àquela altura.

Amy vai a um hotel esperar o trem chegar, e ali ela vê Helen Ramirez (Katy Jurado), um antigo caso amoroso mal explicado de seu marido. Estas cenas nos servem principalmente para mostrar a dimensão da integridade de Will, e de como, conhecendo melhor seu passado, seria fácil saber que ele jamais abandonaria aquela cidade naquelas condições.

À medida que o tempo vai passando, os relógios vão mostrando as horas, imprimindo assim uma sensação de agonia e apreensão, até o clímax final, quando o xerife e os homens se enfrentam nas ruas vazias que dão a ideia de uma cidade abandonada. A edição é um dos trunfos da obra, fortalecendo o suspense do grande momento que se aproxima, sem nunca perder o ritmo.

O diretor Fred Zinnemann (que ganharia um Oscar de direção no ano seguinte por “À um Passo da Eternidade” e anos depois outro por “O Homem Que Não Vendeu Sua Alma”) ao filmar o roteiro de Carl Foreman e John W. Cunningham, viu ali uma forma de criticar a Caça às Bruxas que vigorou em Hollywood naquela época, liderada pelo senador Joseph McCarthy. Um homem sendo covardemente ameaçado por um número maior de pessoas, era na visão de Zinnemann, mostrar sua insatisfação com a terrível e absurda perseguição do Macarthismo. Alguns não gostaram dessa crítica voraz, mas houve quem aprovou, inclusive a Academia de Artes e Ciência de Hollywood, que premiou o filme com quatro Oscars: ator (Cooper, o segundo de sua carreira), edição (Elmo Williams), canção (‘Do Not Forsake Me, Oh My Darlin’ de Dimitri Tiomkin e Ned Washington) e trilha sonora (Dimitri Tiomkin).

“Matar ou Morrer” é o maior exemplar do western do homem solitário, que surgiu principalmente a partir dos anos 40. Filmes como Rio Vermelho” (1948), “Os Brutos Também Amam” (1953), “O Preço de um Homem” (1953) “Rastros de Ódio” (1956) e “Sete Homens Sem Destino” (1956), são outros westerns que mostram personagens mais humanos, com crises existenciais, perdidos em um mundo que não os entendem ou os ignoram.

O diretor Howard Hawks foi um dos que não gostaram da mensagem de isolacionismo de “Matar ou Morrer”, e fez o seu “Onde Começa o Inferno” (1959) como resposta ao filme de Zinnemann, colocando John Wayne como um xerife que recusa ajuda para combater homens que querem tirar um preso da cadeia.

Sem ajuda, sem amigos, mas com muita coragem e determinação, o xerife Will Kane aguarda os últimos minutos que decidirão seu destino. Nós acompanhamos e aguardamos com ele aqueles momentos de pura tensão. Em tempos atuais de individualismo, “Matar ou Morrer” se mostra tão importante e mais atual do que nunca.

 

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  • Conversador

    mto bom critica d filme classico. nem só de blockbuster devemos viver